Psicóloga Ana Graça
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29 Jul, 2020 - 11:05

Depressão pós-parto: o que é e quais as ajudas disponíveis

Psicóloga Ana Graça

A depressão pós-parto é mais comum do que se pensa e pode causar um sofrimento intenso. Conheça os sintomas e as ajudas disponíveis.

Mulher com depressão pós-parto

A investigação mostra que 10 a 15% das mães desenvolve depressão pós-parto. Tendo em conta esta considerável incidência e as repercussões adversas que a depressão pós-parto pode ter em toda a família, importa conhecer melhor e prestar maior atenção a esta realidade (1).

COMPREENDER A DEPRESSÃO PÓS-PARTO?

Bebé a dormir no colo da mãe

Entende-se por depressão pós-parto a ocorrência de um episódio depressivo que ocorre em estreita relação com o parto e que geralmente tem início 2 ou 3 meses após o nascimento do bebé. Apesar de habitualmente ter uma duração média de 3 ou 4 meses, em alguns casos os sintomas podem estender-se no tempo.

Esta tipologia de depressão surge associada a um marcante acontecimento do ciclo de vida: o nascimento de um filho. Na mulher, a depressão é mais provável surgir após o parto do que na gravidez ou noutras fases da maternidade (1).

Em alguns casos, a depressão pós-parto pode também iniciar-se mais tarde, quando a mulher tem o primeiro período menstrual ou depois de deixar de amamentar (possivelmente, devido às flutuações hormonais).

Importa distinguir a depressão pós-parto do baby blues/melancolia pós-parto. Quando esta melancolia não desaparece, nem desvanece, o mais provável é estarmos perante uma situação de depressão. Assim, de forma resumida, importa reter que a depressão pós-parto é mais duradoura e menos comum (2).

PRINCIPAIS SINTOMAS da depressão pós-parto

Mulher com sintomas de depressão pós-parto

Para além dos sintomas comuns de depressão (por exemplo, choro, irritabilidade, tristeza, desespero, impotência), na depressão pós-parto há sintomas que, por norma, se tornam mais exuberantes, nomeadamente:

  1. Queixas físicas (por exemplo, fadiga e/ou perda de apetite) (1, 2).
  2. Níveis elevados de ansiedade e preocupação (1, 2).
  3. Culpabilidade extrema (1).
  4. Acentuada diminuição da autoestima (1).
  5. Insónia de adormecimento (1, 2).
  6. Incapacidade ou falta de vontade para cuidar de si mesma ou do recém-nascido (2).
  7. Aversão ao recém-nascido (2).
  8. Agravamento dos sintomas com o decorrer do dia (1).
Sintomas da ansiedade: mulher com olhar vazio
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FATORES QUE PROPICIAM A DEPRESSÃO APÓS O NASCIMENTO DO BEBÉ

Mãe com bebé no colo

A investigação mostra que a depressão após o nascimento do bebé tende a desenvolver-se em mulheres que:

  • Não beneficiam de relações positivas com o cônjuge (1)
  • Não usufruem de uma rede de apoio consistente por parte de familiares e amigos (1)
  • Têm bebés com dificuldades temperamentais (1)
  • Já tiveram depressão pós-parto (2)
  • Têm antecedentes pessoais ou familiares de depressão (2)
  • Sofrem de síndrome pré-menstrual grave (2)
  • Passaram muito tempo a sentir-se em baixo durante a gravidez (2)
  • Tiveram uma gravidez ou um parto complicados (2)
  • Têm um bebé com problemas de saúde (2)

QUAIS AS AJUDAS DISPONÍVEIS?

A gravidade e o tipo de sintomas apresentados definem as necessidades de ajuda das recém-mães. Algumas mulheres enfrentam apenas dificuldades ligeiras em lidar com as novas tarefas impostas pela maternidade e requerem um apoio geral, não especializado (por exemplo, ajuda na prestação dos cuidados diários ao bebé ou ajuda ao nível da amamentação) (1).

Outras recém-mães necessitam de maior apoio, no sentido de diminuir o isolamento e a culpabilidade associada à presença de sintomas depressivos. Nestas situações a participação em grupos de apoio e suporte mostra-se adequada e importante, dado que permite que a mulher partilhe a sua experiência com outras mulheres que enfrentam as mesmas vivências.

Há ainda situações que requerem uma intervenção mais especializada e individualizada, pelo que importa procurar ajuda médica e psicológica nestes casos (1).  

Seja qual for o tratamento ou combinação de tratamentos que a recém-mãe decidir, juntamente com o médico que a acompanha, ser o mais adequado a seguir, importa ter em mente que avaliar e intervir na depressão pós-parto o mais cedo possível é de suma importância.

A depressão pós-parto pode ter efeitos devastadores a vários níveis, nomeadamente: na criação de laços com o bebé; na manutenção de relações pessoais saudáveis; na saúde e no bem-estar da recém mãe (2).

EM SUMA

Nenhuma recém mãe deveria passar por uma depressão pós-parto mas, infelizmente, é um problema relativamente comum. Importa lembrar que esta tipologia de depressão não é inevitável, nem é expectável ou normal.

Na presença dos sintomas acima descritos importa pedir ajuda com a maior brevidade possível, de forma a diminuir o sofrimento e a ser capaz de começar a desfrutar em pleno do bebé (2).

Fontes

  1. Figueiredo, B. (2001). Depressão pós-parto: considerações a propósito da intervenção psicológica. Psiquiatria Clínica. 3:22 (2001) 329-339. Disponível em: https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/4218/1/Depress%c3%a3o%20p%c3%b3s-parto%20%282001%29.pdf
  2. Murkoff, H., Mazel, S. (2017). O que esperar quando está à espera de bebé. 1ª edição. Casa das Letras.
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