Camila Farinhas
Camila Farinhas
12 Nov, 2020 - 14:04

O que é a vaginose cacteriana e como se diferencia da candidíase

Camila Farinhas

A vaginose bacteriana é a infeção mais comum nas mulheres em idade fértil e ocorre quando há um desequilíbrio da flora vaginal. Saiba mais neste artigo.

Mulher com sintomas de vaginose bacteriana

A grande maioria das infeções vaginais são causadas por bactérias, como é o caso da vaginose bacteriana, e não por fungos, como é o caso da candidíase. Embora pareça assustadora,a vaginose Bbcteriana é uma infeção vaginal bastante frequente, mas muito fácil de tratar. Porque cuidar de si é fundamental, dizemos-lhe quais os sintomas e como tratá-la.

O que é a vaginose bacteriana?

Ilustração de bactérias

A vaginose bacteriana é uma infeção causada por bactérias e ocorre quando existe um desequilíbrio da flora vaginal. Em condições normais, esta flora tem pH ácido e é constituída maioritariamente por Lactobacillus (bactérias boas), que têm como função proteger a vagina de infeções.

Em menor número, também estão presentes bactérias nocivas e fungos. Quando o pH da vagina sofre um aumento, as bactérias nocivas crescem exponencialmente e passam a estar em maior número causando, assim, a Vaginose Bacteriana.

Principais causas

O período menstrual, a toma de antibióticos e ainda a lavagem excessiva da zona íntima alteram o pH da vagina tornando-a mais propensa ao desenvolvimento de bactérias nocivas.

Sabe-se ainda que este problema ocorre com mais frequência em mulheres que:

  • Têm uma doença sexualmente transmissível
  • Têm vários parceiros sexuais
  • Utilizam o Dispositivo Intrauterino (DIU)

Sintomas da vaginose bacteriana

Exames ginecológicos de rotina

Os sintomas mais frequentes de infeção de vaginose bacteriana são:

  • Odor desagradável, muitas vezes identificado como “odor a peixe”
  • Corrimento aquoso
  • Corrimento de cor branca-acinzentada
  • Agravamento dos sintomas após as relações sexuais ou durante o período menstrual

É importante salientar que muitas mulheres podem não ter quaisquer sintomas e que a Vaginose Bacteriana, por não se tratar de uma infeção sexualmente transmissível, não causa desconforto ou irritação.

Diagnóstico

Caso identifique alguns dos sintomas deste problema deve consultar o seu médico/a para que seja observada e seja feito o diagnóstico. Este é baseado em:

  • Exame pélvico
  • Análise de uma amostra do corrimento e/ou do líquido do colo do útero para a análise laboratorial e onde se identifica o microorganismo responsável pelos sintomas
Saúde da mulher
Veja também Saúde da mulher: 5 atitudes fundamentais para cuidar de si

Vaginose bacteriana ou candidíase: como identificar?

Ilustração de fungo da candidíase

Ao contrário da vaginose bacteriana, que tem na sua origem bactérias, a candidíase tem como responsável o fungo Candida albicans. Os sintomas de candidíase são prurido ou comichão, dor na zona envolvente à vagina e corrimento de cor branca.

Atualmente, está disponível um teste de autodiagnóstico que permite avaliar se o pH da vagina está dentro do valor normal. Através de um pequeno dispositivo semelhante a um tampão, é possível identificar qual a infeção vaginal que está presente.

Se o pH estiver aumentado, provavelmente a infeção vaginal presente é a vaginose bacteriana. Já um pH normal, é indicativo de candidíase. Estes resultados devem ser complementados com a tabela de sintomas fornecida em conjunto com o teste (1).

No entanto, é fundamental que consulte o seu médico ou farmacêutico antes de iniciar qualquer tratamento.

Tratamento da vaginose bacteriana

O tratamento desta infeção passa por:

  • Antibióticos tomados por via oral durante 7 dias

Ou

  • Creme vaginal, inserido com aplicador, durante 7 dias. Este creme ajuda a regularizar o equilíbrio de pH da Vagina, elimina o mau odor e o corrimento anormal e restabelece a flora vaginal (2).

Ao fim de poucos dias, os sintomas de Vaginose Bacteriana vão desaparecendo mas é fundamental que realize o tratamento na sua totalidade.

Vaginose bacteriana e gravidez

Grávida deitada na cama a descansar

Durante a gravidez, a zona íntima da mulher sofre inúmeras alterações, entre as quais um aumento de bactérias nocivas nesta região. Assim, caso identifique alguns dos sintomas de vaginose bacteriana, deve consultar o seu médico/a para que este a observe e prescreva o tratamento adequado à sua condição atual.

Na gravidez, esta infeção pode causar complicações como doença inflamatória pélvica, risco acrescido de aborto espontâneo e ainda, maior probabilidade de parto prematuro.

É possível prevenir a vaginose bacteriana?

Alguns comportamentos a adotar no dia a dia podem prevenir esta infeção. São eles:

  1. Evitar a utilização de desodorizantes e/ou produtos com perfume na zona da vagina.
  2. Evitar a lavagem excessiva da zona íntima.
  3. Evitar o uso de detergentes com aroma acentuado quando lava a roupa interior.
  4. Mudar com frequência o tampão ou o penso higiénico.
  5. Limpar-se da frente para trás quando vai à casa de banho.
  6. Secar a área à volta vagina depois de se ter lavado, tomado banho ou praticado desporto. A humidade favorece a proliferação de bactérias.
  7. Mudar de roupa interior depois de nadar ou de praticar desporto.

Conclusão

Embora seja uma infeção bastante frequente e de fácil tratamento, a vaginose bacteriana causa desconforto pelos sintomas e, especialmente em grávidas, podem levar a complicações. Assim, se identificou alguns dos sintomas não hesite em consultar o seu médico/a ou farmacêutico.

Fontes

  1. Bayer (2020). Gyno-Canestest: Teste de autodiagnóstico de Infeções Vaginais. Acedido a 11 de Novembro de 2020. Disponível em: https://www.antifungicos.bayer.pt/saude-intima/produtos/gyno-canestest/
  2. Bayer (2020). Gyno-Canesbalance gel vaginal. Acedido a 11 de Novembro de 2020. Disponível em: https://www.antifungicos.bayer.pt/saude-intima/produtos/gyno-canesbalance/
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