Beatriz Santos
Beatriz Santos
07 Ago, 2020 - 15:12

Segundo mês de gravidez: o mês em que muitas mulheres descobrem que estão grávidas

Beatriz Santos

Habitualmente, é já no segundo mês de gravidez que a maioria dos casais descobre que vão ser pais. Mas quais os cuidados a ter nesta fase importante?

Mulher no segundo mês de gravidez

Por norma, é no segundo mês de gravidez que a grande parte das mulheres descobre que está grávida. O atraso menstrual é notado e alguns sintomas que antes poderiam ser confundidos com sintomas de tensão pré-menstrual (TPM), já começam a ser mais evidentes e a apontar para uma gravidez.

Com a descoberta da gravidez, deixa de se falar em “meses” e passa a falar-se em semanas, a linguagem corrente da gravidez. O segundo mês vai da 5ª até à 8ª semana e, neste período, o seu bebé passa por um conjunto de acontecimentos, como por exemplo, o zigoto passa a ser chamado de embrião.

Exames a fazer no segundo mês de gravidez

Casal numa consulta com médica obstetra

Após a confirmação deste “estado de graça”, a primeira consulta pré-natal deve ser realizada, idealmente, até às 12 semanas de gravidez.

Nesta consulta, é realizado o levantamento dos dados clínicos dos pais e da história clínica de ambas as famílias. Posteriormente, é feita a devida examinação e, com a ajuda de um calendário, será determinado o tempo da gravidez onde se prevê a data provável do parto (DPP), mais tarde confirmada ou ajustada na primeira ecografia da gravidez.

No início deste segundo mês de gravidez ainda não está indicada a realização de uma ecografia, pois é grande a probabilidade de não se conseguir visualizar bem o embrião. No entanto, no caso de não ter uma noção aproximada da data da conceção do bebé, o seu médico poderá querer realizar uma ecografia de datação transvaginal o mais cedo possível, para estimar a data do parto. É aconselhado que esta ecografia seja realizada o mais cedo, pelas 8 semanas de gestação.

No caso de ter curiosidade em saber o sexo do seu bebé, alguns laboratórios oferecem um exame de sangue que determina o sexo fetal, a partir da oitava semana de gestação.

Alterações hormonais e físicas no segundo mês de gravidez

1.

Mudanças hormonais

As mudanças hormonais do segundo mês são muito semelhantes às mudanças do primeiro mês de gravidez e contribuem para as alterações físicas que ocorrem na mulher:

  • Produção da hormona Beta-hCG
  • Produção de progesterona que ajuda a manter o revestimento do útero, inibindo as contrações que podem ser prejudiciais para o feto
  • Produção de estriol que contribui para a formação da membrana uterina e para o aumento do fluxo sanguíneo
  • Produção de prolactina, que é diretamente responsável pela produção de leite
Mulher grávida deitada na cama
2.

Mudanças físicas

Algumas mulheres podem manter-se assintomáticas, no entanto a grande maioria começa a sentir-se diferente do seu habitual, podendo apresentar a seguinte sintomatologia:

  • O crescimento uterino pode provocar algum desconforto ou mesmo dor na parte inferior do abdómen
  • Alterações gastrointestinais, tais como, enjoos e/ou náuseas:
    • Dica: Evite comer demasiado, ou ficar muito tempo sem se alimentar, ingira pequenas porções, aproximadamente de três em três horas
    • A ingestão de água gelada ou sumo de limão podem ajudar
    • Fracionar as refeições, mastigando devagar, ajuda na prevenção das náuseas e no controle do peso da gestante
  • Fadiga, sonolência
  • Aumento significativo das mamas, devido à expansão dos ductos mamários, por onde circulará o leite materno
  • Os mamilos tendem a escurecer
  • Urinar frequentemente
  • Obstipação:
    • Dica: Ingerir alimentos ricos em fibras, como maçã e cereais, bem como ingerir muitos líquidos poderá ajudar a regularizar o trânsito intestinal
  • Salivação excessiva
  • Maior emotividade, o humor pode virar uma verdadeira montanha russa
  • Unhas ficam mais resistentes
  • Olfato, mais apurado
  • As gengivas tornam-se mais sensíveis
  • Surgimento de manchas nas unhas e espinhas na pele, em virtude das alterações hormonais
  • Varizes e hemorroidas (pode não acontecer com todas as mulheres)
  • Para proteger o bebé das bactérias, as glândulas da cérvix segregam uma substância designada rolhão mucoso, cuja função é bloquear o colo do útero e proteger o bebé. A sua expulsão, no fim da gestação, é um dos sinais de que o nascimento está para breve

