Enfermeira Bárbara Andrade
Enfermeira Bárbara Andrade
07 Ago, 2020 - 12:11

Primeiro mês de gravidez: alterações físicas e hormonais, exames, alimentação e treino

Enfermeira Bárbara Andrade

Quando se dá conta de que já se encontra no primeiro mês de gravidez apercebe-se que a realidade está a começar, o “mundo” da maternidade ganha significado.

Mulher no primeiro mês de gravidez

O primeiro mês de gravidez, por norma, não é notado pela maioria das mulheres. No entanto, a idade gestacional começa a contar-se a partir do primeiro dia da última menstruação. Num ciclo menstrual de 28 dias, a conceção pode acontecer por volta do dia 14.

Desde a data da conceção do bebé já se passaram quatro semanas e o peso do embrião multiplicou-se cerca de 10.000 vezes.

TESTE DE GRAVIDEZ POSITIVO: E AGORA?

Casal feliz com teste de gravidez positivo

Geralmente, a mulher procura um meio de confirmação da gravidez quando a menstruação está atrasada (1 dia pode ser o suficiente no caso das mulheres que são regulares) ou, frequentemente, quando têm um pressentimento de que estão grávidas.

No entanto, mesmo antes de suspeitar que está grávida, já ocorre um processo fantástico no corpo da mulher.

Desde a fase lútea (última fase do ciclo menstrual), a passar pela fecundação, até à nidação (implantação do óvulo fecundado no útero), as primeiras semanas estão repletas de acontecimentos que, no final do primeiro mês, começam a apresentar sintomatologia e podem ser confirmados com um teste de gravidez.

Nessas situações, o teste de gravidez através da urina é o mais utilizado, no entanto poderá recorrer a uma análise sanguínea, um exame mais fiável e eficaz para detetar a gravidez ainda numa fase muito inicial.

Como funcionam os testes de gravidez?

Como funcionam? São credíveis? Estas são algumas das perguntas que assolam o pensamento das mulheres neste período, pelo que vamos tentar explicar e desmistificar este assunto.

Quando o óvulo da mulher é fertilizado pelo espermatozoide do homem, o corpo da mulher começa a produzir a hormona gonadotrofina coriónica humana (Beta-hCG), cuja função é impedir que o corpo lúteo seja destruído, uma vez que ajuda a inibir a menstruação e a ovulação, mantendo a gravidez.

Esta é uma hormona exclusiva da gravidez, responsável por se conseguir detetar a mesma e saber aproximadamente o tempo de gestação, através dos testes da gravidez.

Os testes de farmácia têm um composto que reage com a hormona HCG, permitindo a visualização do resultado positivo. Em caso de não haver hormona ou não ser detetada, o resultado é negativo. Os testes laboratoriais têm a mesma função e são muito parecidos no método de execução. No entanto, apresentam uma maior sensibilidade e menor margem de erro.

Apesar de a maioria dos testes de gravidez terem uma sensibilidade elevada, permitindo detetar valores baixos de beta-hCG na urina (mesmo antes de lhe faltar o período), existe sempre a possibilidade de obter um falso negativo.

Em caso de negativo e de apresentar sintomas sugestivos, realize mais do que um teste, de preferência com espaçamento de alguns dias entre testes.

Pode realizar o teste de gravidez assim que suspeitar que possa estar grávida, quer devido a um atraso menstrual ou a outros sintomas físicos, como enjoos.

O teste deve ser feito com a primeira urina da manhã, antes de ter ingerido água ou outros líquidos, para evitar diminuir a sua concentração. Quanto mais concentrada estiver a urina, mais fácil será detetar a hormona Beta-hCG e mais fiáveis serão os resultados.

Se o resultado deu positivo, deve marcar uma consulta com o seu médico o mais breve possível para agendarem as próximas consultas e exames e, caso tenha sido uma gravidez não planeada, fazer análises sanguíneas que, geralmente, são feitas no período pré-natal (período anterior à gravidez), o mais rapidamente possível.

EXAMES A FAZER NO PRIMEIRO MÊS DE GRAVIDEZ

Mulher a fazer ecografia

O primeiro exame a fazer se suspeita ou sabe que está grávida, caso ainda não o tenha feito, é o teste de gravidez que, tal como mencionado anteriormente, pode ser realizado através de análise à urina ou análise sanguínea.

Quando consultar o seu médico de família ou ginecologista/obstetra, o médico pedirá uma análise ao sangue e, se não souber aproximadamente o dia em que engravidou, o médico agendará uma ecografia com carater de urgência para conseguir fazer a datação da gravidez.

