Camila Farinhas
Camila Farinhas
26 Out, 2020 - 16:33

7 doenças típicas de inverno que deve conhecer e prevenir

Camila Farinhas

A chegada dos dias mais frios traz consigo uma maior probabilidade de desenvolver as típicas doenças de inverno. Saiba quais são e como as prevenir.

Doenças de inverno

Temperaturas mais baixas, ar mais seco e a necessidade de permanecer em ambientes fechados, são fatores que favorecem a ocorrência das doenças de inverno. Mas, quais são estas doenças? Será que é possível preveni-las?

Quais são as doenças de inverno mais comuns?

Mulher com constipação deitada no sofá

As doenças de inverno mais comuns incluem as doenças respiratórias transmissíveis, nomeadamente as gripes e constipações. Pessoas que sofram de outras patologias tais como rinite alérgica, sinusite ou asma, podem sofrer um agravamento dos sintomas.

Na origem destas doenças, está a maior circulação de vírus e bactérias resultante das condições meteorológicas caraterísticas dos meses mais frios. Os idosos, crianças e pessoas com doenças crónicas são os mais afetados, uma vez que o seu sistema imunitário é mais vulnerável. Prevenir é, por isso, fundamental!

Confira quais são as 7 doenças de inverno mais comuns:

1

Gripe e constipação

Mulher com gripe a beber chá

A gripe é uma doença aguda viral que afeta as vias respiratórias e é causada por vírus do tipo Influenza. Os seus sintomas variam de acordo com a idade da pessoa infetada: em adultos manifesta-se subitamente causando mal-estar, febre alta, dores musculares e articulares, dores de cabeça, inflamação da mucosa nasal e tosse seca. A inflamação ocular também é frequente.

Em crianças, especialmente nas mais pequenas, a febre e a prostração são os sinais mais comuns de gripe. Náuseas, vómitos, diarreia, laringite e ainda a bronquiolite, são também frequentes. A otite média pode ainda surgir como uma complicação frequente até aos 3 anos de idade. Em crianças mais velhas, os sintomas de gripe são semelhantes aos do adulto. Geralmente, a gripe tem uma duração de 5 a 7 dias (1).

Já a constipação é uma infeção respiratória de menor gravidade e a sua duração média é de 3 a 5 dias. Os vírus responsáveis mais frequentemente por esta doença, são os adenovírus, rinovírus e o vírus sincicial respiratório. Os sintomas mais frequentes de constipação são congestão e corrimento nasal, olhos lacrimejantes, diminuição ou perda do olfato/paladar, dor de cabeça e garganta e em alguns casos febre baixa (1).

Embora sejam ambas de origem viral, transmitindo-se através do contato com gotículas ou secreções de pessoas infetadas, a gripe e a constipação são causadas por diferentes tipos vírus. Para prevenir a gripe, a melhor forma é a toma da vacina da gripe. No caso da constipação, para prevenir o contágio, é recomendada a lavagem frequente das mãos e o uso de etiqueta respiratória.

 Tratamento

O tratamento da gripe e da constipação passa pela toma de paracetamol para alívio das dores e para baixar a febre, repouso, aumento da ingestão de líquidos (água, sumos, chás/infusões), soro fisiológico para lavagem das fossas nasais e evitar a exposição a diferentes temperaturas.  

Mulher com gripe em casa
Veja também COVID-19, gripe e constipação: quais as principais diferenças?
2

Rinite alérgica

Mulher com alergia ao pólen

A rinite alérgica é uma das principais causas de obstrução nasal causada pelo processo inflamatório da mucosa nasal e consequente diminuição da passagem de ar.

Os sintomas mais comuns são espirros frequentes, comichão no nariz e garganta, corrimento e congestão nasal. Na sua causa está geralmente o pólen, poeira, ácaros ou pelos de animais. As temperaturas mais baixas que se fazem sentir no inverno tendem a agravar os sintomas.

 Tratamento

Por ser uma doença crónica, o tratamento da rinite alérgica passa sobretudo pelo alívio e controlo dos sintomas. Para isso, é recomendada a toma de anti-histamínicos e corticóides nasais e também evitar o contato com alergénios.

3

Sinusite

Mulher com sintomas de sinusite

A sinusite é uma inflamação dos seios perinasais, que pode ser originada por vírus, bactérias ou fungos e surge muitas vezes associada à rinite alérgica. A sinusite pode ser aguda ou crónica. Os sintomas mais frequentes são febre, fadiga, congestão e corrimento nasal, dor de cabeça, sensação de pressão na face, principalmente entre os olhos.

Tratamento

O tratamento da sinusite passa pela toma de antibióticos, descongestionantes e analgésicos. Pode também ser recomendado o uso de soluções salinas para lavagem das fossas nasais. No entanto, será sempre adaptado ao doente nomeadamente, doenças associadas, terapêuticas anteriores e estilo de vida.

4

Otite

Otorrino a analisar ouvido de paciente

A otite é uma infeção viral ou bacteriana do ouvido que atinge adultos e principalmente as crianças. A ocorrência de infeções respiratórias causa a produção excessiva de muco nasal, que bloqueia as trompas de Eustáquio e pode levar a um acumulo de líquidos no ouvido médio desencadeando a otite (2).