Evolução do bebé no segundo mês de gravidez

Casal a acompanhar desenvolvimento bebé por uma ecografia

O pequeno corpo do seu bebé está a mudar rapidamente:

  • Os seus membros, pés, mãos e dedos desenvolvem-se, e o coração, já com as quatro cavidades, inicia a execução de sístoles e diástoles sucessivas, dando início à circulação sanguínea. A frequência cardíaca do bebé pode chegar a 160 batimentos por minuto;
  • A cabeça tem o dobro do volume do corpo. O rosto está a começar a ser moldado e mais definido: aparecem os olhos, as orelhas, o nariz e a boca, seguidos da língua e até um esboço dos seus dentes;
  • A coluna vertebral está a formar-se, os seus braços e pernas estão mais compridos, os seus cotovelos aparecem, os seus dedos das mãos e pés começam a diferenciar-se, e já é capaz de opor o polegar e o indicador;
  • Os músculos começam a aparecer e a movere-se de forma involuntária, o bebé começa a fazer movimentos espontâneos apesar de a mãe ainda não os conseguir sentir;
  • Os órgãos assumem progressivamente a sua forma definitiva, posicionam-se no seu lugar e começam a funcionar:
    • O coração bate;
    • O estômago produz sucos gástricos;
    • O fígado produz células sanguíneas para o resto da vida fetal (o sangue será fabricado pela medula óssea após o nascimento);
    • Os rins produzem ácido úrico.
  • As veias são bem visíveis, já que a sua pele é bastante fina e ligeiramente transparente;
  • As papilas gustativas estão em desenvolvimento e ganha sensibilidade nos lábios. Ao engolir líquido amniótico, já é capaz de sentir os diferentes sabores provenientes da dieta materna;
  • O cordão umbilical funciona agora como principal suporte de vida do bebé permitindo a passagem de nutrientes e de oxigénio da mãe para o bebé;
  • O cérebro e o sistema nervoso estão a ser formados rapidamente, por isso a mãe deve tomar acido fólico desde o início;
  • Os genitais começam a ser formados.

Curiosidade: Oito semanas após a conceção da gravidez, o bebé mede cerca de 3 centímetros, pesa 3 gramas, e é do tamanho de um feijão.

Possíveis complicações no segundo mês de gravidez

Neste mês gestacional, as possíveis complicações são bastante semelhantes às do primeiro mês de gravidez, ou seja, existe um elevado risco de um aborto espontâneo (perda de um feto devido a causas naturais), bem como a ocorrência de doenças, tais como, toxoplasmose, rubéola e citomegalovirus (CMV).

No entanto, para além destas situações, é necessário ter em conta que poderão ocorrer as seguintes:

1.

Gravidez ectópica

Ocorre quando um óvulo fertilizado se implanta num local anormal, ou seja, sem ser no útero. Esta desenvolve-se, geralmente, numa das trompas de Falópio.

Esta gravidez poderá continuar durante algumas semanas, no entanto, como os tecidos fora do útero não podem proporcionar o fornecimento de sangue e o suporte necessário, em última análise, o feto não sobrevive.

Quando uma gravidez ectópica rompe, a mulher poderá apresentar dor abdominal e sangramento vaginal, que pode ser grave e até mesmo fatal. Normalmente, a cirurgia é feita para remover o feto e a placenta, mas, por vezes, é utilizada uma dose única de metotrexato para interromper a gravidez.

2.

Hiperémese gravídica

Difere dos enjoos matinais comuns. É uma náusea extremamente forte, acompanhada de vómitos excessivos até às 16-18 semanas de gestação, levando geralmente a uma perda de peso acentuada e a um estado de desidratação.

A forma de tratamento é receber líquidos açucarados, que contêm eletrólitos e vitaminas, pela via endovenosa (diretamente na corrente sanguínea). Poderá também receber medicamentos para aliviar as náuseas (antieméticos). Se os sintomas forem recorrentes, o tratamento será repetido.

3.

Incompatibilidade Rh

Ocorre quando a mulher grávida tem sangue Rh negativo e o feto tem sangue Rh positivo, porque o pai apresenta sangue Rh positivo.

O sistema imunológico da mulher pode reconhecer os glóbulos vermelhos do feto como estranhos e produzir anticorpos, chamados anticorpos anti-Rh, para destruir as células sanguíneas Rh positivas. A produção desses anticorpos é denominada de sensibilização Rh.