Se souber a data aproximada da conceção, então o médico não marcará a ecografia de datação, pois irá conseguir fazer o cálculo e prever a data do parto (DPP). Ainda assim, programará o primeiro exame ecográfico, bem como o rastreio bioquímico.

Este rastreio consiste numa análise ao sangue materno e permite detetar complicações cromossómicas do feto na fase inicial da gestação (por exemplo, Síndrome de Down, Trissomia 18 e Trissomia 13), sendo realizados ambos os exames perto das 12 semanas de gestação.

ALTERAÇÕES HORMONAIS E FÍSICAS NO PRIMEIRO MÊS DE GRAVIDEZ

1.

Mudanças hormonais

As primeiras duas semanas são idênticas a um ciclo menstrual normal e somente as últimas duas começam a tomar um rumo diferente. Ou seja, só na 2º semana após a relação sexual é que os núcleos se fundem, nascendo a combinação do ADN dos pais.

Nesta semana inicia-se a produção a hormona Beta-hHCG, essencial para a manutenção e desenvolvimento da gravidez. Nas primeiras semanas de gestação, os níveis desta hormona duplicam a cada dois ou três dias.

Se nos primeiros 30 dias de gravidez o ritmo de elevação desta hormona estiver nitidamente pouco elevado, é possível que haja algo de errado, tal como inviabilidade fetal ou uma gravidez ectópica (gravidez que ocorre fora do útero, não sendo viável).

Na 3º semana forma-se o zigoto, que se aloja no útero através da sua fixação no endométrio e, aí, ocorre a nidação. É frequente ocorrer algum sangramento nesta fase, uma espécie de corrimento rosado, mas a mulher pode manter-se assintomática.

Verifica-se um conjunto de mudanças na mulher, sendo que neste mês, ocorre principalmente:

  • Produção da hormona Beta-hCG
  • Produção de progesterona que ajuda a manter o revestimento do útero, inibindo as contrações que podem ser prejudiciais para o feto
  • Produção de estriol que contribui para a formação da membrana uterina e para o aumento do fluxo sanguíneo
  • Produção de prolactina, que é diretamente responsável pela produção de leite
  • O aumento da espessura da parede uterina, aumento da vascularização e o colo do útero fica mais mole
  • A formação da placenta e do cordão umbilical
Mulher com as mãos na barriga
2.

Mudanças físicas

Fisicamente ainda não se vê nada ou praticamente nada, mas não tardará muito até que esta situação mude.

As possíveis alterações físicas visíveis nesta altura são as seguintes:

  • O atraso menstrual (geralmente é o primeiro sintoma da gravidez) pode passar despercebido
  • Por vezes ocorre um sangramento devido à nidação, no entanto este sangramento do útero pode ser interpretado como menstruação
  • Poderá sentir o peito a crescer, sensação de tensão mamária, escurecimento dos mamilos;
    • Dica: para evitar que os tecidos do peito percam firmeza após o aleitamento, convém aplicar cremes hidratantes gordos e utilizar soutiens de algodão, sem aros e com alças largas de algodão. É possível que aumente até três tamanhos nos próximos meses
  • Maior sensibilidade olfativa
  • Congestão nasal
    • Dica: aplique soro fisiológico nas narinas ou utilize um humidificador para que o ar ambiente não esteja tão seco
  • Picadas no útero
  • Inchaço abdominal
  • Fadiga e cansaço acrescidos e sem motivos aparentes; necessidade de dormir em qualquer lugar, a qualquer hora do dia
    • Dica: aumente os períodos de descanso
  • Enjoo matinal e/ou vómitos (especialmente matinais);
    • Dica: Evite não comer nada ao pequeno-almoço, pois isso irá contribuir para os enjoos durante o resto do dia
  • Obstipação
  • Vontade de ir urinar com maior frequência
  • Sabor metálico na boca
  • Alterações súbitas do estado de humor (resultado das profundas alterações hormonais)
  • Tonturas e vertigens:
    • Dica: Quando se sentir tonta, sente-se com a cabeça entre os joelhos ou deite-se de costas e coloque as pernas para cima
    • A grávida deve fugir das ondas de calor e de ambientes com muitas pessoas
    • Quando descansar ou dormir, opte pela posição decúbito lateral esquerdo, ou seja, deite-se para o seu lado esquerdo, pois ajuda a facilitar o fluxo de sangue até os órgãos
    • Quando se levantar, evite movimentos bruscos
    • Evite estar muito tempo em jejum

EVOLUÇÃO DO BEBÉ NO PRIMEIRO MÊS DE GRAVIDEZ

Mulher grávida a ver o seu bebé na ecografia das 12 semanas

Nesta primeira fase do mês, o feto tem a forma de uma espécie de disco oval composto por três camadas de células, a partir das quais se vão originar as várias estruturas do corpo do bebé.

