Farmacêutica Cátia Rocha
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07 Jul, 2017 - 15:24

Descolamento prematuro da placenta: sintomas e riscos associados

Farmacêutica Cátia Rocha

O descolamento prematuro da placenta ou placenta abrupta é caracterizado pelo desprendimento parcial ou total da placenta antes do nascimento do bebé.

Descolamento prematuro da placenta: sintomas e riscos associados

O descolamento prematuro da placenta pode privar o bebé de oxigénio e nutrientes e causar sangramento intenso que podem ser perigosos tanto para a mãe como para o bebé.

Esta condição afeta 1 em cada 150 gestações. É mais comum no terceiro trimestre, no entanto pode ocorrer durante toda a gravidez.

QUAIS SÃO OS SINTOMAS?

descolamento prematura da placenta sintomas

Os sinais e sintomas do descolamento prematuro da placenta podem incluir:

  • Hemorragia vaginal de volume variável (embora cerca de 20% dos casos não tenham sangramento) – quanto mais intenso for o sangramento, maiores são os riscos tanto para a mãe quanto para o feto;
  • Dor abdominal intensa;
  • Contração uterina prolongada;
  • Alteração da frequência cardíaca fetal.

Importa ainda ressalvar que qualquer sangramento vaginal no terceiro trimestre deve ser relatado imediatamente ao seu médico.

COMO DIAGNOSTICAR DESCOLAMENTO PREMATURA DA PLACENTA?

descolamento prematuro da placenta diagnostico

A placenta é um órgão materno-fetal que se desenvolve no inicio da gravidez e é expulsa com o feto no momento do nascimento. Durante os 9 meses este órgão proporciona os nutriente e oxigénio ao feto em desenvolvimento.

A placenta fica colada à parede do útero, ligada a centenas de vasos sanguíneos maternos e liga-se também ao cordão umbilical. Age assim como uma espécie de ponte entre a circulação sanguínea da mãe e do feto.

Chamamos descolamento prematuro da placenta quando uma parte da placenta se desprende da parede do útero durante a gravidez.

Obviamente, essa porção da placenta que se descolou deixa de receber o sangue da mãe. Assim sendo, quanto maior for o descolamento placentário, maior é o risco de surgir sofrimento fetal.

Este descolamento só pode ser verdadeiramente diagnosticado após o nascimento quando a placenta for examinada. Existem, no entanto, alguns métodos que são usados para fazer o diagnóstico durante a gravidez para que o tratamento adequado possa ser aplicado, tais como:

  • Ultrassom;
  • Avaliação dos sintomas da mãe (sangramento, dor);
  • Exames laboratoriais sanguíneos;
  • Monitorização fetal.

QUAIS SÃO AS POSSÍVEIS CAUSAS DO DESCOLAMENTO PREMATURO DA PLACENTA?

descolamento prematura da placenta e possiveis causas

As causas do desprendimento da placenta não são ainda completamente conhecidas. Sabe-se que traumas abdominais (quedas, pancadas) podem ser um dos motivos, mas apenas numa pequena porção de todos os deslocamentos prematuros da placenta (cerca de 9% dos casos).

No entanto, as mulheres estão mais em risco para esta condição, se:

  • Forem fumadoras;
  • Forem consumidoras de cocaína durante a gravidez;
  • Tiverem mais de 40 anos;
  • Sofrerem de pré-eclâmpsia (hipertensão na gravidez) (link);
  • Tiver uma gravidez múltipla (gémeos ou trigémeos);
  • Tiver havido um descolamento prematuro da placenta numa gravidez anterior (este é o maior fator de risco);
  • Sofrer algum trauma na região abdominal.

Caso a gestante apresente um destes fatores de risco é importante controlá-los, como no caso da hipertensão, ou abandoná-los, como no caso do cigarro. Tal irá prevenir o descolamento prematuro da placenta.

QUAIS AS POSSÍVEIS COMPLICAÇÕES?

descolamento prematuro da placenta e possiveis complicacoes

O descolamento placentário pode causar problemas graves tanto para a mãe como para o feto.

Para a mãe, pode causar:

  • Choque circulatório, devido à perda de sangue;
  • Alterações na coagulação sanguínea (coagulação intravascular disseminada);
  • Anemia grave com ou sem necessidade de transfusão de sangue;
  • Falência dos rins e de outros órgãos;

Para o bebé, podem surgir complicações como:

  • Sofrimento fetal por privação de oxigénio e nutrientes;
  • Nascimento prematuro;
  • Morte fetal.

QUAL O TRATAMENTO PARA O DESCOLAMENTO PREMATURO DA PLACENTA?

descolamento prematuro da placenta e tratamento

O tratamento do descolamento prematuro da placenta varia de acordo com a extensão do descolamento.

Caso seja uma área pequena, apenas na borda placentária, o uso de medicação que iniba as contrações, repouso e o controlo da evolução podem ser suficientes para contornar o problema.

Em casos de descolamento de grandes áreas, em que há o risco tanto materno quanto fetal, a interrupção da gestação é equacionada.

Esta conduta varia de acordo com a gravidade do quadro, idade gestacional e condições clínicas da mãe e bebé:

Feto estável com mais de 34 semanas e sem sinais de sofrimento:

O mais seguro é induzir o parto a curto prazo. Pequenos deslocamentos podem transformar-se em grandes deslocamentos de um momento para outro e sem qualquer aviso.

Feto estável com menos de 34 semanas e sem sinais de sofrimento:

Se a mãe e o bebé estiverem bem e não houver sinais de hemorragia em curso, a conduta mais utilizada é o internamento hospitalar da mãe para vigilância.

São administrados medicamentos para acelerar a maturação pulmonar do feto, o que aumenta significativamente a probabilidade de sobreviver caso seja necessário induzir o parto prematuramente.

Feto com sinais de sofrimento:

A conduta mais correta é induzir o parto através de uma cesariana, para evitar que outras complicações surjam.

Não existe tratamento que faça com que a placenta se volte a ligar ao útero, portanto, se o bebé está sob risco de morte por falta de oxigenação, a única solução é retirá-lo o mais rapidamente possível do útero, independentemente da idade gestacional.

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