Enfermeira Isabel Silva
Enfermeira Isabel Silva
01 Out, 2020 - 14:59

Amigdalite: causas, sintomas e tratamentos

Enfermeira Isabel Silva

Pode sentir uma dor na garganta ao engolir ou dor de ouvidos, ter mau hálito ou febre. Todos estes sintomas estão associados à amigdalite. Descubra como tratar este problema.

Mulher com sintomas de amigdalite

A dor de garganta é um problema que afeta muitas pessoas, atualmente. É um sintoma que surge em resposta a uma inflamação da orofaringe. A orofaringe é constituída pelas amígdalas e pela faringe. Se a inflamação afetar as amígdalas, estamos perante uma amigdalite. Se afetar a faringe, a inflamação é uma faringite.

Porque surge a amigdalite?

Mulher com dores de garganta

As amígdalas fazem parte do sistema linfático. A sua função é impedir que bactérias e outros germes entre no nosso organismo. Localizam-se no fundo da boca.

A amigdalite pode ter origem viral ou bacteriana. As amigdalites de origem viral são as mais frequentemente encontradas, representando cerca de 70% dos casos.

As variações de temperatura são responsáveis por grande parte dos casos, e não tanto as temperaturas baixas. O inverno é a estação do ano em que este problema surge com mais frequência. É um tipo de infeção muito comum nas crianças.

Apresenta um elevado risco de contágio,  e a sua transmissão é feita através de espirros ou tosse de um pessoa contaminada.

Sintomas da amigdalite

Os sintomas mais comuns quando estamos perante um caso de amigdalite são:

  • Dificuldade na deglutição
  • Dor de garganta intensa
  • Dor de ouvido
  • Febre
  • Mau hálito
  • Cefaleia
  • Sensação de mal-estar geral

A observação da cavidade oral pode revelar vermelhidão das amígdalas com ou sem pontos brancos (pus).

Nas crianças pode ser observada uma série de sintomas característicos:

  • Aumento da produção de saliva
  • Febre superior a 38ºC
  • Pus amarelado na garganta
  • Erupções cutâneas
  • Dificuldade na deglutição
  • Dificuldade respiratória
  • Aumento do volume dos gânglios linfáticos da região cervical

Fatores de risco nas crianças

Médica a analisar amígdalas de criança

As crianças são mais propensas a este tipo de infeção, principalmente aquelas com idade superior a 2 anos. Nos infantários, o risco de contágio é acrescido. Más condições de higiene e o inverno também contribuem para um maior risco de transmissão da doença.

Também existem casos em que a infeção é reincidente. Nestes casos, pode ser devido a uma deficiência na resposta imunitária do indivíduo. Este problema pode ainda dever-se a alterações anatómicas da cavidade oral e das próprias amígdalas que favoreçam o depósito de resíduos e secreções alimentares.

Tratamento da amigdalite

O tratamento da amigdalite depende de vários fatores:

  • Idade
  • Condição geral de saúde
  • Extensão da infeção
  • Tipo de infeção
  • Tolerância do doente para medicamentos e procedimentos médicos

No caso deste problema de saúde ser reincidente, pode ser aconselhada a remoção cirúrgica das amígdalas.

Os dois tipos desta doença são tratados de formas distintas.

1

Amigdalite vírica

Menina com gripe deitada na cama

Nas amigdalites víricas, geralmente a febre é mais baixa e as amígdalas não apresentam pus à superfície. Os vírus responsáveis por este tipo de infeção são geralmente rinovírus ou o adenovírus.

O tratamento da amigdalite de origem viral passa pelo alívio dos sintomas, hidratação e repouso. Os medicamentos mais utilizados são os antipiréticos e analgésicos.

A utilização de antibióticos não é aconselhada para o tratamento deste problema, uma vez que não apresenta qualquer eficácia e pelo risco de aumentar resistências microbianas em infeções futuras.

2

Amigdalite bacteriana

Farmacêutica a vender antibiótico

Este tipo da doença geralmente provoca sintomas muito exuberantes, como febre alta que não cede com o uso de medicação antipirética. A bactéria Streptococcus do grupo A é a mais comum neste tipo de infeção.

Os casos de amigdalite de origem bacteriana são geralmente tratadas através do uso de antibióticos derivados da penicilina. Pode haver casos em que haja a necessidade de colher uma amostra do pus da parte posterior da garganta, com uma zaragatoa. Este exame tem como objetivo identificar a bactéria responsável pela infeção e assim especificar o antibiótico mais eficaz.

Possíveis complicações

A amigdalite raramente apresenta graves complicações. No entanto, este problema não deve ser desvalorizado e é aconselhada a procura de um médico.

Raramente, a infeção pode evoluir, afetando a amígdala em profundidade originando um abcesso que provoca muita dor e dificuldade em abrir a boca. Este problema necessita de tratamento rápido e drenagem dos abcessos, além de tratamento com antibióticos.

Em outros tempos, as infeções bacterianas provocadas pelo Streptococcus do grupo A, provocavam complicações cardíacas, renais e articulares. Atualmente, estas consequências são bastante menos comuns devido à evolução da medicina e dos tratamentos disponíveis.

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