  1. Durante o desenvolvimento do feto, a camada interna, a endoderme, dará lugar aos órgãos do aparelho digestivo, tais como, os rins, o pâncreas e os órgãos do sistema respiratório.
  2. A camada externa, a ectoderme, formará o sistema nervoso e outros órgãos, como a pele, as unhas e os pelos.
  3. A terceira camada formará a maior parte da estrutura óssea, o coração, o trato urinário e os órgãos sexuais.

No centro da mesoderme temos o notocórdio, que fará as funções de coluna vertebral provisória, e a partir do qual se formarão o sistema nervoso central, o futuro cérebro e a cabeça. O feto parece-se agora com uma pequena vírgula, com uma cabeça e alguns pequenos relevos que serão os seus futuros quatro membros.

Desde o final da terceira semana, o coração do seu bebé já bate sob a forma de um tubo cardíaco, apesar de ainda ser um batimento muito leve.

Na quarta semana ocorre a organogénese, ou seja, a criação dos órgãos internos e o início do estabelecimento da circulação sanguínea entre o feto e a placenta.

POSSÍVEIS COMPLICAÇÕES DURANTE O PRIMEIRO MÊS DE GRAVIDEZ

Imunidade à toxoplasmose: análises ao sangue

Durante os três primeiros meses de gravidez, o risco de aborto espontâneo, isto é, de a gravidez terminar por si só, é bastante elevado.

Portanto, deverá cuidar bem de si, evitar grandes esforços físicos, descansar e alimentar-se bem. Evite hábitos prejudiciais como o fumo, álcool e uma alimentação pouco variada.

Outras possíveis complicações graves no primeiro trimestre são a ocorrência de doenças, tais como, toxoplasmose, rubéola e citomegalovírus, que também prejudicam a formação da placenta e do bebé.

1.

Toxoplasmose

É uma infeção causada por um parasita, o Toxoplasma gondii. A reprodução deste parasita dá-se nos intestinos dos gatos pelo que os seus ovos se encontram nas fezes destes animais.

A transmissão pode ocorrer aquando da ingestão de alimentos crus ou mal cozinhados que contenham a forma inativa (quisto) do parasita ou após o contacto com terrenos que contenham fezes de gatos com este parasita.

2.

Rubéola

Também conhecida como sarampo alemão, é uma infeção contagiosa causada por um vírus e é caracterizada por erupções vermelhas na pele. É transmitida de pessoa para pessoa por meio do espirro ou tosse, sendo altamente contagiosa.

3.

Citomegalovírus (CMV)

É um vírus da família do Herpes simples, que pode infetar a maior parte das pessoas e não causar sintomas. No entanto, em grávidas e pessoas com o sistema imunitário deprimido, torna-se preocupante.

Seja qual for o caso, a medicina fetal hoje possui recursos para identificar e tratar precocemente muitos desses problemas.

ALIMENTAÇÃO NO PRIMEIRO MÊS DE GRAVIDEZ

grávida a comer salada e a beber um sumo

A gravidez é um período de grande exigência para o organismo da mulher, visto que ocorrem modificações anatómicas e fisiológicas que afetam diretamente metabolismo materno e diversas funções e órgãos, fazendo com que as necessidades nutricionais e energéticas sejam superiores.

Ingestão alimentar mantém-se

No entanto, este aumento não significa que tenha de redobrar a ingestão alimentar, sendo a gestão de peso na gravidez um fator fundamental para um adequado desenvolvimento fetal e para evitar complicações durante o parto, assim como para prevenir o desenvolvimento de problemas de saúde por parte da mãe.

Assim sendo, é necessário monitorizar, com regularidade, o ganho de peso durante a gravidez, de modo a evitar ganhos excessivos ou deficitários de peso por parte da mulher grávida que possam comprometer a saúde da mãe e da criança.

Para isso, é fundamental consultar um nutricionista que irá adequar as necessidades alimentares a cada momento da gravidez, e o médico que irá acompanhar a gravidez.

Importância do ácido fólico

Durante o primeiro mês, é possível que a sua alimentação não mude muito até porque pode ainda nem ter descoberto que está grávida. No caso de já ter descoberto, mais do que alterar ou reforçar a sua alimentação, é importante fazer suplementação em ácido fólico para o correto desenvolvimento do feto e evitar a ocorrência de DFTN (defeito do fechamento do tubo neural), vitamina B12 e ferro.

