Nutricionista Hugo Canelas
Nutricionista Hugo Canelas
16 Jan, 2020 - 10:28

Tabelas de IMC: qual a aplicação prática?

Nutricionista Hugo Canelas

A tabela de IMC é uma ferramenta muito útil nos diagnósticos associados ao peso. Saiba qual é o seu IMC correto.

Tabelas de IMC: qual a aplicação prática?

Apesar dos esforços que têm sido feitos para travar esta epidemia, a obesidade continua a representar um dos maiores desafios de saúde pública do século XXI.

No sentido de ajudar no controlo desta doença, foi adotado o índice de massa corporal (IMC), uma medida criada por Lambert Quételet no final do século XIX.

Na Europa, mais de metade da população apresenta excesso de peso ou obesidade, sendo que destes 30% são obesos.

Em Portugal, também tem sido reportada a mesma tendência de aumento, embora a maioria das estimativas nacionais se baseie no autorreporte, sendo escassos os inquéritos com medições antropométricas (1).

Mais recentemente, o Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física (IAN-AF 2015-2016) reportou uma prevalência de excesso de peso de 31,0% nas mulheres e 41,8% dos homens e uma prevalência de obesidade de 23,7% nas mulheres e 19,7% nos homens, tendo analisado uma amostra representativa da população com idade entre os 18 e os 64 anos (1).

O que é o IMC?

O índice de massa corporal é um índice estatístico utilizado para classificar a população dividindo o peso atual pelo quadrado da altura em centímetros, de acordo com a fórmula abaixo:

  • IMC = Peso (kg)/Altura2 (cm)

É utilizado globalmente pelo The National Institute of Health (NIH) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), estando validado em indivíduos adultos caucasianos, hispânicos e negros para os classificar de acordo com a categoria (baixo peso, normoponderal, excesso de peso/obesidade).

Tabela de IMC: adultos, idosos, crianças e grávidas

Tabelas de IMC: qual a aplicação prática?

1. Tabela de IMC para adultos

Assim, os adultos com idade superior a 20 anos e inferior a 65 anos, devem comparar o valor obtido com a seguinte tabela de índice de massa corporal:

CLASSIFICAÇÃO

IMC (Kg/m2)
Magreza extrema< 16.5
Baixo peso< 18.5
Normoponderal18.5 – 24.9
Excesso de peso25 – 29.9
Obesidade, grau I30 – 34.9
Obesidade, grau II 35 – 39.9
Obesidade mórbida≥ 40
Excesso de peso*23-24.9
Obesidade*≥ 25

Fonte: Organização Mundial de Saúde

*Populações Asíáticas e Sul-Asiáticas (2)

2. Tabela de IMC para idosos

Os valores para pessoas com idade superior a 65 anos é avaliado de acordo com a seguinte tabela.

CLASSIFICAÇÃO

IMC (Kg/m2)
Magreza< 22
Normoponderal22 – 27
 Excesso de peso> 27

Fonte: Souza, R, et.al. (2013) (3)

3. Tabela de IMC para crianças e jovens

Quanto às crianças e jovens entre os 2 e os 20 anos, os valores medem-se em percentis. De acordo com esta classificação, pode avaliar o seu estado nutricional.

Assim, embora seja inequívoca a utilização do índice de massa corporal em kg/m2, como parâmetro antropométrico recomendado pela OMS para a avaliação do estado nutricional, têm sido usados diferentes critérios para a determinação da obesidade (1).

Em Portugal, a Direção Geral de Saúde (DGS) recomendava a utilização das curvas de percentis do Centers for Disease Control and Prevention (CDC) de 2000 (4).

Percentis de IMC

 
CDCOMSIOTF
Baixo pesoIMC < P5IMC < P3 IMC < 17 kg/m2**
        Normoponderal     P5 ≤ IMC < P85    P3 ≤ IMC < P85     17 kg/m2 ≤ IMC < 25 kg/m2**
        Excesso de peso    P85 ≤ IMC< P95    85 ≤ IMC < P97     25 kg/m2 ≤ IMC < 30 kg/m2**
ObesidadeIMC ≥ P95IMC ≥ P97IMC ≥ 30 kg/m2**

CDC: National Center for Chronic Disease Prevention and Health Promotion; IMC: Índice de Massa Corporal; IOTF: International Obesity Task Force; P: percentil.

**Ponto de corte equivalente ao IMC do adulto.

4. Tabela de IMC para grávidas

A tabela de índice de massa corporal das grávidas é igual à de um indivíduo adulto. No entanto, a interpretação dos resultados é um pouco diferente.

O índice de massa corporal da grávida apenas tem interesse numa fase inicial. Assim, se a mulher for acompanhada antes da concepção, será registado o valor anterior à gravidez e o inicial para posterior controlo do aumento de peso.

IMC (Kg/m2; na concepção)

Aumento de peso ideal (Gravidez)Aumento de peso ideal (Semanal – 2º e 3º Trimestre)
Baixo peso (18,5)12,5 – 18 kg0,5 kg
Normoponderal (18,5 – 24,9)11,5 – 16 kg0,4 kg
Excesso de Peso (25 – 29,9)7 – 11,5 kg0,3 kg
Obesidade (>30)5 – 9 kg0,2 kg

Fonte: Institute of Medicine (IOM-2009)

Significado clínico e limitações do IMC

O índice de massa corporal é uma ferramenta interessante na prática clínica – relativamente à população geral – à qual se deve associar outras formas de avaliação da composição corporal.

No entanto, como tudo, a utilização deste rácio como forma de avaliação tem as suas limitações.

O facto de não distinguir a massa gorda da massa isenta de gordura (massa magra), faz com que esta ferramenta seja insuficiente para classificar os indivíduos como obesos ou desnutridos.

No caso dos atletas de elite e fisioculturistas, por exemplo, um IMC elevado não se associa diretamente com o seu estado de saúde devido à quantidade de massa magra geralmente mais elevada que a da população geral.

Outras ferramentas como o perímetro de cintura, a impedância bioelétrica (que permite estimar a percentagem de massa gorda total), exame físico, avaliação da tensão arterial e análise de dados bioquímicos são não opcionais mas complementares ao índice de massa corporal aquando do diagnóstico de excesso de peso/obesidade (2).

Veja também

Fontes

1. Gaio, V. et al. (2018). Prevalência de excesso de peso e de obesidade em Portugal: resultados do primeiro inquérito nacional de saúde com exercício físico (INSEF 2015). Disponível em:
http://repositorio.insa.pt/bitstream/10400.18/5588/5/Boletim_Epidemiologico_Observacoes_N22_2018_artigo7.pdf 
2. Weir CB. et al. (2019). BMI classification Percentile and cut off points. Disponível em: 
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK541070/ 
3. Souza, R. et al. (2013). Avaliação antropométrica em idosos: estimativas de peso e altura e concordância entre classificações de IMC. Disponível em:
http://scielo.br/pdf/rbgg/v16n1/a09v16n1.pdf 
4. Viveiro, C. et.al. (2016). Sobrepeso e obesidade pediátrica: a realidade pediátrica. Disponível em:
https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0870902515000449