Vida Ativa
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26 Jun, 2024 - 12:01

Doenças da tiroide: manifestações, sintomas e diagnóstico

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As doenças da tiróide mais comuns são o hipertiroidismo, o hipotiroidismo e os nódulos. Fique a par dos sintomas.

Doenças da tiroide: mulher a fazer apalpação da tiroide

As doenças da tiroide manifestam-se através de três condições clínicas, nomeadamente hipotiroidismo (produção hormonal insuficiente), hipertiroidismo (produção hormonal excessiva) e aparecimento de nódulos na tiroide. Vamos saber mais sobre este tema?

A tiroide é uma glândula endócrina situada na zona do pescoço constituída por dois lobos ligados pelo istmo, assemelhando-se assim à forma de uma borboleta, sendo um órgão de extrema importância.

É responsável pela secreção de hormonas, como tiroxina (T4), triiodotironina (T3) e calcitonina, que intervêm na regulação de diversos mecanismos fisiológicos, tais como frequência cardíaca, metabolismo celular, sistema digestivo, manutenção da pele, regulação térmica, metabolismo do cálcio e consequente crescimento ósseo, entre outros.

A atividade das hormonas iodadas (T4 e T3) é regulada pela hormona estimulante da tiroide ou tirotrofina (TSH), sintetizada na hipófise, por um mecanismo fisiológico de feedback negativo, com o objetivo de manter os níveis necessários de T3 e T4 no organismo.

As doenças da tiroide e os seus principais sintomas

Estas patologias manifestam-se por sintomas e sinais de diferentes graus e gravidade, relacionados com a etiologia, duração da doença, idade e presença/ausência de manifestações noutros órgãos. É importante referir que em ambas as manifestações de hipo e hipertiroidismo também é possível a causa ser de origem hipofisiária.

Em termos epidemiológicos estas patologias afetam mais de um milhão de portugueses, com uma prevalência de 4-8%, apresentando o hipotiroidismo uma prevalência superior ao hipertireoidismo.

Alguns dados estatísticos permitem inferir sobre uma maior predisposição para o género feminino, cerca de 83% dos utentes com esta patologia, especialmente em idade fértil.

1.

Hipertiroidismo

Esta condição resulta no excesso da produção de hormonas tiroideias (glândula hiperativa), e consequentemente aumento do metabolismo. Tem uma prevalência superior no género feminino, sendo manifestada frequentemente pela Doença de Graves.

Entre os sinais e sintomas mais frequentes desta disfunção está:

  • perda de peso;
  • alterações de humor;
  • ansiedade;
  • cansaço (principalmente muscular);
  • dispneia;
  • intolerância ao calor;
  • sudorese;
  • tremores;
  • palpitações;
  • insónias;
  • alterações menstruais;
  • bócio (hiperplasia na tiroide);
  • e, por vezes, é também acompanhada por alterações gastrointestinais (diarreia).

Relativamente ao tratamento, pode passar por terapêutica medicamentosa, diminuindo assim a síntese de produção hormonal, como também o tratamento com iodo radioativo (iodo-131) que elimina o tecido tiroideu hiperativo.

Por norma, é um procedimento bem tolerado pela maior parte dos pacientes, e utilizado muitas vezes após tiroidectomia (remoção total ou parcial da tiroide), a fim de evitar o reaparecimento da patologia.

Mulher com bócio na tiroide
2.

Hipotiroidismo

O hipotiroidismo deriva de uma produção insuficiente das hormonas tiroideias, provocando uma diminuição generalizada do metabolismo.

A principal causa é a tiroidite de Hashimoto, onde o próprio organismo produz anticorpos contra o próprio órgão, prejudicando o seu funcionamento (auto-imune).

Outras causas incluem a cirurgia à tiroide, terapia com iodo radioativo, medicamentos que alteram a produção hormonal e alterações cerebrais, nomeadamente onde é sintetizada a TSH.

Os principais sinais e sintomas variam entre:

  • aumento de peso;
  • astenia;
  • intolerância ao frio;
  • fraqueza e dores musculares;
  • pele seca e descamativa;
  • depressão;
  • disfunção sexual;
  • ritmo cardíaco lento;
  • obstipação;
  • queda de cabelo;
  • unhas frágeis;
  • edemas (especialmente nos membros inferiores);
  • irregularidades menstruais;
  • lentificação nos movimentos e raciocínio;
  • bócio e atraso na maturação óssea (no caso de hipotiroidismo congénito).