A aposta deve, também, incidir em alimentos ricos em ácido fólico, nomeadamente, brócolos, ervilhas, espinafres, alface, nozes e amêndoas, de modo a evitar malformações no desenvolvimento do feto.

Cuidado com a toxoplasmose

Aconselha-se a cozinhar todos os alimentos como forma de prevenção contra a toxoplasmose. Evite marisco cru, peixe cru, carne mal passada, ovos crus ou pouco cozidos. Lavar bem as frutas e legumes é fundamental, sendo desaconselhado o consumo de saladas fora de casa.

Eliminar as bebidas alcoólicas

O consumo de bebidas alcoólicas durante a gravidez deve ser eliminado e deverá ser prolongado até ao final do período de amamentação.

O álcool entra rapidamente na corrente sanguínea da mãe e, consequentemente, para a do bebé, podendo afetar o seu desenvolvimento.

Assim, a bebida de eleição deverá ser sempre a água. Se for adepta de chás, assegure-se que partilha as suas escolhas com o seu médico ou nutricionista visto que existem muitos tipos de infusões cuja segurança da ingestão durante a gravidez não está cientificamente comprovada.

GESTÃO DE PESO NO PRIMEIRO MÊS DE GRAVIDEZ E NECESSIDADES NUTRICIONAIS

Mulher a pesar-se após o banho

No caso do primeiro trimestre, o metabolismo basal e o gasto energético total não se alteram significativamente, visto que ainda não há um crescimento acentuado do bebé. Como tal, e o ganho de peso deverá ser mínimo (entre 0,5 e 2kg), não estando recomendado um consumo adicional de energia.

Neste início da gestação, o aumento de peso concentra-se sobretudo na mãe, devido à retenção de líquidos, ao aumento do tecido mamário e uterino e ao aumento da produção de sangue com vista a fornecer nutrientes ao feto.

Relativamente ao valor energético total consumido pela grávida, cerca de 45%–65% desse valor deve provir dos hidratos de carbono, 20%–35% dos lípidos e 10%–25% da proteína.

Se a mulher respeitar os aumentos acima referidos e se alimentar nessa proporção, a gestão de peso na gravidez torna-se mais fácil, o que permitirá um adequado desenvolvimento do bebé e facilitará o retorno ao peso normal após este período.

Caso isso não aconteça e o embrião / feto for exposto a défices ou excessos nutricionais durante este período de grande multiplicação celular, o desenvolvimento, a função e estrutura de diversos tecidos e órgãos pode ficar afetado, de forma irreversível, para toda a vida.

As recomendações do ganho de peso materno na gravidez são estipuladas de acordo com o IMC (Índice de Massa Corporal) pré-gravídico, na medida em que, se o peso da mãe antes da gravidez for já excessivo, a margem de aumento será muito menor, de modo a não prejudicar o desenvolvimento da criança nem a saúde da mãe.

Assim sendo, e para mulheres normoponderais (IMC entre 18,5 e 25 Kg/m2), o ganho médio de peso no primeiro trimestre deverá rondar os 1,6 kg.

O EXERCÍCIO FÍSICO DURANTE A GRAVIDEZ

Mulher grávida a fazer exercício em casa

Cada fase da gravidez obriga a cuidados especiais, havendo, por conseguinte, exercícios que poderão ser realizados no primeiro trimestre e não no segundo ou terceiro. Linhas gerais, à medida que vai avançando do primeiro, para o segundo e finalmente para o terceiro trimestre, os cuidados terão de ser redobrados, e deverá ser dada atenção a outros grupos musculares mais específicos e por vezes negligenciados.

Serão aqui apresentados guidelines gerais, que deverão ser avaliados caso a caso, consoante a experiência de treino da grávida, bem como a existência (ou não) de alguma limitação física prévia.

Relativamente a contraindicações, estas dividem-se em 2 categorias principais: relativas e absolutas.

