Psicóloga Ana Graça
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03 Ago, 2022 - 18:10

Situação financeira instável e saúde mental: como reagir?

Psicóloga Ana Graça

As dificuldades económicas podem trazer complicações muito vastas. Qual a relação entre situação financeira instável e saúde mental?

Casal em situação financeira instável

Atualmente, além de estarmos a atravessar uma crise derivada da guerra na Ucrânia, estamos também a começar a vislumbrar no horizonte uma crise económica. Depois da ansiedade relacionada com a pandemia, problemas como o desemprego e a perda de rendimentos são também preocupações bem reais. Mas qual a relação entre a situação financeira instável e saúde mental?

Situação financeira instável e saúde mental: que relação?

Quando confrontados com um inimigo externo (como foi, por exemplo, a pandemia de COVID-19), é comum que outros fatores que impactam a nossa saúde física e mental não estejam tão presentes nas nossas preocupações.

Todavia, situações como desemprego, pobreza, dificuldade em manter a habitação ou em garantir as necessidades alimentares da família são extremamente prejudiciais para a saúde, ainda que tenham menor visibilidade na comunicação social.

Estes fatores sociais e financeiros não são tão visíveis. No entanto, não devem ser ignorados já que contribuem para o ampliar das complicações de saúde a nível físico e mental, ainda que tal aconteça a longo prazo.

A instabilidade financeira, o desemprego e a perda significativa de rendimentos são fatores de risco para o emergir de sintomas depressivos, para o aumento do risco de suicídio e para um consumo aumentado de álcool e outras substâncias.

A perda de emprego/rendimentos pode levar a uma menor procura por cuidados de saúde pagos, maiores dificuldades em comprar a medicação habitual e ao adiamento de tratamentos ao nível da saúde mental.   

A situação de desemprego, em particular, tem o potencial de afetar negativamente a saúde mental e emocional. O trabalho oferece sensação de segurança, realização e autoeficácia, é uma oportunidade de conexão com os colegas, confere propósito e significado à vida.

Quando o emprego se extingue, leva com ele muitas destas vantagens. Não se resume apenas à perda do salário, mas também há perda de uma rotina estruturante que contribui para a saúde mental.

Situação financeira instável: como sobreviver?

Casal na sua rotina diária de teletrabalho

Como vimos, a relação entre situação financeira instável e saúde mental é bastante estreita e perigosa para o bem-estar geral. Logo, importa adotar algumas medidas que contribuam para o bem-estar e para a saúde mental em tempos de instabilidade financeira.

1.

Deixar a culpa de lado

A culpa da instabilidade financeira associada a fatores externos (como a pandemia ou a guerra) não nos pertence. Não nos podemos culpar pela redução dos rendimentos ou pela situação de desemprego. Atribuir culpas apenas será ainda mais prejudicial para a saúde mental.

2.

Recorrer à rede social de apoio

Acima de tudo, devemos proteger a nossa saúde, nomeadamente a nossa saúde mental. Uma boa forma de o fazer passa por manter interações sociais frequentes e saudáveis. Estar desempregado ou com dívidas não deve ser motivo para estar só e totalmente isolado.

3.

Fugir das interações sociais tóxicas

Durante um período tão conturbado e desgastante, tudo o que não precisamos é de relações sociais negativas. Devemos rodear-nos de quem nos quer bem, nos apoia e nos quer ver prosperar.  

4.

Criar e manter uma rotina diária

A diminuição de horas de trabalho ou desemprego podem conduzir ao aborrecimento, ao tédio, a sentimentos de desesperança, ao isolamento e à depressão. Para combater estas situações é fundamental a existência de uma rotina diária que mantenha a atividade e a motivação. Idealmente, essa rotina deve incluir:

  • Ciclo regular de sono/vigília;
  • Prática de atividade física;
  • Tempo para desenvolver uma nova habilidade ou um novo projeto;
  • Alimentação cuidada;
  • Tempo no exterior da habituação, sempre que possível e com os devidos cuidados;
  • Tempo de qualidade com outras pessoas.
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