Mónica Carvalho
Mónica Carvalho
16 Mai, 2022 - 08:43

Hipertensão arterial é mais comum em pessoas com diabetes

Mónica Carvalho

Um alerta deixado pela Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal informa para os perigos da relação entre hipertensão arterial e diabetes.

Hipertensão e diabetes: médica a medir a tensão a paciente diabético

No âmbito do Dia Mundial da Hipertensão Arterial, 17 de maio, a Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP) alerta para a prevalência de hipertensão arterial em diabéticos.

A Associação apela para a “importância do papel do doente na prevenção de complicações associadas à diabetes e à hipertensão”, visto que o aparecimento desta patologia é duas vezes mais comum nas pessoas com diabetes.

Hipertensão arterial e diabetes: cuidados redobrados

Medidor de tensão e caneta de insulina em cima de uma mesa

A hipertensão arterial em pessoas com diabetes tem características específicas, verificando-se, assim uma “maior prevalência de hipertensão noturna, o que confere um risco acrescido de eventos cardiovasculares”, afirma Pedro Matos, cardiologista da APDP.

Nesse sentido, o profissional alerta que “é fundamental estarmos atentos à variabilidade tensional do indivíduo com diabetes, assim como ao perfil glicémico do doente com hipertensão arterial. Para isso, é essencial otimizar o controlo dos níveis tensionais, através de medições regulares em ambulatório, razão pela qual o processo de educação terapêutica junto do doente, feita pelos profissionais de saúde que o seguem, é ponto-chave para se atingirem objetivos de controlo. Sensibilização, ensino, simplificação do esquema terapêutico, seleção e ajuste de fármacos, com base numa individualização de risco.”

O controlo da diabetes ajuda, assim a prevenir o aparecimento de outras doenças, nomeadamente hipertensão, como já referido, mas também a doença renal, que poderá desencadear insuficiência renal. Um problema que é, igualmente “um poderoso fator de risco para eventos cardiovasculares.”

O cardiologista refere a necessidade de “explicar adequadamente às pessoas com diabetes de que forma pode ser feita uma prevenção mais eficaz.”

Para tal, “são exigíveis formas de intervenção estruturadas e múltiplas, quer na modificação do estilo de vida, quer no recurso a combinação de vários fármacos para conseguir algum grau de eficácia. O próprio doente tem de estar sensibilizado e educado para adotar estas medidas, fazer o seu autocontrolo regular e interagir com os profissionais de saúde, para ajuste terapêutico.”

Diabetes e COVID-19: qual a ligação?

Mulher a injetar insulina na barriga

No contexto pandémico em que vivemos, os pacientes com doenças crónicas, como a diabetes e a hipertensão, pertencem aos grupos de risco, ficando, assim, mais vulneráveis ao desenvolvimento de complicações graves com a infeção por COVID-19.

COVID-19 e diabetes: mulher com caneta de insulina
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José Manuel Boavida, presidente da APDP defende que “deve ser definida uma estratégia que assegure a segurança destes grupos de risco em relação ao trabalho presencial. Essa estratégia, que depende do controlo metabólico individual, das comorbilidades e do próprio contexto laboral, deve ser da responsabilidade do médico assistente, o mais habilitado pelo seu contacto regular com a pessoa com diabetes, para decidir, com base nas premissas anteriores, o potencial de um eventual contágio.”

De relembrar que, em caso de dúvidas ou necessidade de acompanhamento, a APDP disponibiliza ainda a Linha de Apoio Diabetes (21 381 61 61), todos os dias, das 8h às 20h.

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