Contraindicações relativas

  • Gestação múltipla após 28 semanas
  • Anemia (Hemoglobina menor que 100g/l)
  • Doença da Tiroide
  • Fadiga extrema
  • Dores musculares extremas
  • Tonturas e dores de cabeça
  • Contractilidade uterina que dure várias horas após o exercício
  • Obesidade excessiva ou baixo peso extremo
  • História Clínica Anterior de aborto espontâneo

Contraindicações absolutas

  • Incompetência cervico-ístmica
  • Placenta prévia após as 28s de gestação
  • Sangramento vaginal persistente ao longo do segundo/terceiro trimestre
  • Rutura de bolsa / bolsa rota
  • Crescimento intrauterino retardado ou macrossomia
  • Gravidezes múltiplas (maior ou igual a 3)
  • Doença cardíaca (conhecida geralmente antes da gravidez –
    miocardiopatia ativa, insuficiência cardíaca, arritmias)
  • Doença Pulmonar (conhecida antes da gravidez), Embolia pulmonar recente
  • Hipertensão gestacional, pré-eclampsia
  • Tromboflebite
  • Doença infeciosa aguda
  • Realização recente de amniocentese
  • História de abortos de repetição
  • Gestante sem assistência pré-natal

O EXERCÍCIO FÍSICO DURANTE O PRIMEIRO MÊS DE GRAVIDEZ

Sabemos que a gravidez representa um período crítico para a mulher, suscitando diversas dúvidas devido a inúmeros rumores que provêm da chamada “sabedoria popular”.

Existem, de facto, inúmeras alterações psicológicas e fisiológicas na grávida, não sendo estas impeditivas de se fazer exercício. O mais sensato será sempre consultar um profissional de saúde devidamente qualificado, que a aconselhe e acompanhe nos melhores exercícios que deverá fazer.

Exercícios durante a gravidez

Mulher grávida a fazer lunges

Exercícios como agachamento, lunges, remadas, flexões, natação, caminhadas e yoga, poderão ser feitos durante o primeiro mês de gravidez, não tendo obrigatoriamente de se cingir a estes. Deverá também ser feito um fortalecimento dos músculos do core, incluindo estes os abdominais e a zona lombar.

Músculos usualmente descurados e que deverão ser trabalhados o mais cedo possível, são os músculos do soalho pélvico. O pavimento pélvico é um conjunto de músculos e ligamentos que fecham a cavidade abdominal na sua porção inferior. Tem a função de manter os órgãos pélvicos (bexiga e uretra, útero e vagina; e reto) na posição adequada, prevenindo problemas como incontinência urinária, prolapso, disfunções sexuais ou dores lombares.

Relativamente à frequência de treino, poderá treinar 5 a 6 vezes por semana, optando por 3 dias de treino cardiovascular de moderada intensidade e os restantes dias treino de força.

Em seguida poderá ver alguns exercícios a realizar no primeiro mês de gravidez.

1. Agachamento

– Execução –

  1. De pé e com os pés afastados à largura dos ombros, contrair os abdominais no decorrer de todo o exercício e manter os braços ao longo do corpo;
  2. Flita as pernas até os joelhos formarem um ângulo de 90 graus e empurre os glúteos para trás (como se se fosse sentar numa cadeira) e para baixo até à linha dos joelhos;
  3. Volte a esticar as pernas fazendo pressão com os calcanhares e contraindo os glúteos, tendo atenção para não bloquear os joelhos.

2. Lunge dinâmico

– Execução –

  1. Deve iniciar com os pés à largura dos ombros e deslocar a perna para a frente, ficando neste caso o peso do corpo sobre uma coxa;
  2. De seguida deverá ser dada impulsão para trás de forma a regressar à posição inicial, e terá aqui 2 opções: ou realiza sempre com a mesma perna 12 a 15 repetições, ou vai alternando de perna.

3. Peso morto

É um exercício exigente e de difícil execução devido ao facto de a maioria das pessoas ter flexores da coxa e isquiotibiais rígidos (fruto de sedentarismo), juntamente com lombar e glúteos fracos.

– Execução –

  1. Faça 10 repetições para cada lado e assegure que mantém a coluna sempre alinhada e que no final do movimento (quando vai abaixo), sente os posteriores da coxa em tensão.

4. Supino plano

Este exercício é um dos mais conhecidos nas rotinas de ginásio e é responsável pelo desenvolvimento dos peitorais, trabalhando também os tríceps e ombros.

– Execução –

  1. Agarre em 2 halteres e desça de forma controlada até os seus cotovelos formem um angulo de 90º, sentindo o alongamento do peito, e voltando de seguida á posição inicial;
  2. Poderá ser executado em diferentes ângulos, sendo que cada um deles irá dar uma ênfase diferente em cada porção do músculo (parte mais superior, média ou inferior).

Contraindicações

No primeiro mês da gravidez ainda não há grandes limitações. Poderão ser executados praticamente todos os exercícios, devendo apenas evitar-se exercícios bruscos e/ou com grande impacto.

A atenção aos ciclos respiratórios deverá ser redobrada, sendo fundamental que se controle bem os mesmos para assegurar a correta oxigenação.

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