Psicóloga Ana Graça
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21 Jan, 2021 - 09:22

Scroll passivo: quantas horas por dia perde no telemóvel?

Psicóloga Ana Graça

Um estudo recente indica que, em média, interagimos com o nosso telemóvel 81 vezes por dia! Dessas, quantas serão as situações de scroll passivo?

Mulher a fazer scroll passivo nas redes sociais enquanto bebe chá

A frequência com que recorremos às redes sociais e a forma como tiramos proveito das mesmas está mais relacionada com o nosso bem-estar do que julgamos. Vamos conhecer um pouco mais acerca do fenómeno do scroll passivo e das suas potenciais consequências ao nível da saúde mental.

Scroll passivo, já ouviu falar?

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Pode até nunca ter ouvido falar em scroll passivo, mas o mais provável é que este ato esteja profundamente enraizado no seu dia a dia e no uso diário que dá ao seu telemóvel.

Mas, afinal, o que é o scroll passivo? Nada mais, nada menos, que assumir uma postura passiva, apenas de espectador, observando as publicações das outras pessoas sem comentar ou ter qualquer interação direta com as mesmas. Por outro lado, um uso ativo das redes sociais diz respeito às situações em que existe uma comunicação interativa, tal como comentar ou responder a comentários.

A forma como usamos as nossas redes sociais tem vindo a ser associada a possíveis problemas ao nível da saúde mental, sobretudo quando fazemos um uso passivo das mesmas.

As investigações realizadas neste âmbito referem que o uso passivo das redes sociais pode estar associado a um menor bem-estar geral, maior sintomatologia depressiva, maior inveja e ansiedade social.

Mais ainda, ao adotar o scroll passivo como forma primordial de uso das redes sociais não se está a retirar das mesmas algumas das suas principais vantagens, como por exemplo a obtenção de suporte social e a criação e a manutenção de conexões sociais (1, 2, 3).

Scroll passivo: como melhorar este hábito que tanto tempo consome?

Mulher a navegar na internet através do smartphone

Um estudo recente mostra que, em média, interagimos com o nosso telemóvel 81 vezes por dia, ou seja, a cada 12 minutos (assumindo que dormimos 8 horas). Quem nunca se surpreendeu com a quantidade de tempo despendida a percorrer as stories do Instagram ou o feed do Facebook?

De facto, o uso passivo das redes sociais pode consumir demasiado tempo, bem como tende a não trazer grandes vantagens. Mas como podemos contornar o fenómeno do scroll passivo?  Eis algumas dicas:

1. Tentar limitar a intrusão que este pode ter na nossa vida e o tempo que nele perdemos. Para evitar que o hábito de scroll passivo seja tão automático importa tomar consciência do mesmo e do tempo que este consome.

2. Fazer o esforço de mudar a forma como estamos presentes nas redes sociais, optando por dar primazia a uma postura mais ativa.

3. Desligar, sempre que possível, as notificações. Recorremos ao telemóvel e às redes sociais já quase de forma automática, pelo que são de evitar estímulos extra para tal, como as notificações.

4. Fazer um uso intencional e não automático das redes sociais, ou seja, ter sempre em mente qual a nossa motivação para recorrer às mesmas. Por exemplo, se queremos procurar uma receita ou enviar uma mensagem a um amigo, devemos fazê-lo e depois sair da rede social.

5. Substituir algumas aplicações por atividades diferentes. Importa reavaliar a pertinência de manter instaladas aquelas aplicações extremamente viciantes, que consomem demasiado tempo por dia e não acrescentam grandes vantagens. Por exemplo, em vez de optar por uma aplicação que notifica acerca de todas as notícias, porque não comprar e ler o jornal?

6. Definir um período de tempo diário para estar longe do telemóvel. Esse tempo deve não só incluir o período de sono noturno, mas também algumas horas diárias (4, 5).

⁠Conclusão

Navegar nas redes sociais é, para muitos de nós, uma atividade agradável, à qual dedicamos muito do nosso tempo livre. Este hábito, por si só, não é negativo ou prejudicial. O problema surge quando o uso do telemóvel e das redes sociais se torna automático, pouco consciente, pouco intencional ou quando serve para escapar a desconfortos e problemas reais.

Importa, portanto, prestar maior atenção ao hábito de scroll passivo, tentando manter uma relação mais saudável com os nossos telemóveis e com as nossas redes sociais, ao invés de ficar a ver a vida a passar através do ecrã, sem dela tirar todo o partido possível.

Um desafio: na próxima vez que lhe apetecer pegar no telemóvel sem uma intenção específica, tente adiar essa vontade mais um pouco e vá aumentando esse tempo de espera gradualmente, ocupando-o com outra atividade mais interativa.

Fontes

  1. Ofcom. (2019). Life on the small screen: What children are watching and why. Disponível em: https://www.ofcom.org.uk/__data/assets/pdf_file/0021/134832/Ofcom-childrens-content-review-Publish.pdf
  2. Ofcom. (2018). Children and parents: Media use and attitudes report. Disponível em: https://www.ofcom.org.uk/__data/assets/pdf_file/0024/134907/children-and-parents-media-use-and-attitudes-2018.pdf
  3. Ward, A., Duke, K., Gneezy, A., Bos, M. (2017). Brain Drain: The Mere Presence of One’s Own Smartphone Reduces Available Cognitive Capacity. JACR, volume 2, number 2. Disponível em: https://www.hendrix.edu/uploadedFiles/Academics/Faculty_Resources/Teaching_and_Learning/Presence-Smartphone-reduces-cognitive-capacity.pdf
  4. Griffiths, M. (2019). The Rise—and Rise—of Problematic Social Media Use. Psychology Today. Disponível em: https://www.psychologytoday.com/us/blog/in-excess/201901/the-rise-and-rise-problematic-social-media-use
  5.  Griffiths, M. (2015). Top Tips for a Digital Detox. Psychology Today. Disponível em: https://www.psychologytoday.com/us/blog/in-excess/201507/top-tips-digital-detox
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