Nutricionista Hugo Canelas
Nutricionista Hugo Canelas
09 Set, 2020 - 11:42

Vitaminas para o cabelo: quais são as que realmente têm efeito?

Nutricionista Hugo Canelas

As vitaminas para o cabelo desempenham um papel importante no crescimento, desenvolvimento e diferenciação das células do folículo capilar.

Vitaminas para o cabelo

Uma das grandes questões da medicina estética é o real papel da dieta e da suplementação na prevenção e tratamento de doenças dermatológicas, em particular na queda de cabelo.

Responder a estas questões é frequentemente desafiador, dado o grande número de estudos com resultados conflituosos. Ainda assim, há vitaminas para o cabelo que, quando consumidas com moderação, têm resultados comprovados no crescimento e estrutura capilar.

vitaminas para o cabelo: 5 micronutrientes importantes

Vários micronutrientes desempenham, efetivamente, um papel crucial no ciclo folicular normal, sendo importantes no crescimento, desenvolvimento e diferenciação das células que o compõem 1.

O escalpo humano contém aproximadamente 100 mil folículos capilares e, destes, cerca de 90% estão na fase anagénica, ou seja, de crescimento. Nesta fase, são necessários alguns elementos essenciais como proteínas, vitaminas e minerais, que permitam o crescimento do cabelo 2.

O estudo do papel da nutrição e da dieta no tratamento da alopecia é uma área em rápido desenvolvimento, não só pela sua elevada prevalência, mas também porque tem um impacto significativo na qualidade de vida das pessoas. Por isso, neste artigo, analisamos quais são as vitaminas que interferem no crescimento capilar.

1.

Vitamina A

Abóbora e sopa de abóbora

Todas as células necessitam de vitamina A para o seu normal crescimento e desenvolvimento, incluindo o cabelo. Esta vitamina ajuda na produção de sebo que hidrata o escalpo e mantém o cabelo saudável4 e uma dieta pobre pode ocasionar vários problemas, incluindo alopecia 5.

No entanto, estudos demonstram que o consumo exagerado de vitamina A pode levar à queda de cabelo. Exceder o limite diário aconselhado, que é 10,000 IU, pode conduzir a toxicidade por vitamina A, que inclui queda de pelo não só na cabeça, mas em todo o corpo 8.

Alimentos como batata doce, cenouras, abóbora e espinafres são ricos em beta-caroteno, que é convertido a vitamina A no organismo, e óleo de fígado de bacalhau, leite, ovos e iogurte são fontes naturais de vitamina A.

2.

Vitamina B

Variedade de alimentos ricos em proteína

Uma das mais conhecidas e estudadas vitaminas na saúde capilar é a biotina ou vitamina B7.

No entanto, embora a biotina seja usada como terapia alternativa à queda de cabelo, sabe-se que são as pessoas que apresentam carência prévia nesta vitamina, as que obtêm os melhores resultados do tratamento9, existindo ainda pouca informação quando ao efeito da biotina na saúde capilar de pessoas saudáveis.

A maior parte da biotina é obtida através dos alimentos ricos em proteína, que é posteriormente armazenada no intestino delgado e fígado. A dose diária recomendada de biotina é de 30 mcg/dia e a ingestão desta vitamina nos países ocidentais é adequada, pelo que a carência é relativamente rara10.

No entanto, a acontecer, esta carência está associada ao consumo de ovos crus, uma vez que a avidina inibe a absorção intestinal de biotina11 .

Outras causas de carência envolvem estados de malabsorção, alcoolismo, gravidez e uso prolongado de antibióticos e outros medicamentos como a isotretinoína e o ácido valpróico, usados no tratamento do acne e da epilepsia, respetivamente12.

Embora os sinais de carência de biotina incluam alopecia, erupções cutâneas e unhas fracas, a suplementação desta vitamina não parece interferir na qualidade do cabelo, unhas ou pele de indivíduos adultos. Na verdade, apenas estudos caso envolvendo crianças parecem ter sido usados para justificar a utilização de suplementos de biotina no crescimento do cabelo13, 14.

Note-se, no entanto, que as vitaminas do complexo B podem ser obtidas através de uma vasta gama de alimentos, pelo que as carências são extremamente raras.

3.

Vitamina C

Variedade de alimentos ricos em vitamina C numa mesa

A vitamina C, ou ácido ascórbico, é uma vitamina hidrossolúvel com ação antioxidante, que ajuda a proteger as células contra a ação dos radicais livres. Também é necessária para a síntese de fibras de colagénio, um componente importante da estrutura do cabelo.

No entanto, a principal ação da vitamina C na saúde capilar parece estar mais relacionada com o seu papel na absorção de ferro a nível intestinal, mineral cuja carência está diretamente associada à queda de cabelo15.

Alimentos como frutas cítricas, tomate, pimentos, morangos e cerejas são fontes particularmente interessantes de vitamina C. Contudo, embora a carência em vitamina C esteja frequentemente associada a alterações na pilosidade corporal16, não existem estudos que associem as concentrações de vitamina C com a alopecia.

