Nutricionista Mafalda Serra
Nutricionista Mafalda Serra
02 Fev, 2021 - 12:07

5 benefícios associados ao consumo de chá verde

Nutricionista Mafalda Serra

O chá pode ser classificado como chá preto, chá verde, branco ou oolong. Fique a par das propriedades nutricionais e benefícios do chá verde.

Chávena com chá verde

O chá, cuja origem remonta ao sul da China e sudeste asiático, é uma bebida obtida a partir da infusão de folhas secas da planta Camellia sinensis. Consoante o seu grau de fermentação, pode ser classificado como chá preto, chá verde, branco ou oolong (1).

Ao ser considerado a bebida mais consumida em todo o mundo, qualquer pequeno impacto positivo na saúde humana, pode ter efeitos significativos na saúde pública.

No artigo de hoje, debruçar-nos-emos sobre o chá verde, as suas propriedades nutricionais e benefícios de saúde associados ao seu consumo.

O que é o chá verde e quais as suas propriedades nutricionais?

Mulher em casa a beber chá

De entre os vários tipos, o chá verde é o segundo tipo de chá mais consumido a nível global. É preparado através do processamento rápido das folhas frescas da planta Camellia sinensis.

Desta forma, é possível prevenir o processo de fermentação das folhas, conferindo-lhe um sabor, aroma e propriedades nutricionais características.

A composição do chá pode variar consoante a sua espécie, tipo de folha, condições de cultivo (como a época, o clima e as práticas agrícolas e culturais associadas) ou ainda método de consumo (tradicionalmente em chá ou através do consumo de cápsulas que contenham extrato de chá verde) (1).

O chá verde é o que apresenta maior concentração de compostos fenólicos com função antioxidante, responsáveis pelas suas propriedades benéficas evidenciadas em vários estudos científicos.

Os compostos fenólicos presentes no chá verde denominam-se catequinas. Dos vários tipos de catequinas, é importante destacar a epigalocatequina galato (EGCG), presente em maior quantidade (50 a 70%) e a mais estudada pela comunidade científica pelas suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias (1).

A ingestão de 3 a 5 copos de chá verde por dia, permitem o aporte diário de pelo menos 250mg de catequinas (2).

Para além destes, o chá verde apresenta, na sua composição, outros compostos orgânicos com propriedades benéficas, como a teanina e a cafeína (3).

Quais os benefícios de saúde associados ao seu consumo?

Principalmente devido à presença de compostos fenólicos, cafeína e teanina, o chá verde tem vindo a ser associado a vários benefícios de saúde. Assim, o consumo regular de chá verde poderá:

1

Ajudar na gestão do peso, com efeitos positivos no combate à obesidade

Mulher a pesar-se numa balança

O excesso de peso e obesidade é uma condição que afeta uma grande percentagem da população.

A maior parte destes indivíduos já procuraram adotar dietas de baixo valor calórico ou uma rotina de exercício físico intenso, de forma a conseguir perder peso (muitas vezes com poucos ou até sem resultados).

Assim, a procura de “ingredientes, produtos ou alimentos alternativos que prometem atingir os resultados tão desejados” acaba por oferecer uma nova esperança.

Os produtos alimentares que contém chá verde, baseando-se na hipótese de que o teor de catequinas e cafeína dos mesmos promove um aumento no metabolismo energético, são muitas vezes comercializados com o intuito de ajudar a perder ou manter o peso perdido (4, 5)

Mas o que nos diz a evidência científica? As preparações de chá verde (como suplementos ou produtos contendo extratos) aparentam induzir uma pequena perda de peso em indivíduos com excesso de peso ou obesidade.

Porém, esta variação no peso é reduzida e clinicamente não significativa. Assim, o sucesso de uma intervenção cujo objetivo é o emagrecimento, continua a depender do cumprimento de um défice calórico e não da inclusão de chá verde na alimentação.

2

Apresentar melhorias ao nível da saúde cardiovascular

O consumo de chá verde está associado à redução do risco de desenvolvimento de doença cardiovascular, através da melhoria de diversos fatores associados. Alguns estudos reportaram que o consumo de chá verde está associado a redução do colesterol total, colesterol-LDL e pressão arterial (6, 7).

Porém, estes resultados devem ser interpretados com cautela, uma vez que são necessários estudos mais robustos para que o chá verde possa ser incluído como estratégia de tratamento ou de prevenção de doenças cardiovasculares (6).

3

Apresentar efeitos benéficos no controlo da glicémia e prevenção do desenvolvimento de diabetes

COVID-19 e diabetes: mulher com caneta de insulina

Alguns estudos têm vindo a sugerir que o consumo de chá verde está associado a um menor risco de desenvolvimento de Diabetes Mellitus tipo 2 e a uma redução nos valores de glicemia em jejum e hemoglobina glicada (valores medidos nos exames de diagnóstico) (8).

Porém, os resultados são contraditórios, visto que uma meta-análise e revisão sistemática de 2020 revelou que a suplementação de chá verde pode reduzir a glicose em jejum, mas não altera significativamente os valores de insulina em jejum ou da hemoglobina glicada. Assim, são necessários mais estudos para que se possa compreender com clareza os efeitos do chá verde na glicémia e diabetes (9).

