Enfermeira Isabel Silva
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20 Dez, 2017 - 14:02

Placenta acreta: o que é e quais são os seus riscos

Enfermeira Isabel Silva

A placenta acreta é um problema que afeta principalmente mulheres que já tenham historial de partos prévios por cesariana. Se não for devidamente identificada, pode ter graves consequências.

Placenta acreta: o que é e quais são os seus riscos
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A placenta é um órgão materno-fetal, responsável pelas trocas entre as circulações sanguíneas materna e fetal e que segrega hormonas vitais à manutenção e evolução da gestação.

Falamos de placenta acreta quando a placenta tem uma aderência anormal, estendendo-se até à decídua ou parede uterina. No entanto, a sua funcionalidade é normal.

Neste caso, a expulsão da placenta é mais demorada e há um grande risco de hemorragia e infecção.

O que é a placenta acreta?

Na placenta acreta, as vilosidades da placenta não estão contidas, como em geral ocorre, mas estendidas para o miométrio. As suas variantes são:

  • Placenta increta: quando penetra mais profundamente no útero atingindo o miométrio;
  • placenta percreta: quando ultrapassa o miométrio atingindo a serosa uterina.

Quais são os fatores de risco da placenta acreta?

gravida madura

O principal fator de risco para a placenta acreta é a existência de parto anterior por cesariana. O risco é maior, quantos mais partos por cesariana a mulher tiver.

Existem também outros fatores de risco:

  • Parto por cesariana anterior;
  • Existência de placenta prévia;
  • Idade materna superior a 35 anos;
  • Múltiplas gestações anteriores;
  • Miomas uterinos;
  • Cirurgia uterina prévia, incluindo remoção de miomas;
  • Distúrbios do revestimento do útero, como síndrome de Asherman.

Como é feito o diagnóstico de placenta acreta?

placenta acreta e ultrassonografia transvaginal

Se a mulher tiver fatores de risco para o desenvolvimento de placenta acreta, os médicos costumam realizar uma ultrassonografia antes do parto para verificar se existe o problema. A ultrassonografia transvaginal ou transabdominal pode ser realizada regularmente. Esta vigilância, normalmente, tem início partir da 20ª ou 24ª semana de gestação. Se a ultrassonografia não for clara, podem ser realizados outros exames como a ressonância magnética nuclear (RMN) ou doppler.

A placenta acreta é de difícil de diagnóstico, pelo que muitas vezes só é identificada durante o parto. Durante o parto, suspeita-se deste problema se a placenta não for expulsa nos 30 minutos seguintes à expulsão do bebé, se a tentativa de remoção da placenta provocar hemorragia em grande volume ou se não for possível separar a placenta do útero manualmente.

Qual é o tratamento para a placenta acreta?

parto cesariana

Se a placenta acreta for detetada antes do parto, é normalmente realizada uma cesariana seguida por uma histerectomia, que consiste na remoção do útero. Para esse procedimento, o bebé é removido em primeiro lugar, por cesariana. Em seguida é feita a remoção do útero com a placenta fixa no lugar.

A cesariana é realizada assim que o bebé tiver maturidade pulmonar, o que acontece, geralmente, por volta das 35 ou 36 semanas de gestação.

Este procedimento ajuda a evitar a hemorragia potencialmente fatal que poderia ocorrer devido ao fato da placenta permanecer fixa após o parto. Contudo, a cirurgia pode ter algumas complicações, como hemorragia em grande volume ou coágulos de sangue, que podem deslocar-se pela circulação sanguínea e bloquear uma artéria nos pulmões.

No caso da mulher querer ter mais filhos no futuro ou se for pouco provável que haja hemorragia abundante, existe a possibilidade de realizar a cirurgia tentando preservar o útero o máximo possível, através de várias técnicas.

Em suma

O correto posicionamento da placenta é essencial para a evolução adequada da gestação. No caso da placenta acreta, a placenta está anormalmente fixa, atingindo a parede uterina. Esta situação, se não for devidamente identificada, pode ter algumas consequências, como a hemorragia abundante, pelo que é importante o acompanhamento médico durante toda a gravidez e parto.

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