Camila Farinhas
Camila Farinhas
12 Set, 2022 - 18:07

Fadiga: o que fazer quando tem falta de energia física ou mental

Camila Farinhas

A fadiga pode ter grande impacto na qualidade de vida de qualquer pessoa, chegando mesmo a ser limitante. Conheça mais sobre este tema.

Mulher com sintomas de fadiga

Quem nunca sentiu falta de energia, cansaço ou fadiga? Atualmente, é cada vez mais comum o sentimento de exaustão causado pelo stress diário. Mas quando é que a fadiga se torna um problema? E o que está na sua origem?

Fadiga é o nome utilizado mais frequentemente para descrever falta de energia, vitalidade física ou mental. Pode ser temporária ou em alguns casos tornar-se crónica. Na sua origem, podem ainda estar inúmeras doenças ou fatores específicos.

Diferentes tipos de fadiga

A fadiga pode assumir diferentes formas, nomeadamente:

Fadiga muscular

A fadiga muscular tem como principal causa o excesso de exercício físico. Geralmente, ocorre após um treino mais intenso e devido ao uso de pesos. Afeta sobretudo os músculos que foram trabalhado em excesso.

Fadiga mental

A fadiga mental, tal como o nome indica, ocorre após o excesso de informação recebida pelo cérebro. É muito comum após longos períodos de trabalho, estudo ou ao computador. Pode sentir exaustão mental, irritabilidade e dor de cabeça, daí a importância de fazer pausas regulares.

Fadiga sensorial

A fadiga sensorial esta relacionada aos órgãos sensoriais, nomeadamente aos olhos e ouvidos. A fadiga auditiva é a exaustão causada pela exposição prolongada a ruídos, e a fadiga ocular está relacionada aos longos períodos de leitura ou ao uso indevido de óculos ou lentes com graduação incorreta.

Fadiga de verão ou “natsubate

Natsubate” é a expressão japonesa dada à fadiga de verão, causada pelas elevadas temperaturas que se fazem sentir. A desidratação e transpiração excessiva causam sonolência, indisposição e cansaço.

Fadiga adrenal

A fadiga adrenal é um tipo específico de fadiga originada após níveis elevados e prolongados de stress, o que resulta na disfunção das glândulas adrenais. Pessoas com este tipo de fadiga, apresentam dificuldades de concentração, exaustão permanente e alterações frequentes de humor. A sua duração máxima pode ir até 6 meses.

Fadiga crónica

A Síndrome da fadiga crónica, ou encefalomielite miálgica, é o nome dado à fadiga persistente que dura há mais de 6 meses. Este tipo de fadiga tem grande impacto na qualidade de vida e chega mesmo a ser limitante. Sabe-se que a fadiga crónica agrava-se após esforço físico ou intelectual e não melhora mesmo após um período de repouso.

Esta doença tem maior incidência entre os 40 e 60 anos de idade, e afeta sobretudo as mulheres. No entanto, pode também surgir em homens, crianças, adolescentes ou em adultos de todas as idades.

Mulher com síndrome de burnout
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Causas mais comuns da fadiga crónica

Mulher na cama a descansar

Não são conhecidas por completo as causas da fadiga crónica. Atualmente, acredita-se que o que está na sua origem é a combinação de diferentes fatores, nomeadamente:

1

Fatores genéticos e ambientais

A Síndrome da fadiga crónica parece ser hereditária. Derivado à exposição de níveis de stress semelhantes ou a determinada substancia ambiental, pessoas da mesma família tendem a responder da mesma forma a estes estÍmulos.

2

Doenças infeciosas

Pessoas com a Síndrome da fadiga crónica relatam frequentemente episódios anteriores de infeção viral como, por exemplo, a gripe. Por isso, acredita-se que alguns vírus podem deixar sequelas mesmo após o seu tratamento.

3

Sistema imunitário

A desregulação do sistema imunitário e o seu enfraquecimento, também parece ser uma das causas possíveis para a fadiga crónica.

4

Alterações hormonais

Alterações no cortisol, também chamada de “hormona do stress”, foram identificadas em algumas pessoas com fadiga crónica. No entanto, não é conhecido o seu real impacto.

Sintomas da fadiga crónica

Mulher com ar cansado

Os sintomas que distinguem o cansaço normal da fadiga crónica são:

  • Fadiga persistente há mais de 6 meses
  • Falhas de memória
  • Dificuldade de concentração
  • Problemas de sono
  • Dor muscular inexplicável
  • Dor nas articulações 
  • Alterações na visão
  • Tonturas
  • Alterações no apetite
  • Perda da libido
  • Dificuldade respiratória
  • Batimentos cardíacos irregulares

Diagnóstico

Mulher numa sessão de terapia com o psicólogo

Não existem exames específicos para diagnóstico da Síndrome da fadiga crónica. Assim, o médico irá avaliar a história clínica e prescrever exames para descarte de distúrbios que possam causar a fadiga crónica, tais como: anemia, doenças renais, doenças inflamatórias (ex. artrite reumatóide), doenças cardíacas, problemas de tiroide, apneia do sono, diabetes ou depressão.