Esta situação pode levar à doença hemolítica do feto ou do recém-nascido, ocorrendo a destruição dos glóbulos vermelhos do feto, e produção de bilibirrubina, podendo causar anemia.

Para evitar problemas no feto, os profissionais de saúde administram injeções para as mulheres com sangue Rh negativo no final da gravidez, após o parto, e depois de alguns procedimentos.

Alimentação no segundo mês de gravidez

Mulher grávida a comer fruta

Apesar de a gravidez ser um período de grande exigência para o organismo da mulher, com aumento das necessidades nutricionais e energéticas da mulher, não significa que tenha de redobrar a ingestão alimentar.

A gestão de peso na gravidez é um fator fundamental para um adequado desenvolvimento fetal e para evitar complicações durante o parto, assim como para prevenir o desenvolvimento de problemas de saúde por parte da mãe.

A monitorização do peso é fundamental de modo a evitar ganhos excessivos ou deficitários de peso por parte da mulher grávida que possam comprometer a saúde da mãe e da criança.

Assim, torna-se essencial consultar um nutricionista, que irá adequar as necessidades alimentares a cada momento da gravidez, e o médico que irá acompanhar a gravidez.

O segundo mês é marcado, na maioria dos casos, por enjoos recorrentes e por dificuldades em encontrar alimentos que tolere. Por outro lado, são meses também marcados por uma maior retenção de líquidos e prisão de ventre.

Como tal, é importante beber muita água, apostar na fruta, cereais integrais, leguminosas e hortícolas de modo a ingerir uma quantidade de fibra significativa e fracionar as refeições para não piorar o desconforto abdominal.

Deve continuar a apostar em alimentos ricos em ácido fólico e em vitamina B6, importante para atenuar os enjoos. Bananas, arroz integral, carnes magras, peixe, abacate e castanhas são ótimas fontes que pode incluir no seu dia alimentar

Dicas essenciais para a alimentação durante a gravidez

jarro de água com copo de água
  1. Garantir a ingestão diária de cereais complexos, vegetais, fruta e consumir diferentes fontes de proteína, nomeadamente carne, peixe, ovos, soja e outras leguminosas.
  2. Optar por laticínios ultrapasteurizados para evitar toxinfeções alimentares.
  3. A alimentação deve ser distribuída por várias refeições ao longo do dia e deve evitar estar mais de 3 horas sem comer.
  4. Evitar o consumo de alimentos com grande quantidade de gordura e fazer confeções simples como cozidos, grelhados, assados e estufados.
  5. Manter-se hidratada: beba entre 2-3 litros de água por dia.
  6. Optar por alimentos da época, com o menor grau de processamento possível.
  7. Evitar ao máximo o consumo de lacticínios não pasteurizados, enchidos e e fumados, queijos frescos e mal curados, marisco e peixe cru, peixes como espadarte, tamboril ou tintureira, e patês.
  8. Garantir sempre que os legumes e frutas são muito bem lavados.
  9. Evitar o consumo de salgados e adição de sal às refeições.

O EXERCÍCIO FÍSICO DURANTE A GRAVIDEZ

Mulher grávida a fazer exercício físico

Cada fase da gravidez obriga a cuidados especiais, havendo, por conseguinte, exercícios que poderão ser realizados no primeiro trimestre e não no segundo ou terceiro.

Linhas gerais, à medida que vai avançando do primeiro, para o segundo e finalmente para o terceiro trimestre, os cuidados terão de ser redobrados, e deverá ser dada atenção a outros grupos musculares mais específicos e por vezes negligenciados.

Serão aqui apresentados guidelines gerais, que deverão ser avaliados caso a caso, consoante a experiência de treino da grávida, bem como a existência (ou não) de alguma limitação física prévia.

Relativamente a contraindicações, estas dividem-se em 2 categorias principais: relativas e absolutas.

