Revisto por Drª Ana Torre
Revisto por Drª Ana Torre Desenvolvido por Teresa Santos
21 Mai, 2020 - 10:45

Sintomas da COVID-19: os mais frequentes e os menos comuns

Revisto por Drª Ana Torre Desenvolvido por Teresa Santos

Os sintomas da COVID-19 podem variar bastante, havendo alguns mais comuns do que outros. Fique a conhecê-los a todos.

Sintomas da COVID-19: mulher com máscara

Desde que o novo coronavírus se começou a propagar que muitas pessoas compararam os seus efeitos aos de uma gripe sazonal. Tosse, dores musculares e febre pareciam ser os principais pontos em comum.

Porém, estes não são os únicos sintomas da COVID-19 e, à medida que se sabe mais sobre esta doença e ela infeta mais pessoas, novas descrições dos sintomas da COVID-19 começam a surgir.

Os sintomas da COVID-19 que precisa conhecer

Sintomas da COVID-19: mulher com febre
1.

Sintomas mais frequentes

No site do Serviço Nacional de Saúde é possível ler-se que os sintomas mais frequentes associados à infeção pela COVID-19 são (1):

  • Febre (temperatura ≥ 38.0ºC)
  • Tosse e dificuldade respiratória (ex: falta de ar)
  • Corrimento nasal
  • Diarreia
  • Dores de garganta e/ou de cabeça e/ou musculares e cansaço
  • Nos casos mais graves, pode desenvolver-se uma pneumonia com insuficiência respiratória aguda

Todavia, até ao momento, os boletins epidemiológicos emitidos diariamente pela Direção-Geral da Saúde têm revelado uma prevalência diferente dos sintomas da COVID-19.

A par da tosse e da febre (com maior expressão), surgem as dores musculares. Depois, seguem-se (2):

  • As cefaleias (dores de cabeça)
  • A fraqueza generalizada
  • E finalmente, a dificuldade respiratória

A Organização Mundial de Saúde sublinha, ainda, que a tosse associada à COVID-19 é, normalmente, seca, persistente e outros sintomas que se podem relacionar com esta doença são (3):

  • Congestão nasal
  • Garganta inflamada
  • Diarreia

Numa fase inicial da chegada da doença ao nosso país, a indicação era para contactar a Linha de Saúde 24 (808 24 24 24) só se tivesse algum dos sintomas descritos e, simultaneamente, se estivesse estado em contacto com alguém infetado com o novo coronavírus ou caso tivesse regressado recentemente de uma área afetada.

Neste momento, em plena fase de mitigação (ou seja, de transmissão comunitária ativa), a indicação é para que se contacte a linha do SNS, caso apresente tosse persistente/agudização de tosse crónica ou febre ou dificuldade respiratória.

Mulher com gripe em casa
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2.

Perda de paladar e de olfato

Um estudo realizado na Universidade de Mons, na Bélgica (4), concluiu que a perda de paladar e de olfato pode ser outro sintoma possível da COVID-19.

De acordo com essa investigação, numa amostra de 417 pacientes infetados com o novo coronavírus, 86% apresentaram problemas de olfato e 88% tiveram problemas de paladar, enquanto estiveram doentes e sob o efeito do vírus. A pesquisa revelou ainda uma maior prevalência destes sintomas nas mulheres.

A par deste estudo, muitos outros países têm reportado casos de doentes com COVID-19 que evidenciam uma perda total do paladar e do olfato. Embora parte da comunidade médica mundial já tenha dado indicação de que estes deviam ser contemplados e tidos em conta como sintoma da COVID-19, a Organização Mundial da Saúde ainda se encontra a reunir dados suficientes para confirmar se, realmente, este é um efeito causado pelo novo coronavírus.

3.

Sintomas menos comuns

Num artigo publicado pelo New England Journal of Medicine no passado mês, médicos franceses descreveram a associação da doença com encefalopatia, agitação, confusão e sinais do trato corticoespinal com impacto na resposta motora (5).

Apesar da relação de causalidade não ter sido estabelecida, doentes com formas mais graves de infeção por COVID-19 têm apresentado ou evoluído com doença cardíaca, lesão hepática aguda, problemas gastrointestinais, manifestações cutâneas, lesões neurológicas entre outros.

Nas Unidades de Cuidados Intensivos, doentes infetados por COVID-19 têm sido admitidos com lesão renal aguda, apresentando distúrbios endócrinos (como problemas de controle da glicemia), problemas de coagulação e formação de trombos, que uma vez em circulação poderão provocar enfartes cardíacos ou cerebrais (6). No entanto, não está claro se esses quadros são causados pelo vírus ou ocorrem simplesmente pela gravidade da condição dos doentes.

O aumento da noção de que as manifestações da COVID-19 são variáveis parece ser evidente dentro da comunidade médica que procura explicação para sintomas à partida inesperados.