O diagnóstico de fadiga crónica é feito quando nenhuma outra doença que possa causar os mesmos sintomas está associada. Segundo o Instituto de Medicina, está-se perante a Síndrome da fadiga crónica quando

  1. A pessoa apresenta uma redução significativa na capacidade de desempenhar as tarefas diárias há mais de 6 meses. Sente fadiga extrema que não está associada a nenhum esforço físico e que não melhora com o descanso.
  2. A atividade física piora os sintomas.
  3. O sono não é reparador.

E ainda, quando pelo menos um dos seguintes sintomas está também presente:

  • Dificuldade de concentração 
  • Tonturas e vertigens que melhoram quando se está em repouso

Tratamento da fadiga crónica

Após o diagnóstico de fadiga crónica, o seu tratamento passa sobretudo pelo alívio dos sintomas. Assim, podem ser prescritos medicamentos para alívio das dores musculares e articulares. A terapia cognitivo-comportamental pode ser indicada em casos específicos, nomeadamente onde estejam presentes fatores emocionais causadores da fadiga crónica.

Como se pode combater a fadiga crónica?

Algumas estratégias podem ser aplicadas no seu dia-a-dia para combater a fadiga crónica e aumentar a qualidade de vida. São elas: 

1

Melhore a qualidade do seu sono

Dormir bem à noite: mulher deitada na cama a dormir

Uma boa noite de descanso é fundamental para repor energias. Em média, os adultos devem dormir entre 7 a 9 horas diariamente.

Comece por desligar a televisão, telemóvel e o excesso de luz artificial antes de ir para a cama. Assim, o seu organismo entenderá que se está a preparar para o sono. Estabeleça uma hora para se deitar e respeite-a ao máximo.

2

Evite situações de stress e ansiedade

fazer meditação no jardim

Manter a calma e evitar situações de stress, é essencial para atenuar os sintomas da fadiga crónica. Não se deixe sobrecarregar por tarefas diárias e, se necessário, delegue algumas delas. A prática de meditação diária, mesmo que apenas alguns minutos por dia, também pode ajudar no seu relaxamento. Atualmente, existem diversas aplicações gratuitas que pode utilizar. Experimente!

3

Pratique exercício físico

Mulher a correr pela cidade

A prática regular de atividade física tem grande impacto na redução dos sintomas da fadiga crónica. É recomendada a realização de 150 minutos por semana de exercício físico moderado. Deve sempre consultar o seu médico antes de iniciar qualquer atividade física e, se necessário, adequar progressivamente o tempo e esforço despendido, evitando o agravamento das dores musculares ou articulares.

4

Faça uma alimentação saudável

casal a cozinhar em casa

Ter uma alimentação saudável e equilibrada é indispensável no combate à fadiga crónica. Assim, deve privilegiar as frutas, hortícolas e proteínas e beber muita água ao longo do dia. Alguns suplementos alimentares também podem ser utilizados.

Deve evitar os alimentos ricos em sal e em gorduras saturadas, café, álcool e o tabaco. Em caso de dúvida, aconselhe-se junto do seu nutricionista.

Complicações da fadiga crónica

O tratamento da fadiga crónica é essencial para evitar complicações de saúde mais graves como:

  • Depressão
  • Isolamento social
  • Diminuição e restrição da qualidade de vida
  • Efeitos secundários devido ao uso de medicação prolongada

Conclusão

A fadiga crónica pode afetar significativamente a sua vida e, por isso, é essencial que o tratamento adequado seja iniciado. Com algumas alterações nas rotinas diárias, é possível minimizar os seus efeitos e melhorar a qualidade de vida. Se identificou alguns dos sintomas descritos, deve consultar o seu médico para uma avaliação precisa.

Fontes

  1. Centers for Disease Control and Prevention (2020). Myalgic encephalomyelitis/chronic fatigue syndrome. Acedido a 9 de Outubro de 2020. Disponível em: https://www.cdc.gov/me-cfs/
  2. Institute of Medicine (2015). Beyond Myalgic Encephalomyelitis/Chronic Fatigue Syndrome: Redefining an Illness. Disponível em: https://www.nap.edu/catalog/19012/beyond-myalgic-encephalomyelitischronic-fatigue-syndrome-redefining-an-illness  
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