Camila Farinhas
Camila Farinhas
14 Out, 2020 - 17:25

Fadiga: o que é, quais os tipos, causas e tratamento

Camila Farinhas

A fadiga pode ter grande impacto na qualidade de vida de qualquer pessoa, chegando mesmo a ser limitante. Conheça mais sobre este tema.

Mulher com sintomas de fadiga

Quem nunca sentiu falta de energia, cansaço ou fadiga? Atualmente, é cada vez mais comum o sentimento de exaustão causado pelo stress diário. Mas quando é que a fadiga se torna um problema? E o que está na sua origem?

O que é a fadiga?

Mulher com sintomas de exaustão

Fadiga é o nome utilizado mais frequentemente para descrever falta de energia, vitalidade física ou mental. Pode ser temporária ou em alguns casos tornar-se crónica. Na sua origem, podem ainda estar inúmeras doenças ou fatores específicos.

Tipos de fadiga

A fadiga pode assumir diferentes formas, nomeadamente:

Fadiga muscular

A fadiga muscular tem como principal causa o excesso de exercício físico. Geralmente, ocorre após um treino mais intenso e devido ao uso de pesos. Afeta sobretudo os músculos que foram trabalhado em excesso.

Fadiga mental

A fadiga mental, tal como o nome indica, ocorre após o excesso de informação recebida pelo cérebro. É muito comum após longos períodos de trabalho, estudo ou ao computador. Pode sentir exaustão mental, irritabilidade e dor de cabeça, daí a importância de fazer pausas regulares.

Fadiga sensorial

A fadiga sensorial esta relacionada aos órgãos sensoriais, nomeadamente aos olhos e ouvidos. A fadiga auditiva é a exaustão causada pela exposição prolongada a ruídos, e a fadiga ocular está relacionada aos longos períodos de leitura ou ao uso indevido de óculos ou lentes com graduação incorreta.

Fadiga de verão ou “natsubate

Natsubate” é a expressão japonesa dada à fadiga de verão, causada pelas elevadas temperaturas que se fazem sentir. A desidratação e transpiração excessiva causam sonolência, indisposição e cansaço.

Fadiga adrenal

A fadiga adrenal é um tipo específico de fadiga originada após níveis elevados e prolongados de stress, o que resulta na disfunção das glândulas adrenais. Pessoas com este tipo de fadiga, apresentam dificuldades de concentração, exaustão permanente e alterações frequentes de humor. A sua duração máxima pode ir até 6 meses.

Fadiga crónica

A Síndrome da fadiga crónica, ou encefalomielite miálgica, é o nome dado à fadiga persistente que dura há mais de 6 meses. Este tipo de fadiga tem grande impacto na qualidade de vida e chega mesmo a ser limitante. Sabe-se que a fadiga crónica agrava-se após esforço físico ou intelectual e não melhora mesmo após um período de repouso.

Esta doença tem maior incidência entre os 40 e 60 anos de idade, e afeta sobretudo as mulheres. No entanto, pode também surgir em homens, crianças, adolescentes ou em adultos de todas as idades.

Mulher com síndrome de burnout
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Causas mais comuns da fadiga crónica

Mulher na cama a descansar

Não são conhecidas por completo as causas da fadiga crónica. Atualmente, acredita-se que o que está na sua origem é a combinação de diferentes fatores, nomeadamente:

1

Fatores genéticos e ambientais

A Síndrome da fadiga crónica parece ser hereditária. Derivado à exposição de níveis de stress semelhantes ou a determinada substancia ambiental, pessoas da mesma família tendem a responder da mesma forma a estes estÍmulos.

2

Doenças infeciosas

Pessoas com a Síndrome da fadiga crónica relatam frequentemente episódios anteriores de infeção viral como, por exemplo, a gripe. Por isso, acredita-se que alguns vírus podem deixar sequelas mesmo após o seu tratamento.

3

Sistema imunitário

A desregulação do sistema imunitário e o seu enfraquecimento, também parece ser uma das causas possíveis para a fadiga crónica.

4

Alterações hormonais

Alterações no cortisol, também chamada de “hormona do stress”, foram identificadas em algumas pessoas com fadiga crónica. No entanto, não é conhecido o seu real impacto.

Sintomas da fadiga crónica

Mulher com ar cansado

Os sintomas que distinguem o cansaço normal da fadiga crónica são:

  • Fadiga persistente há mais de 6 meses
  • Falhas de memória
  • Dificuldade de concentração
  • Problemas de sono
  • Dor muscular inexplicável
  • Dor nas articulações 
  • Alterações na visão
  • Tonturas
  • Alterações no apetite
  • Perda da libido
  • Dificuldade respiratória
  • Batimentos cardíacos irregulares

Diagnóstico

Mulher numa sessão de terapia com o psicólogo

Não existem exames específicos para diagnóstico da Síndrome da fadiga crónica. Assim, o médico irá avaliar a história clínica e prescrever exames para descarte de distúrbios que possam causar a fadiga crónica, tais como: anemia, doenças renais, doenças inflamatórias (ex. artrite reumatóide), doenças cardíacas, problemas de tiroide, apneia do sono, diabetes ou depressão.