Esta doença pode ser muito mais do que uma doença respiratória e os médicos reconhecem que o vírus tem a capacidade de atacar quase todos os órgãos do corpo, em doentes com ou sem existência de sintomas respiratórios.

O caso dos doentes assintomáticos

Familiar em casa com Covid-19: desinfetar as mãos

Convém, ainda, recordar que há doentes com COVID-19, que não têm quaisquer sintomas da infeção. Porém, estes pacientes são capazes de transmitir o vírus da mesma maneira que os doentes com sintomatologia associada. Daí que, mesmo estes indivíduos, devam respeitar as medida de prevenção do contágio, cumprindo nomeadamente o isolamento profilático e a etiqueta respiratória.

Como muitas destas pessoas podem nem sequer saber que estão infetadas, pois não há quaisquer sinais que o evidenciem, o ideal é que todos nos comportemos como potenciais infetados, de maneira a ter um comportamento e uma postura mais cautelosa e preventiva, de maneira a evitar ao máximo a propagação do novo coronavírus.

Medidas de prevenção do contágio pela COVID-19

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Sem vacina, nem fármacos específicos para combater esta doença, evitar a transmissão do vírus é a nossa principal forma de defesa. Por isso, a Organização Mundial de Saúde deixa algumas recomendações que passam, entre outras coisas, pelo distanciamento e isolamento social e pela frequente e correta lavagem das mãos (3). Ora, confira:

  • Higienizar correta e frequentemente as mãos com uma solução à base de álcool ou com água e sabão
  • Respeitar o distanciamento social de 1 a 2 metros
  • Evitar tocar nos olhos, nariz e boca, de modo a prevenir a contaminação
  • Cumprir a etiqueta respiratória, tossindo e espirrando para a dobra interna do cotovelo ou para um lenço, o qual deve ser imediatamente descartado
  • Contactar a linha de saúde 24 (808 24 24 24), se suspeitar que pode estar infetado. Nesse caso, deve ainda isolar-se ou usar máscara, se coabitar com outras pessoas
  • Respeitar as regras de isolamento social e evitar ao máximo sair de casa, especialmente se pertencer aos grupos de risco (pessoas com mais de 65 anos ou indivíduos diabéticos ou com problemas cardíacos ou pulmonares)
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Conclusão

Sendo um vírus e uma doença novos, ainda há muitas coisas que a ciência desconhece em relação ao novo coronavírus. Certamente que os sintomas da COVID-19 são um item sobre o qual ainda há mais para saber, embora já se tenha conseguido definir quais os seus sintomas mais prevalentes.

Neste momento, é importante reforçar a ideia de que, atualmente, para ser considerado um caso suspeito de infeção pelo novo coronavírus, já não precisa de ter contactado diretamente com ninguém doente com a COVID-19 ou ter viajado para uma região afetada. Isto, porque o nosso país já entrou na fase de mitigação, o que significa que já temos uma transmissão comunitária do vírus.

Assim, é fundamental estar atento aos sinais do seu corpo e, na presença de sintomas descritos ao longo do artigo deve isolar-se e entrar em contacto com a Linha SNS 24 (808 24 24 24).

Fontes

  1. Serviço Nacional de Saúde. Covid-19. Disponível em: https://www.sns24.gov.pt/tema/doencas-infecciosas/covid-19/#sec-4
  2. Direção-Geral da Saúde. Ponto de Situação Atual em Portugal. Disponível em: https://covid19.min-saude.pt/ponto-de-situacao-atual-em-portugal/
  3. World Health Organization. Q&A on coronaviruses (COVID-19). Disponível em: https://www.who.int/news-room/q-a-detail/q-a-coronaviruses
  4. Olfactory and Gustatory Dysfunctions as a Clinical Presentation of Mild to Moderate forms of the Coronavirus Disease (COVID-19): A Multicenter European Study. Disponível em: https://www.entnet.org/sites/default/files/uploads/lechien_et_al._-_covid19_-_eur_arch_otorhinolaryngol_.pdf
  5. Apresentações incomuns da Covid-19: ‘Nossa ignorância é profunda’ – Medscape – 14 de mai de 2020.
  6. Helms, Julie et all: Neurologic Features in Severe SARS-CoV-2 Infection, N Engl J Med. 2020 Apr 15. doi:10.1056/NEJMc2008597
  7. Evaluation of coronavirus in tears and conjunctival secretions of patients with SARS‐CoV‐2 infection. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1002/jmv.25725
  8. Characteristics of Ocular Findings of Patients With Coronavirus Disease 2019 (COVID-19) in Hubei Province, China. Disponível em: https://jamanetwork.com/journals/jamaophthalmology/fullarticle/2764083
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A não esquecer

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