Danielle Paiva
Danielle Paiva
10 Jan, 2020 - 11:28

Sinais e sintomas da menopausa

Danielle Paiva

A menopausa é definida após 1 ano de ausência do período, sem outra causa suspeita. Habitualmente ocorre entre os 45 e os 55 anos. Fique a par de alguns dos seus sintomas.

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A menopausa caracteriza a última menstruação, resultante do esgotamento dos óvulos do ovário, e consolida-se após um ano sem o período. Uma mulher menopausada não menstruará mais, traduzindo a falência ovárica definitiva.

A produção de hormonas pela qual o ovário era responsável é abruptamente reduzida, provocando na maioria das mulheres uma séria de alterações e sintomas físicos e psíquicos. A este período de transição, entre o início dos sintomas e a última menstruação, chamamos síndrome climatérico.

Como se manifesta a menopausa?

menopausa como se manifesta

Dos cerca de 700 mil folículos ováricos existentes ao nascimento, restam 300 mil na puberdade. Por mecanismo ovulatório, mas sobretudo por atrésia (fenómeno degenerativo fisiológico dos ovários), praticamente se esgotam na menopausa. A definição de menopausa é clínica e retrospetiva, após amenorreia ( ausência do período) de um ano.

Durante essa fase há o climatério, período da vida da mulher entre o pleno potencial e a incapacidade reprodutiva, ao longo do qual ocorre um declínio progressivo da função ovárica. Com frequência está associado a um conjunto de sinais e/ou sintomas que no seu conjunto. caracterizam a “síndrome climatérica” (2).

Os sintomas da menopausa

Os sintomas que acompanham a o início da menopausa, a menopausa propriamente dita e que podem continuar mesmo depois desta são (1):

  • Irregularidades menstruais
  • Afrontamentos
  • Alterações do humor
  • Alterações do sono
  • Atrofia vaginal
  • Interferência no padrão sexual
  • Alterações cutâneas
  • Alterações cardiovasculares e metabólicas
  • Consequências osteoarticulares
  • Dores de cabeça

A ocorrência e intensidade dos sintomas varia grandemente entre as mulheres, dependendo de fatores genéticos, ambientais, raciais, estilo de vida (sedentarismo e hábitos tabágicos) e antropométricos (obesidade, sobretudo central).

Embora as mulheres com maior índice de massa corporal tenham níveis mais elevados de estrogénios têm paradoxalmente fenómenos vasomotores de maior intensidade.

As alterações sofridas pelas mulheres, não só podem estar ausentes como serem ligeiras (que não perturbam o dia-a-dia), moderadas (que interferem com as atividades quotidianas) ou intensas (afetando a qualidade de vida).

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1. Irregularidades menstruais

Os primeiros sinais da menopausa aparecem assim, correspondem a carência de progesterona (hormônio feminino) e por ciclos anovulatórios, e mais tarde hipoestrogenismo ( diminuição do hormónio feminino estrogénio). As alterações do ciclo menstrual, podem iniciar-se 4 a 8 anos antes da menopausa, existindo inicialmente encurtamento da periodicidade e a menstruação difere do padrão habitual no que respeita à duração e quantidade de fluxo.

Mais tardiamente a maior frequência de ciclos anovulatórios introduz uma tendência para aumento da duração dos ciclos e ausência de menstruação. Durante esta fase, apesar de diminuída a fertilidade das mulheres mantém-se, até 25% dos ciclos podem ser ovulatórios, pelo que é importante a manutenção de uma contracepção adequada. Ainda há risco de engravidar!

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2. Afrontamentos, calores e suores noturnos

São os sintomas que mais levam mulheres à procura de atendimento médico, sendo considerados os mais incómodos desta fase. Ocorrem na transição menopáusica e afetam mais de 70% das mulheres, sendo frequentes ou intensos em mais de 30% e parecem correlacionar-se com doença cardiovascular subclínica e valores de tensão arterial mais elevados. Relacionam-se com os níveis de estrogénios circulantes.

Começam tipicamente por uma sensação súbita de calor durante cerca de 2 a 4 minutos, associada frequentemente a suores por todo corpo e ocasionalmente a palpitações; seguida por vezes de calafrios, tremores e sensação de ansiedade. Evidenciam predomínio noturno podendo interferir com o sono. A frequência é variável, podendo surgir até cerca de 20 vezes por dia. A sua duração média é de 7 a 10 anos e cerca de 10% das mulheres mantêm sintomas vasomotores por mais de 12 anos, sendo que estes podem persistir por várias décadas.

3. Síndrome génito-urinária da menopausa/Atrofia vulvovaginal

A síndrome define-se como um conjunto de sintomas e sinais associados ao decréscimo dos estrogénios e outras hormonas sexuais envolvendo alterações dos grandes e pequenos lábios, clitóris, vestíbulo/introito, vagina, uretra e bexiga.

A síndrome pode incluir mas não está limitada a queixas de secura, ardor e irritação local; sintomas sexuais como ausência de lubrificação, desconforto ou dor dificultando o ato sexual; e sintomatologia urinária como urgência, disúria e infeções urinárias recorrentes.

A gravidade dos sintomas varia entre ligeira e debilitante não estando confinados às mulheres sexualmente ativas, sendo a secura vaginal o mais frequente.

4. Alterações cognitivas e do humor

Diversos estudos sugerem que a menopausa se associa a diminuição da memória verbal, dificuldade na concentração e da fluência verbal fonémica.

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Existem estudos que são consistentes com o facto de que os estrogénios medeiam as funções cognitivas, o que pode de algum modo explicar que apesar da incidência de depressão major ser similar nas mulheres pré e pós menopausa sejam mais frequentes os sintomas depressivos na transição menopáusica e menopausa precoce. No entanto, a perimenopausa associa-se frequentemente a eventos sociais e emocionais, com impacto na sintomatologia psicológica como, eventuais dificuldades relacionais do casal, filhos a deixarem o lar, alteração de responsabilidade no emprego, doença ou morte de familiar.

