Nutricionista Hugo Canelas
Nutricionista Hugo Canelas
07 Mai, 2020 - 17:44

Vitaminas para gestantes: o que precisa de saber

Nutricionista Hugo Canelas

A gravidez é um período de crescimento e desenvolvimento, fazendo do estado nutricional uma prioridade. Fique a par das vitaminas para gestantes.

Vitaminas para gestantes: mulher grávida a preparar o pequeno-almoço

A gravidez é uma das melhores experiências na vida de uma mulher. No entanto, devido ao excesso de informação disponível, pode ser um período bastante confuso.

Um estudo da Universidade de Purdue, nos Estados Unidos, confirmou que uma parte significativa das gestantes não consome as quantidades recomendadas de alguns nutrientes essenciais, nomeadamente das vitaminas A, C, D B-6 e K (1).

Neste artigo descubra quais as mais importantes vitaminas para gestantes e se há necessidade de suplementar ou não.

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Vitaminas para gestantes: as mais importantes

1.

Vitamina A

Vitaminas para gestantes: vitamina A

A vitamina A desempenha um papel importante no desenvolvimento das estruturas oculares no embrião, regulando a forma como as células se diferenciam dos diferentes componentes do olho.

Embora rara em países desenvolvidos, a carência em vitamina A durante a gravidez está associada a um aumento do risco de anemia ferropriva e, embora sejam necessários mais estudos para o confirmar, maior risco de morte materna, parto prematuro, atraso do crescimento intrauterino, hemorragia e baixo peso à nascença (2, 3).

No entanto, o consumo de quantidades excessivas de vitamina A pode conduzir a toxicidade crónica, aumentando o risco de aborto, malformações e morte fetal (4).

As necessidades deverão portanto ser supridas apenas através da alimentação, sendo recomendadas doses de 700 mcg de vitamina A e equivalentes de retinol por dia, semelhante a mulheres não grávidas (5).

Algumas fontes alimentares de vitamina A são os óleos vegetais, hortícolas de folha verde escura e vegetais amarelo-alaranjados bem como os produtos lácteos, pescado e vísceras de animais (fígado, rim).

2.

Ácido fólico/folatos (vitamina B9)

brocolos beneficios

O ácido fólico é uma forma sintética dos fotalos encontrados naturalmente nos alimentos, utilizado na suplementação e fortificação dos alimentos. Esta vitamina participa na formação de novas células e na produção de ADN, sendo necessária para o normal crescimento e desenvolvimento em todas as fases do ciclo de vida (6).

Está recomendado que as mulheres grávidas devem ingerir 600 mcg de folatos ou ácido fólico por dia de forma a reduzir o risco de defeitos do tubo neural e malformações congénitas como fenda palatina (5, 7).

Embora se consigam quantidades suficientes de folatos através da alimentação, a verdade é que a maior parte das mulheres não ingere alimentos ricos nesta vitamina, tornando a suplementação com 400 mcg/dia imprescindível (8).

Algumas fontes alimentares de folatos incluem os cereais de pequeno-almoço e sumos de fruta fortificados, extratos de levedura e leguminosas.

3.

Vitamina B12

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Níveis adequados de vitamina B12 são cruciais ao desenvolvimento do sistema nervoso do feto. A carência em vitamina B12 nos estádios iniciais da gravidez pode contribuir não só para o risco de defeitos do tubo neural mas também de parto prepaturo e aborto (6).

Um estudo determinou que mulheres cujos valores de vitamina B12 eram inferiores a 250 mg/dL e 150 mg/dL apresentavam risco 3 e 5 vezes superior, respetivamente, de dar à luz crianças com defeitos do tubo neural (9).

A ingestão diária recomendada de vitamina B12 é de 2,6 mcg para mulheres grávidas e 2,8 mcg para lactantes, não havendo evidência do risco de sobreconsumo (5).

Apenas algumas fontes vegetais fornecem vitamina B12, podendo-se dizer que este é um dos pouco nutrientes quase exclusivo dos produtos animais. As carnes vermelhas fornecem 25% da B12 diária e os lácteos 30%. Outras fontes incluem o pescado, a carne de aves e os ovos.

4.

Vitamina C

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A vitamina C é uma vitamina hidrossolúvel essencial, uma vez que apenas é obtida através da alimentação. Na gravidez é importante para garantir uma boa saúde oral das grávidas e fetos, desempenhando um importante papel no desenvolvimento e manutenção das gengivas (10).

Uma vez que a concentração plasmática de vitamina C diminui progressivamente e até 50% na gravidez, é importante que seja garantida a ingestão de níveis adequados deste nutriente.

No entanto, são necessários mais estudos para determinar a associação da carência desta vitamina e algumas complicações maternas como pré-eclâmpsia e descolamento placentário (10).

Durante a gravidez, as mulheres necessitam de 15 mg adicionais de vitamina C por dia, ou seja, entre os 14 e os 18 anos de idade, o consumo deverá ser de 55 mg/dia e, após os 18 anos, o consumo deverá ser de 60 mg/dia (5).

