Teresa Santos
Teresa Santos
31 Jul, 2020 - 11:05

Quando é seguro voltar a estar com alguém que teve COVID-19?

Teresa Santos

Sabe quando é seguro voltar a estar com alguém que teve COVID-19? Nós explicamos os procedimentos necessários até se ser dado como recuperado desta doença.

Quando é seguro voltar a estar com alguém que teve COVID-19

Perante as muitas dúvidas que o novo coronavírus ainda coloca, está a de quando é seguro voltar a estar com alguém que teve COVID-19. Essa dúvida está ainda mais presente quando se trata de doentes cuja recuperação está a ser feita no domicílio.

De que maneira um doente com COVID-19 sabe que já não está infetado com o novo coronavírus? Quais são as condições que deve reunir para ter “alta”? Quando é seguro voltar a estar com alguém que teve COVID-19? Respondemos a tudo!

quando é seguro voltar a estar com alguém que teve COVID-19?

Pessoas na rua com máscara

No final do mês de abril, o governo e a Direção-Geral da Saúde anunciaram alterações na forma como os doentes com COVID-19 são ou não considerados recuperados da infeção pelo novo coronavírus.

No caso dos doentes com COVID-19 em recuperação em casa, a “alta” pode ser dada se, passados 14 dias sobre um teste positivo, houver lugar a um teste negativo e se já não existirem sintomas da doença.

Já os pacientes com COVID-19 internados nos hospitais necessitam de dois testes negativos, com um intervalo de 24 horas, para serem considerados recuperados da infeção pelo novo coronavírus.

De acordo com a Diretora-Geral da Saúde, Graça Freitas, esta mudança de procedimentos tem por base “evidências científicas, das orientações das organizações internacionais, da experiência dos outros países e da avaliação” (1).

Assim, podemos considerar que os doentes com COVID-19 que tenham “alta”, ou seja, reúnam o número exigível de testes negativos e já se encontrem sem sintomas estão recuperados da infeção e, por isso, já não são veículos transmissores da mesma. Logo, a partir deste momento, já é seguro voltar a estar com alguém que teve COVID-19.

A partir dessa altura, o doente recuperado pode, igualmente, retomar a sua rotina diária, já tendo permissão para sair de casa, precisamente porque o teste ou testes negativos são sinónimo de que o seu organismo já não se encontra infetado pelo SARS-CoV-2. Portanto, o indivíduo recuperado já não é mais um veículo transmissor da doença.

Por outro lado, mesmo que um doente com COVID-19 se sinta bem e livre de sintomas, ele não deve contactar com outras pessoas, até receber o seu teste negativo e, assim, confirmar que está realmente recuperado. Além disso, convém lembrar que ainda se sabe pouco sobre a imunidade relativamente ao novo coronavírus, pelo que mesmo os doentes recuperados da COVID-19, devem adotar medidas preventivas da infeção por este vírus (1).

Mulher a colocar máscara de proteção reutilizável
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Como se transmite o novo coronavírus?

Ilustração de vírus a propagar-se no ar

A COVID-19 contamina pessoa-a-pessoa, através do contacto próximo com indivíduos infetados pelo SARS-CoV-2 (transmissão direta) ou através do contacto com superfícies e objetos contaminados (transmissão indireta).

O contágio é feito, essencialmente, através de gotículas com partículas virais, libertadas pelo nariz ou pela boca de indivíduos infetados com o novo coronavírus. Para isso, basta que alguém infetado tussa ou espirre perto da boca, nariz ou olhos de outra pessoa ou que essas partículas se depositem em objetos ou superfícies que, depois, sejam tocados pelas mãos de outras pessoas e, assim, cheguem aos olhos, nariz ou boca. Daí, a importância de usar máscara, desinfetar as mãos, manter o distanciamento físico e evitar tocar no rosto com as mãos (2).

Período de contágio

As pesquisas indicam que um indivíduo infetado pode contaminar outras pessoas aproximadamente 1 a 2 dias antes do surgimento dos sintomas. Porém, o indivíduo torna-se mais “infecioso” no período sintomático, ou seja, quando já há manifestação de sintomas, ainda que leves.

Este período infecioso prolonga-se por 7 a 12 dias, nas situações leves a moderadas, e até 2 semanas, nas situações mais graves (2).

Outros veículos de transmissão do vírus

Pagar compras de supermercado com dinheiro

Como já dissemos, embora menos frequente, o contágio pelo novo coronavírus pode ocorrer através do contacto com objetos ou superfícies contaminadas. Os estudos apontam para que, em superfícies de plástico ou metal, o novo coronavírus sobreviva até 72 horas. Por isso, é tão importante fazer uma higienização regular e correta das mãos.

Apesar de também ser um meio raro de contágio pelo novo coronavírus, o dinheiro é algo que circula de mão em mão e, por isso, é conhecido por ser algo sujo. Logo, mais uma vez, a lavagem frequente das mãos é imprescindível.

Já no que respeita ao contacto com as fezes de uma pessoa com COVID-19, o risco de contaminação também é baixo, apesar desta ser um forma de eliminação do vírus. Em todo o caso, quem tiver de cuidar da higiene pessoal de alguém com COVID-19 deve tomar cuidados extra, como usar luvas e lavar bem as mãos, entre outros.

Para já, não há evidência de contágio pelo novo coronavírus através dos alimentos. Contudo, é relevante adotar boas práticas de higiene e segurança, no momento de manipular, preparar e confecionar os alimentos, nomeadamente (2):

  • Lavar bem as mãos, com água e sabão, durante 20 segundos
  • Desinfetar bem as bancadas, mesas e tábuas
  • Evitar a contaminação cruzada entre comida crua e cozinhada
  • Confecionar a comida a temperaturas adequadas
  • Lavar corretamente os alimentos crus
  • Evitar a partilha de comida ou objetos entre pessoas, durante a preparação, confeção e consumo das refeições
Como desinfetar compras de supermercado e take away
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Como prevenir o contágio pelo novo coronavírus

Para evitar o contágio pelo novo coronavírus, há medidas que deve adotar, tais como (2):

  • Etiqueta respiratória – espirrar ou tossir para um lenço de papel descartável ou para o antebraço
  • Lavar as mãos frequentemente, durante 20 segundos, com água e sabão ou com uma solução à base de álcool a 70%, principalmente quando está em contacto com outras pessoas ou toca em objetos e superfícies que não estão contaminadas
  • Evitar tocar com as mãos no rosto
  • Não partilhar, com outras pessoas, objetos pessoais ou comida em que tenha tocado
  • Cumprir o distanciamento físico de, pelo menos, 1,5 metros, em relação a outras pessoas

Fontes

  1. Serviço Nacional de Saúde. Covid-19 | Doentes recuperados. Disponível em: https://www.sns.gov.pt/noticias/2020/04/27/covid-19-doentes-recuperados/
  2. Serviço Nacional de Saúde. COVID-19. Perguntas frequentes. Disponível em: https://covid19.min-saude.pt/perguntas-frequentes/
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