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5. Perturbações do sono

O sono é um estado fisiológico que se deteriora com a idade: ocorrendo uma progressiva diminuição tanto na qualidade quanto na quantidade do sono – são frequentes as queixas de dificuldade em iniciar e manter o sono, com o acordar frequente durante a noite e o despertar cedo, ou por outro lado a sensação de que o sono não é reparador.

A insónia é referida por 46-48% das mulheres na pós-menopausa em comparação com 38% nas pré-menopáusicas. A qualidade do sono pode ser alterada por vários fatores: sintomatologia vasomotora, alterações dos níveis hormonais, anomalias do ritmo circadiano, alterações do humor, condições médicas associadas e estilo de vida.

6. Interferência no padrão sexual

A idade e diminuição dos níveis de estrogénios têm efeito negativo na função sexual e qualidade de vida mas outros fatores como: a existência de comorbilidades, medicação, fatores psicológicos e diminuição da autoestima associada à mudança da imagem corporal, fatores psicológicos e socio-relacionais também devem ser avaliados.

Muito embora a maioria das mulheres permaneça sexualmente ativa durante o climatério, um número significativo, 60% – refere um decréscimo na atividade sexual, desejo hipoativo e evitamento sexual.

Podem também estabelecer-se após a menopausa perturbações do orgasmo e da excitação e mais tardiamente, com maior frequência, dispareunia (dor durante o ato sexual).

Desejo hipoativo manifesta-se por diminuição das fantasias ou pensamentos sexuais e diminuição da iniciativa e/ou reciprocidade para qualquer atividade sexual, atingindo na perimenopausa uma prevalência de 40-50%. Dispareunia, dor persistente e recorrente durante o coito afeta 30-40% das mulheres na perimenopausa e é, na maioria dos casos, resultante da atrofia e menor lubrificação decorrente do hipoestrogenismo.

7. Alterações cutâneas

Após a menopausa verifica-se uma diminuição importante do colagénio tecidular, cursando com pele mais fina e perda da viscoelasticidade. Consequentemente após a menopausa pode surgir uma aceleração no envelhecimento da pele, com aumento das rugas.

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sintomas da menopausa

8. Alterações cardiovasculares e metabólicas

A incidência de doença cardiovascular aumenta consideravelmente, sendo a principal causa de morte na pós-menopausa.

O aumento do risco cardiovascular parece ser determinado pela síndrome metabólica mais prevalente após a menopausa da qual todos os componentes (obesidade visceral, dislipidémia, hipertensão arterial, alterações do metabolismo glicídico) se associam a maior incidência não só de doenças cardiovasculares, mas também da doença cerebrovascular, doença arterial periférica/ claudicação intermitente e aneurismas da aorta.

É frequente o aparecimento de hipertensão arterial antes inexistente ou dificuldade no controlo da mesma se pré-existente, que é um fator de risco independente, linear e contínuo no risco cardiovascular na pós menopausa.

9. Consequências osteoarticulares

Repercussões articulares: a osteoartrite é um processo inflamatório e degenerativo articular que evolui de maneira progressiva. Apesar de não existir associação clara entre os níveis de estrogénios e risco de osteoartrite, são frequentes as queixas de dores articulares após a menopausa e há maior prevalência e incidência de osteoartrites nas mulheres do que nos homens.

Repercussões ósseas: a osteoporose é uma doença esquelética sistémica caraterizada por: diminuição da massa óssea; alterações da microarquitectura e fragilidade esquelética. Como consequência diminui a resistência do osso e aumenta o risco de fratura.

A doença é assintomática até ocorrer a primeira fratura. Ocorrendo a fratura, existe então incapacidade funcional, dor ou deformidade física e mesmo risco de vida. Hipoestrogenismo e idade contribuem para a osteoporose. Após a menopausa há uma aceleração da perda de massa óssea, mais intensa nos primeiros 5 anos.

10. Dores de cabeça e epilepsia

A prevalência das dores de cabeça diminui após a menopausa, no entanto as mulheres sob terapia hormonal podem voltar a referir este sintoma. Mulheres em idade reprodutiva com epilepsia têm crises variáveis com o ciclo menstrual e constata-se diminuição das crises após a menopausa.

quando ocorre a menopausa?

A menopausa pode decorrer no seu período usual, entre 45 e 55 anos (menopausa fisiológica), tardiamente, se após os 55 anos (menopausa tardia) ou precocemente, se antes dos 45 (menopausa precoce), designando-se prematura se anterior aos 40 anos de idade.

Essas alterações no período frequente da menopausa podem ocorrer por (2):

  • Genética
  • Deficiências enzimáticas
  • Doenças autoimunes
  • Após quimio e/ou radioterapia
  • Infeções
  • Menopausa cirúrgica
  • Histerectomia ( retirada do útero e ovários)

Tratamento para a os sintomas da menopausa

Uma das maiores discussões na atualidade para os médicos ginecologistas é o tratamento dos sintomas da menopausa. Este  pode incluir o uso de lubrificantes, terapia hormonal, mudança de hábitos de vida, tratamento com flavonóides ( presentes na soja).

A terapia hormonal é a causadora da polémica, pois alguns estudos referem o aumento do número de casos de cancro em mulheres que estiveram sob a terapia de reposição hormonal. No entanto, ainda não é clara a relação direta entre o cancro e a terapia hormonal e que esta traz qualidade de vida para as doentes.

​A escolha do melhor tratamento deve ser feita sempre entre a mulher e o seu médico.

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