Os sintomas mais comuns de otite são dor no ouvido, pressão, saída de liquido pelo ouvido, diminuição da audição ou “ouvido tapado”, febre, dor de cabeça, nauseas e perda de apetite.

Tratamento

O tratamento da otite altera de acordo com o quadro clínico apresentado, idade e estado do doente. Podem ser prescritos anti-inflamatórios, gotas auriculares, descongestionantes nasais, antibióticos (como a amoxicilina) ou, em casos mais graves, ser necessária uma cirurgia (2).

5

Amigdalite

Mulher com dores de garganta

A amigdalite é uma infeção das amígdalas palatinas, duas saliências localizadas na garganta. A sua principal função, quando em bom estado, é a produção de anticorpos para defesa do organismo.

Os sintomas mais comuns da amigdalite são febre, dificuldade em engolir, mau-hálito, febre e arrepios. Visualmente, a garganta pode apresentar-se com coloração avermelhada e pontos brancos (pus). A origem da amigdalite pode ser viral ou bacteriana.

Tratamento

A toma de analgésicos e anti-inflamatórios é indicada para o alívio dos sintomas. Caso a amigdalite seja de origem bacteriana, podem ainda ser prescritos antibióticos.

6

Asma

Mulher a utilizar um inalador de asma

A asma é uma doença obstrutiva das vias aéreas que tem por base um processo inflamatório crónico, nomeadamente o seu estreitamento e que pode ser revertido.

Nas pessoas que sofrem de asma, as crises são desencadeadas mais frequentemente por alergénios ambientais ou ocupacionais, mudança de temperatura e exercício físico.

Os sintomas de uma crise de asma são falta de ar, ruídos respiratórios (pieira ou “gatinhos”), sensação de peso no peito, tosse seca ou com muco e retração das costelas durante a respiração (3).

Tratamento

O tratamento da asma tem como principal objetivo controlar os sintomas e prevenir crises graves que possam levar ao internamento. É adequado à gravidade da asma e pode incluir broncodilatadores, anti-inflamatórios e anti-histamínicos (3).

Asma em tempos de COVID-19: mulher a usar inalador da asma
Veja também Asma e COVID-19: o que um asmático deve saber
7

Pneumonia

Médico a analisar radiografia aos pulmões

A pneumonia tem origem em infeciosos que atingem o tecido pulmonar, nomeadamente bactérias, vírus ou fungos. Os mais comuns são o Streptococcus pneumoniae (pneumococo), Haemophilus influenzae  e ainda o vírus respiratório sincicial.

Os sintomas mais frequentes de pneumonia são febre, tosse, calafrios, dores musculares e articulares, dor de cabeça, diarreia, náuseas e vómitos (4).

Tratamento

No tratamento da pneumonia, recorrem-se a antibióticos (caso seja de origem bacteriana), ou medicamentos antivirais (caso esta seja de origem viral). Outras terapêuticas podem ainda ser prescritas, para alivio dos sintomas de febre e tosse. Geralmente, o tratamento é efetuado em casa salvo casos onde o quadro clinico seja mais grave, em que há necessidade de internamento. (4)

Médico a preparar-se para aplicar vacina pneumocócita
Veja também Vacina pneumocócica: o que é, para quem é recomendada e quando a deve tomar?

Como prevenir as doenças típicas de inverno?

Prevenir as doenças de inverno passa pela adoção de alguns comportamentos, nomeadamente:

  1. Vacinação (a toma da vacina da gripe e da vacina pneumocócica estão indicadas para os grupos mais vulneráveis).
  2. Ventilar e arejar os espaços sempre que possível.
  3. Lavagem frequente das mãos e uso de etiqueta respiratória.
  4. Controlo das doenças crónicas, realizando a medicação habitual.
  5. Uso de roupa e calçado adequado, não esquecendo de cobrir as extremidades, sobretudo nos dias de frio mais intenso.
  6. Praticar exercício físico regular.
  7. Realizar uma alimentação saudável e hidratação adequada.
  8. Caso necessite de assistência médica, deverá contatar em primeiro lugar a linha SNS24 (808 24 24 24).

Fontes

  1. Direção-Geral da Saúde (2020). Gripe. Acedido a 24 de Outubro de 2020. Disponível em: https://www.dgs.pt/saude-a-a-z.aspx?v=%3d%3dBAAAAB%2bLCAAAAAAABABLszU0AwArk10aBAAAAA%3d%3d#saude-de-a-a-z/gripe
  2. Direção-Geral da Saúde (2014). Diagnóstico e Tratamento da Otite Média Aguda na Idade Pediátrica. Disponível em: https://www.dgs.pt/directrizes-da-dgs/normas-e-circulares-normativas/norma-n-0072012-de-16122012-png.aspx
  3. Sociedade Portuguesa de Pneumologia (2017). Tudo o que deve saber sobre asma. Disponível em: https://www.sppneumologia.pt/uploads/subcanais_conteudos_ficheiros/guia-asma_2017.pdf
  4. Sociedade Portuguesa de Pneumologia (2020). Pneumonia. Acedido a 24 de Outubro de 2020. Disponível em: https://www.sppneumologia.pt/doentes/pneumonia/quais-sao-os-sintomas
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