Contraindicações relativas

  • Gestação múltipla após 28 semanas
  • Anemia (Hemoglobina menor que 100g/l)
  • Doença da Tiroide
  • Fadiga extrema
  • Dores musculares extremas
  • Tonturas e dores de cabeça
  • Contractilidade uterina que dure várias horas após o exercício
  • Obesidade excessiva ou baixo peso extremo
  • História Clínica Anterior de aborto espontâneo

Contraindicações absolutas

  • Incompetência cervico-ístmica
  • Placenta prévia após as 28s de gestação
  • Sangramento vaginal persistente ao longo do segundo/terceiro trimestre
  • Rutura de bolsa / bolsa rota
  • Crescimento intrauterino retardado ou macrossomia
  • Gravidezes múltiplas (maior ou igual a 3)
  • Doença cardíaca (conhecida geralmente antes da gravidez:
    miocardiopatia ativa, insuficiência cardíaca, arritmias)
  • Doença Pulmonar (conhecida antes da gravidez), Embolia pulmonar recente
  • Hipertensão gestacional, pré-eclampsia
  • Tromboflebite
  • Doença infeciosa aguda
  • Realização recente de amniocentese
  • História de abortos de repetição
  • Gestante sem assistência pré-natal.

Exercício físico durante o segundo mês de gravidez

Mulher grávida a fazer ponte de glúteos

Os treinos no segundo mês de gravidez deverão ter por base exercícios de força e resistência, sendo também importante o trabalho de flexibilidade. Os exercícios de força deverão incidir maioritariamente nos músculos responsáveis pela locomoção e equilíbrio, devendo ser priorizados os grupos musculares grandes, como por exemplo coxas e costas.

Os alongamentos deverão ser executados com alguma cautela, devido ao facto de, com o início da gravidez, a grávida começar a produzir uma hormona chamada “relaxina”, a qual é produzida pelo corpo lúteo do ovário e pela placenta. A sua principal função é de ajudar a relaxar os ligamentos e a alargar o colo do útero, preparando todas as estruturas para melhor acomodar o feto e, por conseguinte, facilitar o trabalho de parto.

1. Thruster com halter

– Execução –

  1. Agarre num par de halteres e posicione-se com os pés à largura das ancas.
  2. Dobre os cotovelos e mantenha-os ao nível dos ombros. Faça agachamento (mantendo os cotovelos na mesma posição), tendo atenção para que os joelhos não ultrapassem a linha dos pés e até que a coxa fique paralela ao solo.
  3. Volte à posição inicial e proceda à extensão dos cotovelos, voltando a baixa-los até ao nível dos ombros.
  4. Execute este movimento 10 a 15 vezes a um ritmo moderado.

2. Ponte de glúteos

– Execução –

  1. Deitada virada para cima, mãos estendidas sobre o solo, braços ao longo do corpo, calcanhares apoiados no chão, pernas afastadas alinhadas com os ombros, joelhos fletidos.
  2. Inspirar e ao mesmo tempo elevar a zona pélvica, de forma a que esta fique na linha dos joelhos quando sobe, contraindo o glúteo e mantendo a curvatura lombar.
  3. Expirar e descer em direção ao solo.

3. Peso morto

– Execução –

  1. Agarre em 2 halteres com as mãos à largura dos ombros e pega em pronação (palma das mãos para baixo), joelhos ligeiramente dobrados, costas alinhadas e peito para fora.
    Desça de forma controlada, mantendo os halteres sempre próximos das pernas até que o tronco fique quase paralelo ao solo.
  2. Volte à posição inicial de forma controlada, tendo sempre atenção ao alinhamento das costas e ao envolvimento da musculatura abdominal, sendo fulcral a sua constante contração de forma a prevenir lesões ao nível da coluna lombar.
  3. Faça 3 séries de 10 repetições

4. Remada TRX

Sendo um exercício fundamental para uma boa postura, deverá ser executando sempre com as costas bem direitas, e os abdominais bem apertados a fim de não descair a bacia.

– Execução –

  1. Agarre nas pegas com as palmas das mãos viradas uma para a outra, incline-se para trás até que o peso do seu corpo esteja nos calcanhares, com o tronco na diagonal e braços esticados.
  2. Puxe o tronco até que este toque nas mãos, dobrando os cotovelos e apertando as omoplatas no topo do movimento.
  3. Volte à posição inicial, descendo o tronco de forma controlada.

5. Voos TRX

– Execução –

  1. Assuma a mesma posição do exercício acima referido (remada).
  2. Ao invés dobrar o braço, execute um movimento de abertura para trás, puxando o tronco para a frente e mantendo os braços quase esticados, sentido no final do movimento que as omoplatas se unem.
  3. Volte de forma controlada à posição inicial, não deixando a lei da gravidade atuar.

Contraindicações: Exercícios que envolvam muito equilíbrio, atividade competitiva com movimentos repentinos, saltos, artes marciais e mergulho, deverão ser evitados.

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