Algumas fontes alimentares incluem os frutos cítricos (laranja, tangerina, limão), kiwis, groselha e vegetais folhosos como brócolos. É importante saber que cortar, aquecer ou consumir frutas e vegetais com marcas de dano pode significar que está a consumir menos vitamina C.

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5.

Vitamina D

Alimentos presentes na dieta escandinava

A vitamina D tem várias funções importantes, incluindo a manutenção da saúde óssea, a promoção de um normal funcionamento do sistema imunitário e da normal divisão e multiplicação das células.

Na gravidez, a carência de vitamina D tem vindo a a ser associada a um risco crescente de parto por cesariana, pré-eclâmpsia, nascimento prematuro e diabetes gestacional (11).

Um estudo recente refere ainda que baixos níveis de vitamina D maternos podem contribuir para aumentar o risco de hipertensão nas crianças (12).

As necessidades diárias não aumentam relativamente às não grávidas, fixando-se nas 600 IU/dia e, uma vez que se espera que estas quantidades sejam obtidas através da exposição solar, não são necessários suplementos (5).

Relativamente aos alimentos, a vitamina D pode ser encontrada em margarinas fortificadas e pescado gordo como salmão, a sardinha e a cavala.

6.

Vitamina K

Vitaminas para gestantes: taça com espinafres

A função mais proeminente da vitamina K é a sua participação nos processos de coagulação mas, durante a gravidez, a sua carência pode conduzir a hemorragia principalmente durante o parto.

Não existe qualquer evidência que as necessidades das grávidas aumentem acima dos 60 mcg/dia recomendados para a população geral e os alimentos, desde que bem escolhidos, são suficientes para garantir este valor (5).

Relativamente à suplementação, ela apenas deverá ser prescrita a partir do terceiro trimestre e a mulheres com colestase gestacional associada à diminuição da absorção de vitamina K ou que façam terapêutica anti-convulsivante (5).

Alimentos ricos em vitamina K incluem os espinafres, couves-de-bruxelas, brócolos e óleos vegetais.

Conclusão

A gravidez é um período de crescimento e desenvolvimento, fazendo do estado nutricional uma prioridade, pelo que é importante conhecer quais vitaminas se tornam essenciais suplementar.

Neste sentido, a única com especial interesse e apenas porque não se espera que as grávidas consigam obter em quantidades suficientes através dos alimentos é o ácido fólico.

Todas as outras podem ser obtidas nas quantidades necessárias e algumas, quando suplementadas, podem ser potencialmente danosas para a mãe e para o feto.

Se tiver dúvidas quanto aos suplementos vitamínicos na gravidez, confirme sempre como o seu médico, de forma a avaliar a segurança e potenciais riscos e benefícios destes produtos.

Fontes

  1. Bailey, R. L., Pac, S. G., Fulgoni, V. L., Reidy, K. C., & Catalano, P. M. (2019). Estimation of Total Usual Dietary Intakes of Pregnant Women in the United States. Disponível em: https://jamanetwork.com/journals/jamanetworkopen/fullarticle/2736174?utm_source=For_The_Media&utm_medium=referral&utm_campaign=ftm_links&utm_term=062119
  2. Van DE, et.al. (2002). Vitamin A supplementation during pregnancy. Disponível em: https://europepmc.org/article/med/12519564
  3. Okonofua F. (2003). Vitamin A supplementation during pregnancy: RHL commentary. Disponível em: http://cms.kcn.unima.mw:8002/moodle/downloads/Department%20of%20Maternal%20&%20Child%20Health/who%20videos/apps.who.int/rhl/pregnancy_childbirth/antenatal_care/nutrition/focom/en/index.html
  4. NIH. (2020). Vitamin A. Disponível em: https://ods.od.nih.gov/factsheets/VitaminA-HealthProfessional/
  5. NIH. (1998). Nutrient Recommendations: dietary reference intakes (DRI). Disponível em: https://ods.od.nih.gov/Health_Information/Dietary_Reference_Intakes.aspx
  6. Molloy, A. M., et.al. (2008). Effects of Folate and Vitamin B12 Deficiencies During Pregnancy on Fetal, Infant, and Child Development. Disponível em: https://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/15648265080292S114
  7. De-Regil, L. M., et.al. (2010). Effects and safety of periconceptional folate supplementation for preventing birth defects. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20927767
  8. CDC. (2005). Use of Dietary Supplements Containing Folic Acid Among Women of Childbearing Age – United States, 2005. Disponível em: https://www.cdc.gov/mmwr/preview/mmwrhtml/mm5438a4.htm
  9. Molloy, A. M., et.al. (2009). Maternal Vitamin B12 Status and Risk of Neural Tube Defects in a Population With High Neural Tube Defect Prevalence and No Folic Acid Fortification. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4161975/
  10. NIH. (2020). Vitamin C. Disponível em: https://ods.od.nih.gov/factsheets/VitaminC-HealthProfessional/
  11. Mithal, A. & Karla, S. (2014). Vitamin D supplementation in pregnancy. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4171878/
  12. Wang, G., et.al. (2019). Vitamin D Trajectories From Birth to Early Childhood and Elevated Systolic Blood Pressure During Childhood and Adolescence. Disponível em: https://www.ahajournals.org/doi/10.1161/HYPERTENSIONAHA.119.13120
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