4.

Vitamina D

Legumes, salmão frutas em cima de mesa

Concentrações reduzidas de vitamina D parecem estar associadas com a queda de cabelo17.

Devido ao seu papel imunomodelador, a vitamina D pode ter efeito na alopecia androgenética, uma doença autoimune e das principais causas de queda de cabelo, e que está relacionada com concentrações anormais de androgénios (ou hormonas masculinas)18, 19 .

Para além disso, a vitamina D parece estar diretamente implicada na regulação do ciclo folicular, e concentrações adequadas permitem o crescimento do pelo e do cabelo 20.

Na verdade, revisões sistemáticas e meta-análises realizadas acerca do tema concluíram que a carência em vitamina D é altamente prevalente em doentes com alopecia androgenética e sugerem a utilização de suplementos orais ou tópicos no tratamento da doença21 .

No entanto, nem todos os estudos apresentaram resultados concordantes e alguns autores não encontraram associação entre as concentrações séricas de vitamina D e o risco de alopecia androgenética22.

Embora a síntese endógena através do colesterol seja a principal forma de obter vitamina D, algumas fontes alimentares incluem os peixes gordos, ovo, óleo de fígado de bacalhau e alguns alimentos fortificados como cereais e sumo de laranja.

5.

Vitamina E

Prato com espinafres

Semelhante à vitamina C, a vitamina E é um antioxidante com ação nos radicais livres produzidos durante o metabolismo celular. Por sua vez, alguns autores mostraram que existe uma associação entre o stress oxidativo e a queda de cabelo23, 24.

Um estudo determinou que a suplementação com vitamina E durante 8 semanas promoveu o crescimento de cabelo na ordem dos 34,5% em pessoas com alopecia25.

No entanto, nem todos os autores encontraram diferença estatística entre os níveis plasmáticos de vitamina E e a queda de cabelo26, o que significa que são necessários mais estudos clínicos que comprovem a associação entre a ingestão de vitamina E e a alopecia.

Fontes alimentares interessantes de vitamina E incluem as sementes de girassol, amêndoas e espinafres.

Fontes

  1. Handjiski BK, Eichmuller S, Hofmann U, Czarnetzki BM, Paus R. (1994). Alkaline phosphatase activity and localization during the murine hair cycle. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/7918003/
  2. Murzaku EC, Bronsnick T, Rao BK. (2014). Diet in dermatology: Part II. Melanoma, chronic urticaria, and psoriasis. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25454037/
  3.  Otberg N, Finner AM, Shapiro J. (2007). Androgenetic alopecia. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/17543725/
  4. Everts HB. (2012). Endogenous retinoids in the hair follicle and sebaceous gland. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21914489/
  5. Mejia LA, Hodges RE, Rucker RB. (1979). Clinical signs of anemia in vitamin A-deficient rats. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/453058/
  6. Yamamoto K, Sadahito K, Yoshikawa M, et al. Hyena disease (premature physeal closure) in calves due to overdose of vitamins A, D3, E. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/12678294/
  7. Shmunes E. (1979). Hypervitaminosis A in a patient with alopecia receiving renal dialysis. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/453904/
  8. Cheruvattath R, Orrego M, Gautam M, et al. (2006). Vitamin A toxicity: when one a day doesn’t keep the doctor away. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/17133567/
  9. Thompson KG, Kim N. (2020). Dietary supplements in dermatology: A review of the evidence for zinc, biotin, vitamin D, nicotinamide, and Polypodium. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32360756/
  10. Bistas KG, Tadi P. (2020). Biotin. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32119380/
  11. Durusoy C, Ozenli Y, Adiguzel A, et al. (2009). The role of psychological factors and serum zinc, folate and vitamin B12 levels in the aetiology of trichodynia: a case-control study. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19508569/
  12. Goldberg LJ, Lenzy Y. (2010). Nutrition and hair. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20620758/
  13. Boccaletti V, Zendri E, Giordano G, Gnetti L, De Panfilis G. (2007). Familial uncombable hair syndrome: ultrastructural hair study and response to biotin. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/17509110/
  14. Shelley WB, Shelley ED. (1985). Uncombable hair syndrome: observations on response to biotin and occurrence in siblings with ectodermal dysplasia. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/4031156/
  15. Almohanna HM, Ahmed AA, Tsatalis JP, Tosti A. (2019). The Role of Vitamins and Minerals in Hair Loss: A Review. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30547302/
  16. Fleming JD, Martin B, Card DJ, Mellerio JE. (2013). Pain, purpura and curly hairs. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23905675/
  17. Kim, D.H., et.al. (2012). Successful Treatment of Alopecia Areata with Topical Calcipotriol. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3412244/
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  26. Naziroglu M, Kokcam I. (2000). Antioxidants and lipid peroxidation status in the blood of patients with alopecia. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/10965354/
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