De uma forma geral a terapêutica (sobretudo oral) desta disfunção consiste, maioritariamente, pela reposição das hormonas tiroideias, sendo a dose ajustada pelo doseamento da TSH. Como se trata de uma patologia crónica, a medicação deve ser mantida de uma forma contínua.

3.

Nódulos na tiroide

Os nódulos na tiroide (vulgarmente designados por “caroços”), com uma proporção de 1:15 nas mulheres e 1:60 nos homens aparecem frequentemente no interior da glândula e podem estar relacionados com carência de iodo, alterações genéticas, inflamação da tiroide e exposição de radiação durante a infância.

Por vezes estão associados ao cancro da tiroide, no entanto, e felizmente, a maior parte dos nódulos aparecem numa condição benigna. Para isso é importante identificar a presença de um só nódulo ou de vários nódulos (condição benigna mais frequente, como bócio multinodular), através de exame físico por palpação e exames imagiológicos.

Como a maior parte dos casos apresentam uma condição benigna, o tratamento incide por reduzir o tamanho do nódulo se a avaliação médica assim o determinar. No entanto pode existir a possibilidade de ser intervencionado cirurgicamente em casos mais particulares.

Normalmente, não apresentam sintomatologia específica, sendo muitas vezes detetados em exames de rotina. Em alguns casos pode provocar:

  • dor na parte frontal do pescoço;
  • algum desconforto na deglutição de alimentos sólidos ou líquidos, no caso de nódulos de maiores dimensões;
  • mais raramente alguns nódulos podem provocar tosse ou falta de ar, caso possam comprimir a traqueia.

De acordo com a British Thyroid Foundation é importante salientar que estas patologias, além de apresentarem uma variedade sintomas físicos, exigem o controlo de sintomas psicológicos inerentes (depressão, ansiedade, alterações de humor e insónias), pois podem manifestar-se por mais tempo, mesmo com os resultados laboratoriais de monitorização normais, e assim condicionar gravemente a rotina diária.

Para isso, é necessário não negligenciar esse tipo de sintomatologia, devendo ser exposta ao médico especialista, pois também faz parte da doença. Adicionalmente, como forma de prevenção e controlo pessoal, deve evitar sobrecargas de stress (sendo considerada uma fonte de agravamento) e outros estímulos negativos, assim como fazer uma dieta equilibrada conjugada com a prática de exercício físico moderado.

Diagnóstico das doenças da tiroide

Mulher a fazer exame à tiróide

A disfunção tiroideia é frequentemente associada a um fenótipo subtil e inespecífico, muitas vezes subclínico, requerendo estudos laboratoriais, imagiológicos (ecografia) e exames de medicina nuclear (cintigrafia) para o correto diagnóstico e monitorização.

Relativamente aos estudos laboratoriais, requerem a determinação da concentração da TSH, geralmente o primeiro parâmetro a sofrer alterações, em combinação com as frações livres das hormonas tiroideias, tiroxina livre (FT4) e triiodotironina livre (FT3) e a pesquisa dos anticorpos anti-tiroideus (anti-tiroglobulina e anti-tiroperoxidase), para a avaliação de uma condição autoimune de hipo ou hipertiroidismo.

De acordo com o algoritmo da Direção-Geral da Saúde, referentes aos exames laboratoriais para a avaliação da tiroide, podemos concluir que para uma condição de: hipertiroidismo é espectável um aumento da FT4 (ou T3 total) e diminuição de TSH, ou se perante hipertiroidismo subclínico os valores de FT4 apresentam-se normais mantendo a TSH diminuída; hipotiroidismo é esperada uma diminuição de FT4 e aumento de TSH, o que não se verifica numa condição de hipotiroidismo subclínico onde a FT4 apresenta valores normais e aumento de TSH.

Condição Clínica Parâmetro analítico TSH  FT4
HipertiroidismoDiminuídaAumentada (e/ou T3 Total aumentada)
Hipertiroidismo subclínicoDiminuídaDentro dos valores de refêrencia
HipotiroidismoAumentadaDiminuída
Hipotiroidismo subclínicoAumentadaDentro dos valores de refêrencia

Adicionalmente, o doseamento de tiroglobulina (proteína sintetizada e específica do tecido tiroideu) é importante no seguimento pós-tiroidectomia e não como parâmetro isolado de diagnóstico.

Aliado à avaliação laboratorial, e especialmente em casos de presença de nódulos, é possível efetuar exames mais específicos como é o caso da citologia aspirativa com agulha fina (CAAF), sendo a sua intervenção avaliada previamente pela confirmação ecográfica de nódulo da tiroide. Este exame é realizado com controlo através de ecografia, e consiste na aspiração de células, para posterior estudo citológico.

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