O diagnóstico de fadiga crónica é feito quando nenhuma outra doença que possa causar os mesmos sintomas está associada. Segundo o Instituto de Medicina, está-se perante a Síndrome da fadiga crónica quando

  1. A pessoa apresenta uma redução significativa na capacidade de desempenhar as tarefas diárias há mais de 6 meses. Sente fadiga extrema que não está associada a nenhum esforço físico e que não melhora com o descanso.
  2. A atividade física piora os sintomas.
  3. O sono não é reparador.

E ainda, quando pelo menos um dos seguintes sintomas está também presente:

  • Dificuldade de concentração 
  • Tonturas e vertigens que melhoram quando se está em repouso

Tratamento DA FADIGA CRÓNICA

Após o diagnóstico de fadiga crónica, o seu tratamento passa sobretudo pelo alívio dos sintomas. Assim, podem ser prescritos medicamentos para alívio das dores musculares e articulares. A terapia cognitivo-comportamental pode ser indicada em casos específicos, nomeadamente onde estejam presentes fatores emocionais causadores da fadiga crónica.

Como se pode combater a fadiga crónica?

Algumas estratégias podem ser aplicadas no seu dia-a-dia para combater a fadiga crónica e aumentar a qualidade de vida. São elas: 

1. Melhore a qualidade do seu sono

Dormir bem à noite: mulher deitada na cama a dormir

Uma boa noite de descanso é fundamental para repor energias. Em média, os adultos devem dormir entre 7 a 9 horas diariamente.

Comece por desligar a televisão, telemóvel e o excesso de luz artificial antes de ir para a cama. Assim, o seu organismo entenderá que se está a preparar para o sono. Estabeleça uma hora para se deitar e respeite-a ao máximo.

2. Evite situações de stress e ansiedade

fazer meditação no jardim

Manter a calma e evitar situações de stress, é essencial para atenuar os sintomas da fadiga crónica. Não se deixe sobrecarregar por tarefas diárias e, se necessário, delegue algumas delas. A prática de meditação diária, mesmo que apenas alguns minutos por dia, também pode ajudar no seu relaxamento. Atualmente, existem diversas aplicações gratuitas que pode utilizar. Experimente!

3. Pratique exercício físico

Mulher a correr pela cidade

A prática regular de atividade física tem grande impacto na redução dos sintomas da fadiga crónica. É recomendada a realização de 150 minutos por semana de exercício físico moderado. Deve sempre consultar o seu médico antes de iniciar qualquer atividade física e, se necessário, adequar progressivamente o tempo e esforço despendido, evitando o agravamento das dores musculares ou articulares.

4. Faça uma alimentação saudável

casal a cozinhar em casa

Ter uma alimentação saudável e equilibrada é indispensável no combate à fadiga crónica. Assim, deve privilegiar as frutas, hortícolas e proteínas e beber muita água ao longo do dia. Alguns suplementos alimentares também podem ser utilizados.

Deve evitar os alimentos ricos em sal e em gorduras saturadas, café, álcool e o tabaco. Em caso de dúvida, aconselhe-se junto do seu nutricionista.

Complicações da fadiga crónica

O tratamento da fadiga crónica é essencial para evitar complicações de saúde mais graves como:

  • Depressão
  • Isolamento social
  • Diminuição e restrição da qualidade de vida
  • Efeitos secundários devido ao uso de medicação prolongada

Conclusão

A fadiga crónica pode afetar significativamente a sua vida e, por isso, é essencial que o tratamento adequado seja iniciado. Com algumas alterações nas rotinas diárias, é possível minimizar os seus efeitos e melhorar a qualidade de vida. Se identificou alguns dos sintomas descritos, deve consultar o seu médico para uma avaliação precisa.

Fontes

  1. Centers for Disease Control and Prevention (2020). Myalgic encephalomyelitis/chronic fatigue syndrome. Acedido a 9 de Outubro de 2020. Disponível em: https://www.cdc.gov/me-cfs/
  2. Institute of Medicine (2015). Beyond Myalgic Encephalomyelitis/Chronic Fatigue Syndrome: Redefining an Illness. Disponível em: https://www.nap.edu/catalog/19012/beyond-myalgic-encephalomyelitischronic-fatigue-syndrome-redefining-an-illness  
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