Camila Farinhas
Camila Farinhas
25 Set, 2020 - 13:57

7 exames ginecológicos de rotina que deve realizar

Camila Farinhas

Os exames ginecológicos de rotina são essenciais para avaliar a saúde da mulher. Conheça em seguida quais são e quando os deve realizar.

Exames ginecológicos de rotina

Os exames ginecológicos de rotina assumem um papel fundamental na deteção precoce de várias doenças, como as infeções sexualmente transmissíveis, alterações hormonais, quistos e tumores. Porque cuidar de si e da sua saúde é fundamental, conheça em seguida alguns dos exames que deve realizar. 

Qual a importância dos exames ginecológicos de rotina?

A consulta de ginecologia deve ser iniciada com a entrada na idade fértil e realizada preferencialmente todos os anos . Muitas mulheres referem o desconforto e a falta de tempo para cuidarem de si como principais razões para adiar a ida ao ginecologista. No entanto, é importante relembrar que a deteção precoce é fundamental para evitar danos graves na sua saúde.

Quais os exames que devem ser realizados?

Os exames ginecológicos de rotina são realizados em consultório, e outros são prescritos pelo seu médico para realização em laboratório. São eles:

1

Toque vaginal

Ginecologista a preparar-se para fazer exame de toque vaginal a paciente

O toque vaginal é um exame feito durante a consulta de ginecologia para avaliar possíveis irregularidades na vagina ou colo do útero.

Em posição ginecológica, o médico especialista introduz os dedos de uma mão no interior da vagina da mulher e coloca a outra mão no abdómen. Assim, é possível avaliar a presença de doenças pélvicas ou possíveis inflamações. Durante a gestação, este exame é também realizado para avaliar o estado do colo do útero e a dilatação.

2

Papanicolau

O teste de papanicolau ou citologia cervico-vaginal, é o exame para rastreio do cancro do colo do útero mais realizado. Este exame consiste na recolha (ou raspagem) de células do colo do útero que posteriormente serão analisadas em laboratório. É efetuado em consultório, de forma rápida e praticamente indolor.

É recomendada a sua realização a cada três anos, entre os 25 e 65 anos de idade. Este rastreio pode ainda estar organizado com a realização da citologia a cada três anos até aos 30 anos, seguida de um teste de pesquisa de Papilomavírus Humado (HPV) de alto risco a cada cinco anos, até aos 65 anos de idade (1, 2, 3).

No entanto, a periodicidade pode variar de acordo com a história clinica da mulher e resultados de exames anteriores.

3

Colposcopia

A colposcopia é o exame que observa a superfície do colo do útero, da vagina e da vulva com recurso a um colposcópio, aparelho semelhante a um microscópio. Com a mulher em posição ginecológica, são aplicadas soluções líquidas que ajudam na diferenciação das células por método de coloração.

Caso se verifiquem alterações, o médico pode realizar uma biópsia ou tratamentos locais, tais como: aplicação de fármacos, criocoagulação e tratamento a laser.

A colposcopia está indicada quando são detetadas células anormais na citologia de rastreio do colo do útero, ou ainda em alterações detetadas na observação ginecológica, hemorragias ou em mulheres com risco acrescido de doença.

4

Exame da mama

Durante a consulta de ginecologia, o médico especialista efetua a palpação da mama, avaliando a existência de alterações como é o caso dos nódulos mamários. Caso se verifiquem, pode solicitar exames adicionais como a ecografia mamária para complementar o diagnóstico.

Mensalmente, a mulher deve também realizar o auto-exame da mama, após o término da menstruação.

5.

Mamografia

Mulher a fazer mamografia

Mulheres assintomáticas entre os 45 e os 69 anos de idade devem realizar mamografia a cada dois anos.

Nesta faixa etária, a ecografia mamária poderá ser usada em complemento no caso de mamas mais densas ou com prótese mamária (4). O rastreio por ressonância magnética está apenas indicado para mulheres com história familiar de cancro de mama (5).

Mulheres com idade inferior a 35 anos ou grávidas devem realizar ecografia mamária, uma vez que este exame não utiliza radiação ionizante ao contrário da mamografia (4).

A Liga Portuguesa Contra o Cancro é a responsável pelo Programa de Rastreio de Cancro da Mama, tendo realizado até o ano de 2018 cerca de 4 milhões de mamografias de rastreio (6).

6

Ecografia ginecológica

A ecografia ginecológica é o exame de rastreio e diagnóstico que permite avaliar a saúde pélvica da mulher e uma possível gestação. Este exame é efetuado na consulta ginecológica de rotina e pode ser realizado por:

  • Via transabdominal (ou supra-púbica): a sonda é colocada exteriormente na região pélvica
  • Via endocavitária (ou endovaginal): a sonda é introduzida na vagina, tornando possível uma melhor avaliação dos órgãos reprodutores

Estas duas abordagens podem ser utilizadas em conjunto ou separadamente, de acordo com decisão clinica. Este exame tem a duração aproximada de 10 minutos e não é necessária preparação, exceto na ecografia supra-púbica onde idealmente a bexiga deve estar cheia.

7

Análises sanguíneas

Mulher a fazer análises de sangue

Além dos exames anteriormente mencionados, o médico pode ainda prescrever a realização de análises sanguíneas gerais, tais como: hemograma completo, glucose, triglicéridos, colesterol, função tiroideia, analise à urina, entre outros.

Análises mais específicas podem ser prescritas, de acordo com as características individuais de cada mulher e possíveis queixas.

Conclusão

A consulta ginecológica é fundamental para a deteção de inúmeras patologias. A periodicidade dos exames ginecológicos de rotina, pode sofrer alterações conforme historia clínica e familiar da mulher, ou ainda, por decisão clínica. Em caso de dúvida, fale com o seu médico ou profissional de saúde. Cuide de si!

Fontes

  1. Direção-Geral da Saúde (2008). Programa Nacional de Saúde Reprodutiva: Saúde reprodutiva – Planeamento familiar. Disponível em: https://www.saudereprodutiva.dgs.pt/normas-e-orientacoes/planeamento-familiar–contracepcao/saude-reprodutivaplaneamento-familiar-edicao-revista-e-actualizada-pdf.aspx 
  2. Sociedade Portuguesa de Ginecologia. (2014). Consenso sobre infecção por HPV e neoplasia intraepitelial do colo vulva e vagina. Disponível em: http://www.spginecologia.pt/uploads/Livro-de-Consenso-prova-3-FINAL.pdf  
  3. Sociedade Portuguesa de Ginecologia. (2020). Cancro Ginecológico: Consensos Nacionais. Disponível em: http://www.spginecologia.pt/uploads/consensos-de-oncologia-2020.pdf
  4. Direção-Geral da Saúde. Norma 051/2011: Abordagem Imagiológica da Mama Feminina. Disponível em: https://www.dgs.pt/directrizes-da-dgs/normas-e-circulares-normativas/norma-n-0512011-de-27122011-jpg.aspx
  5. American Cancer Society. Breast Cancer Screening for Women at Average Risk2015 Guideline Update From the American Cancer Society. Acedido a 25 de Setembro de 2020. Disponivel em: https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/2463262?resultClick=24
  6. Liga Portuguesa Contra o Cancro (2020). Programa de Rastreio de Cancro de Mama. Acedido a 25 de Setembro de 2020. Disponível em: https://www.ligacontracancro.pt/servicos/detalhe/url/programa-de-rastreio-de-cancro-da-mama/
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