Psicóloga Ana Graça
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08 Fev, 2021 - 14:48

Paixões na infância: como devem ser vividos o amor e o afeto?

Psicóloga Ana Graça

As crianças replicam os comportamentos adultos. Querem cozinhar, usar maquilhagem e até namorar. Paixões na infância, como lidar?

Paixões na infância

O namoro, a relação amorosa, é algo de complexo, até para os adultos. As crianças estabelecem relações de amizade e não de namoro. Têm curiosidade em conhecer o sexo oposto e em perceber as relações amorosas entre os adultos. Mas, e quando a criança diz que já namora? Como lidar com as paixões na infância?

As emoções das crianças são importantes!

Crianças a brincar ao ar livre

As emoções fazem parte da nossa vida, é preciso saber viver com elas. Naturalmente, as crianças não são exceção, pelo que importa desde cedo acompanhar o seu desenvolvimento afetivo e emocional.

As emoções, quando estão ausentes ou quando são excessivas tornam-se patológicas e tendem a perturbar as vivências diárias. Assim sendo, contribuir para o bem-estar emocional das crianças é função de todos os adultos que com elas privam e que têm responsabilidade na sua educação e formação.

Como parte do seu desenvolvimento emocional e afetivo é importante que, desde cedo, as crianças aprendam a:

  • Identificar e reconhecer as emoções
  • Identificar e reconhecer as reações corporais que estas provocam
  • Tomar consciência das emoções e aprender a controlá-las
  • Compreender o que os outros estão a sentir
  • Comunicar com clareza sobre emoções

Um desenvolvimento emocional e afetivo bem-sucedido permite aumentar os relacionamentos, gerar mais possibilidades de afeto e criar maior qualidade de vida. Assim sendo, a infância, através das relações de grupo que as crianças estabelecem umas com as outras, é uma fase importante para desenvolver estas capacidades de reconhecimento e controlo das emoções (1).

Paixões na infância: as crianças também namoram?

O amor e a paixão acompanham-nos desde sempre. Os bebés fazem tudo para captar a atenção e encantar os adultos de referência. As crianças, mesmo as mais pequenas, procuram criar laços afetivos com aqueles que as rodeiam.

Mas, e quando a “química” e a atração é dirigida a outra criança? Será que as paixões na infância existem? Será que as crianças realmente namoram?

Idade pré-escolar

lanches saudáveis

Com a entrada na idade pré-escolar, é natural que as crianças se identifiquem mais com alguns colegas e amigos e com outros nem tanto. É também nesta fase que as crianças começam a dar conta das múltiplas e complexas emoções que sentem e conseguem exprimir.

Assim, é comum e natural que as crianças se sintam especialmente entusiasmadas e motivadas em partilhar brincadeiras, momentos e afeto com algum colega/amigo mais especial.

Todavia, nestas idades, o namoro como o conhecemos mais tarde no curso do desenvolvimento, não existe, nem parece haver grande benefício em incentivá-lo. Estas paixões na infância são formas de expressar amizade, carinho, sentido de identificação ou até curiosidade pelo sexo oposto.

Idade escolar

À medida que as crianças vão crescendo, em idade escolar, começam a surgir as primeiras paixões na infância, estas já mais arrebatadoras. É nesta fase que o tema do namoro tende a surgir com maior enfoque e curiosidade.

As crianças convivem com o tema “amor” e “namoro” no seu dia a dia, na família, na escola, na televisão. Assim sendo, é natural que nas suas brincadeiras recriem certos rituais que vêm nos adultos, como o namoro, o casamento e até o divórcio.  

Nesta fase, os pais, ou outros adultos de referência, podem partilhar com as crianças a sua experiência sobre estar apaixonado e sobre as suas próprias paixões na infância, não valorizando em demasia estas paixões infantis, mas respeitando-as.

Adolescência

Casal de adolescentes a namorar

Na adolescência já é tudo um pouco diferente. O amor e a paixão atingem outras proporções e certezas.

É natural que nesta fase os pais se sintam ansiosos e inseguros. Devem procurar conhecer os amigos e os namorados dos filhos, incentivar as atividades em grupo de amigos, respeitar e dar espaço aos sentimentos do adolescente, não ridicularizar nem menosprezar as suas relações de namoro (2, 3).

Como lidar com um adolescente apaixonado: casal de adolescentes de mãos dadas
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Conclusão

Independentemente da idade, proibir e menosprezar em nada contribui para o bom desenvolvimento emocional e afetivo dos mais pequenos.

Os pais devem tentar antecipar-se às paixões na infância e, desde cedo, assumir o controlo das conversas sobre quais as formas mais adequadas e respeitosas de expressar apreço pelos outros.

Em suma, os pais não devem reprimir as manifestações infantis de afeto, desde que estas sejam adequadas. Devem, antes, explicar e mostrar quais os comportamentos permitidos e conversar livremente, sem tabus (2, 3).

Fontes

  1. Catarreira, C. (2015). AS EMOÇÕES DAS CRIANÇAS EM CONTEXTO DE EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR.Disponível em: https://comum.rcaap.pt/bitstream/10400.26/9201/1/C%C3%A1tia%20Sofia%20S%C3%A1%20Rato%20Catarreira.pdf
  2. Marques, I. (2013). Amores na infância. Oficina da Psicologia. Disponível em: https://www.oficinadepsicologia.com/amores-na-infancia/
  3. Trevisan, G. (2007). Amor e afectos entre crianças – a construção social de sentimentos na interacção de pares. In: Dornelles, Leni Vieira (org.).- Produzindo pedagogias interculturais na infância- Petrópolis: Vozes. Disponível em: http://repositorio.esepf.pt/bitstream/20.500.11796/1027/2/artigo_gabriela_livro_Brasil.pdf
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