Psicóloga Carolina Pinheiro
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16 Set, 2019 - 16:30

Ansiedade no regresso às aulas: como lidar com a insegurança

Psicóloga Carolina Pinheiro

A ansiedade no regresso às aulas faz-se acompanhar de um misto de emoções. É sobretudo um momento de crescimento para filhos e pais e falhar faz parte.

Ansiedade no regresso às aulas: dicas para ultrapassar

Começou mais um ano letivo, para uns mais um ano, para outros o início de uma etapa importante. A ansiedade no regresso às aulas é um fenómeno comum e natural em filhos/alunos e pais.

Para quem inicia esta nova etapa, o confronto com as regras, a autoridade e a solidão (por exemplo, caso haja uma saída de casa) podem ser bastante angustiantes.

Para alguns é a própria situação de aprendizagem que desencadeia medos que perturbam a organização intelectual. Reconhecer os pensamentos que desencadeiam a ansiedade e aceitá-los são condições favoráveis para uma aprendizagem eficaz (1).

O que é a ansiedade?

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A ansiedade é uma reação normal e funcional na vida do ser humano que nos permite preparar para a luta ou fuga (2). Todos nós em algum momento das nossas vidas sentimos ansiedade, seja perante um exame, entrevista ou quando necessitamos de tomar uma decisão importante (3).

As respostas mais prevalentes a esta condição podem surgir perante fatores cognitivos como apreensão pelo desconhecido; fisiológicos como postura tensa, expressão facial cansada, dores de cabeça e problemas de estômago; comportamentais, como a fuga da situação temida; afetivos e neurológicos desencadeada pela resposta que indivíduo faz de determinada situação e o comportamento que tem diante da mesma (4).

No fundo, a ansiedade é uma resposta do indivíduo desencadeada por uma avaliação cognitiva de ameaça face a um determinado acontecimento, considerado relevante para o mesmo. Tal como os estudos referem: “a ansiedade é uma sensação subjetiva de inquietação, pavor ou apreensão e pode variar de acordo com o perigo percebido” (5).

A Ansiedade no regresso às aulas

Terminadas as férias, setembro dá entrada a um novo ciclo que se faz acompanhar de um misto de emoções, entre elas a ansiedade de regresso às aulas. É sobretudo um momento de crescimento para filhos e pais e falhar faz parte. Motivar, educar, transmitir segurança são imperativos nesta fase.

Naturalmente, quanto maior for a convicção de uma pessoa para realizar uma tarefa específica ou resolver um problema, melhor saberá lidar com a sua ansiedade (6).

Dependendo de cada um, a ansiedade de regresso às aulas poderá ser considerada funcional ou pelo contrário, menos funcional se prolongada, interferindo com o funcionamento do indivíduo (3,7). O que está em causa é o significado que cada pessoa dá à experiência: se vai gerar tensão e fazer com que o indivíduo desenvolva sintomatologia ansiosa.

Um estudo recente concluiu que quando temos uma ansiedade moderada e grave o desempenho académico tende a diminuir. No entanto, embora a ansiedade quando exacerbada possa ser prejudicial, existe um nível de ansiedade onde o desempenho académico vai ser melhor, considerando-se funcional (4).

Ansiedade no regresso Às aulas: Sinais de alerta para alunos e pais

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  • Inquietação
  • Fadiga
  • Dificuldade em concentrar-se ou sensações de “branco” na mente
  • Irritabilidade
  • Tristeza
  • Tensão muscular
  • Dificuldades de sono
  • Ansiedade e preocupação excessivas (expectativa apreensiva) acerca de diversos eventos ou atividades como: responsabilidades nos trabalhos
  • As crianças/adolescentes tendem a preocupar-se excessivamente com a sua competência ou a qualidade de seu desempenho (8)

5 dicas para lidar com a ansiedade de regresso às aulas 

  1. Organização: preparar livros, cadernos, canetas atempadamente para não criar stress no regresse às aulas.
  2. Criar hábitos de estudo: em que ambientes o estudo é melhor; sozinho, acompanhado, em silêncio? E a que horas do dia?
  3. Tirar apontamentos no decorrer das aulas: com isso ganha-se tempo, atenção e conhecimento.
  4. Respirar fundo sempre que se sentir num estado mais ansioso.
  5. Fazer pausas entre estudo e praticar exercício físico (9).

5 dicas para os pais: é possível sobreviver

  1. Promova rotinas: sentido de organização, planificação e autonomia (preparar a mochila, cuidar do material de estudo, preparar a lancheira, entre outros), estas convertem-se num padrão identitário e distintivo da família.
  2. Transmita segurança: motive, falhar faz parte.
  3. Defina regras de estudo e de brincadeira.
  4. Promova um ambiente de comunicação: com os olhos, os gestos, os sons e palavras e de partilha estimulando a presença de todos os elementos da família.
  5. Não transmita a sua ansiedade/insegurança para o seu filho.

A determinação primária de quando o medo ou a ansiedade são excessivos ou desproporcionais é feita pelo profissional de saúde, tendo em conta fatores contextuais culturais, afetivos e emocionais. Estas são algumas orientações, contudo, em determinados casos ou situações, é necessário um acompanhamento profissional e individualizado.

Fontes

1. Boimare, S. (2001). A criança e o medo de aprender. Edição Climepsi.
2. Mental Health Foundation. (2014). Are tou anxiety aware. A guide to living with anxiety. Disponível em: 
https://www.mentalhealth.org.uk/publications/are-you-anxiety-aware-booklet 
3. Gomes, R., Vilela, C. (2015). Ansiedade, Avaliação Cognitiva e Esgotamento na Formação Desportiva: Estudo com Jovens Atletas. Disponível em:
https://revistas.rcaap.pt/motricidade/article/view/4214/6475
4. Lopes, J. et al. (2019). Ansiedade versus Desempenho Académico: uma análise entre estudantes universitários. Cadernos de Pós Graduação. Disponível em: 
https://periodicos.set.edu.br/index.php/fitsbiosaude/article/view/6151/3338
5. Guimarães, M. F. (2014). Depressão, ansiedade, estresse e qualidade de vida de estudantes de universidades pública e privada (Dissertação de Mestrado em Psicologia). Disponível em: 
http://tede.metodista.br/jspui/handle/tede/1348
6. Loricchio, T. M. B. et al. (2012). Estresse, ansiedade, crenças de autoeficácia e o desempenho. Disponível em:
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1677-04712012000100005
7. Miranda, G. J. et al. (2017). Ansiedade e desempenho académico: um estudo com alunos de ciências contábeis. Disponível em: 
http://congressousp.fipecafi.org/anais/AnaisCongresso2017/ArtigosDownload/122.pdf
8. American Psychiatric Association (2014). DSM-5: Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (5.ª ed.). Disponível em:
https://www.nice.org.uk/guidance/cg113
9. National Institute for Health and Care Excellence. (2011). Generalised anxiety disorder and panic disorder in adults: management. Disponível em: 
https://www.nice.org.uk/guidance/cg113 

Veja também