Mónica Carvalho
Mónica Carvalho
25 Nov, 2020 - 10:35

Pandemia acentuou desigualdades económicas e sociais

Mónica Carvalho

Dificuldade em aceder a cuidados de saúde e mais desemprego em pessoas com idade inferior a 45 anos. Estes são os dados que revelam o impacto da COVID-19 em Portugal.

Grande plano de face de menina com máscara

Ao longo de 15 semanas, o Barómetro COVID-19: Opinião Social monitorizou as perceções e comportamentos das pessoas, indicadores socioeconómicos, de saúde e de efeito das medidas de combate à pandemia, com base em respostas a inquéritos.

Foi possível perceber que apesar da compreensão da necessidade de confinamento, havia também o receio pela possibilidade de escassez de bens de primeira necessidade, o que levou a corridas e compras desenfreadas.

Como reagiram os portugueses às medidas impostas

Pessoas com máscaras num autocarro

Um mês após o primeiro período de confinamento, os portugueses mostravam estar a adaptar-se às medidas de prevenção, ainda que com dificuldades em gerir o tempo em casa e a dinâmica trabalho-família.

Nesse período, os mais velhos reportaram cancelamento de consultas médicas, algo que só começou a ser invertido depois do fim do primeiro período de Estado de Emergência. Não obstante, a percentagem de pessoas que diziam estar muito confiante nos serviços mais do que duplicou.

Dois meses após o início do confinamento, a equipa deste barómetro confirmava desigualdades crescentes em termos de acesso à saúde, sendo os mais desfavorecidos os que têm menor capacidade para se proteger. Além disso, são as pessoas com baixos rendimentos e baixa escolaridade as que mais dificuldades tiveram em comprar máscaras, em aceder a consultas médicas quando necessitaram e as que registaram uma maior perda de rendimento.

Enquanto decorria o período de desconfinamento, foram as pessoas até aos 45 anos as mais afetadas pela suspensão da atividade profissional, com a perda de rendimentos mais significativa e as que mais têm de trabalhar no local de trabalho.

O regresso à normalidade também é encarado com muita cautela: 75% acha que poderá demorar mais de 3 meses ou não sabe quanto tempo demorará para que a vida volte ao normal.

O “Barómetro COVID-19: Opinião Social – Conhecer, Decidir, Agir. Os Portugueses, a COVID-19 e as Respostas do Serviço Nacional de Saúde”, da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP-NOVA), foi um dos projetos financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia no âmbito do programa “Research 4 COVID-19” e foram registadas cerca de 190 mil respostas.

Fontes

Escola Nacional de Saúde Pública: “Opinião Social com novo foco: populações vulneráveis e desigualdades”. Disponível em: https://barometro-covid-19.ensp.unl.pt/opiniao-social-com-novo-foco-populacoes-vulneraveis-e-desigualdades/

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