4

Apresentar um efeito protetor contra patologias neurodegenerativas

A ingestão de chá verde, pelo seu teor em catequinas, teanina e cafeína, pode ser importante na redução do risco de desenvolvimento de patologias neurodegenerativas (como demência, Alzheimer ou disfunção cognitiva) e melhoria do humor e função cognitiva (3, 10).

Uma revisão sistemática concluiu que o teor de catequinas e teanina presente no chá verde apresenta atividade neuroprotetora e que a teanina influencia positivamente o humor.

Porém, os resultados obtidos sugerem que as melhorias observadas ao nível das capacidades cognitivas não são uma consequência de um único componente do chá verde, mas sim da presença quer de cafeína quer de teanina (3).

A evidência científica tem vindo a demonstrar que as catequinas parecem apresentar efeitos neuroprotetores e anti-inflamatórios na Doença de Alzheimer. É essencial a realização de mais estudos para que se possa compreender com clareza o papel das catequinas nesta patologia.

No entanto, a inclusão regular de chá verde nos hábitos alimentares individuais é uma mudança facilmente atingível e que poderá ser promovida pelos profissionais de saúde (sendo essencial que o indivíduo compreenda que esta não terá resultados milagrosos) (3, 10).

5

Ajudar na redução do risco de desenvolvimento de doenças oncológicas

Laço cor-de-rosa de prevenção do cancro da mama

A ingestão de chá verde tem vindo a ser associada à redução do risco de alguns tipos de cancro (como cancro colorretal, da mama, da próstata, de pele ou pulmonar).

São vários os mecanismos de ação biológicos apresentados, que atuam de forma sinérgica para os obter efeitos positivos estudados. No entanto, são necessários mais estudos para compreender totalmente o seu efeito na prevenção do cancro e qual a forma de consumo mais adequada para obtenção dos efeitos positivos estudados (1, 11).

Conclusão

A realização de mais estudos é essencial para que se possa compreender com clareza quais os reais efeitos benéficos do consumo de chá verde.

Para além dos fatores associados à promoção de saúde e prevenção de doença, é ainda importante perceber qual a dose e modo de consumo do chá verde indicada (se na forma de chá, diluído em água, se na forma de suplementação com recurso a extratos mais concentrados).

Alguma evidência aponta para o consumo diário de pelo menos 100ml de chá verde para que este possa oferecer alguns dos efeitos benéficos associados (3). No entanto, o consumo de regular de chá como parte de uma dieta saudável, equilibrada e variada, é sem dúvida uma mudança alimentar que deve ser promovida.

Fontes

  1. Khan N, Mukhtar H. Tea Polyphenols in Promotion of Human Health. Nutrients. 2018 Dec 25;11(1):39.
  2. Boehm K, Borrelli F, Ernst E, Habacher G, Hung SK, Milazzo S, Horneber M. Green tea (Camellia sinensis) for the prevention of cancer. Cochrane Database Syst Rev. 2009 Jul 8;2009(3):CD005004.
  3. Mancini E, Beglinger C, Drewe J, Zanchi D, Lang UE, Borgwardt S. Green tea effects on cognition, mood and human brain function: A systematic review. Phytomedicine. 2017 Oct 15;34:26-37.
  4. Hursel R, Viechtbauer W, Westerterp-Plantenga MS. The effects of green tea on weight loss and weight maintenance: a meta-analysis. Int J Obes (Lond). 2009 Sep;33(9):956-61.
  5. Jurgens TM, Whelan AM, Killian L, Doucette S, Kirk S, Foy E. Green tea for weight loss and weight maintenance in overweight or obese adults. Cochrane Database Syst Rev. 2012 Dec 12;12:CD008650.
  6. Hartley L, Flowers N, Holmes J, Clarke A, Stranges S, Hooper L, Rees K. Green and black tea for the primary prevention of cardiovascular disease. Cochrane Database Syst Rev. 2013 Jun 18;2013(6):CD009934. 
  7. Pang J, Zhang Z, Zheng TZ, Bassig BA, Mao C, Liu X, Zhu Y, Shi K, Ge J, Yang YJ, Dejia-Huang, Bai M, Peng Y. Green tea consumption and risk of cardiovascular and ischemic related diseases: A meta-analysis. Int J Cardiol. 2016 Jan 1;202:967-74.
  8. Huxley R, Lee CM, Barzi F, Timmermeister L, Czernichow S, Perkovic V, Grobbee DE, Batty D, Woodward M. Coffee, decaffeinated coffee, and tea consumption in relation to incident type 2 diabetes mellitus: a systematic review with meta-analysis. Arch Intern Med. 2009 Dec 14;169(22):2053-63.
  9. Xu R, Bai Y, Yang K, Chen G. Effects of green tea consumption on glycemic control: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Nutr Metab (Lond). 2020 Jul 10;17:56.
  10. Kakutani S, Watanabe H, Murayama N. Green Tea Intake and Risks for Dementia, Alzheimer’s Disease, Mild Cognitive Impairment, and Cognitive Impairment: A Systematic Review. Nutrients. 2019 May 24;11(5):1165.
  11. Filippini T, Malavolti M, Borrelli F, Izzo AA, Fairweather-Tait SJ, Horneber M, Vinceti M. Green tea (Camellia sinensis) for the prevention of cancer. Cochrane Database Syst Rev. 2020 Mar 2;3(3):CD005004.
Veja também