Nutricionista Luís Cristino
Nutricionista Luís Cristino
28 Jan, 2020 - 13:24

O papel da alimentação na intolerância à histamina

Nutricionista Luís Cristino

A intolerância à histamina, é um problema raro e ocorre quando há uma acumulação de histamina no organismo. A evicção da histamina da alimentação é o tratamento mais utilizado.

Intolerância à histamina: alimentos proibidos

A reação adversa à histamina, ou frequentemente denominada como intolerância à histamina, é um problema bastante raro (cerca de 1% da população) e ocorre quando há uma acumulação de histamina no organismo.

Esta acumulação pode ser provocada por diversos fatores, tais como medicação, meio ambiente, condições clínicas, deficiências nutricionais e a dieta. Neste artigo ficará a conhecer melhor a histamina e a sintomatologia da intolerância à mesma.

Intolerância à histamina: o que saber

O que é a histamina?

A histamina é uma amina vasodilatadora que está envolvida em processos bioquímicos de respostas imunológicas, com funções reguladoras no trato gastrointestinal, como por exemplo na secreção de ácido gástricos, e atua ainda como neurotransmissor (1).

A concentração basal normal de histamina encontra-se entre 0,3 a 1,0 ng/mL (2).

Para ocorrer a metabolização (degradação) da histamina é necessária uma das seguintes enzimas: diamina oxidase (DAO) ou histamina-n-metiltransferase (HNMT). Quando ocorrem problemas neste processo metabólico ocorre acumulação de histamina levando a intolerância à mesma (2).

O que é a intolerância à histamina?

Intolerância à histamina: morangos

A ingestão de alimentos com alto teor de histamina – incluindo alimentos fermentados (como tofu e chucrute), queijos envelhecidos, carnes e peixes processados, bebidas alcoólicas (champanhe e vinho tinto) e alimentos envelhecidos – pode resultar em sintomas indistinguíveis de alergia alimentar, porque a histamina é um importante mediador responsável pelas reações de hipersensibilidade IgE-mediadas.

Alimentos como morangos, clara de ovo, mariscos e alguns aditivos (p. ex., tartrazina) e conservantes (p.ex., benzoatos) alimentares estimulam a liberação de histamina.

Pode-se suspeitar de intolerância ou sensibilidade à histamina quando se descartar uma causa alérgica (3).

Considera-se intolerância à histamina quando ocorre algum problema na ação enzimática da diamina oxidase (DAO) ou da histamina-n-metiltransferase (HNMT).

Pessoas com doenças inflamatórias e neoplásicas como a doença de Chron, colite ulcerosa, enteropatia alérgica, neoplasias colorretais e alergias alimentares apresentam concentrações mais elevadas de histamina e atividade diminuída da enzima diamina oxidase (DAO), responsável pela degradação de histamina.

Intolerância à Histamina e alimentação

o que nao fazer depois do treino mulher a beber copo de vinho

A histamina e outras aminas biogénicas estão presentes em muitos alimentos, e a sua presença aumenta com o aumento da maturação.  

Para ocorrer a formação destas aminas nos alimentos é necessário existir aminoácidos livres, microrganismos e condições que permitam o crescimento bacteriano e a atividade enzimática.

As bactérias e algumas leveduras são as responsáveis pela produção de histamina, pelo que os alimentos fermentados como o vinho, o queijo curado, chucrute, e a carne processada ou alimentos estragados apresentam altas concentrações de histamina.

A terapia desta condição baseia-se essencialmente na aplicação de uma dieta com baixo teor de histamina. Álcool, alimentos amadurecidos ou fermentados (e, portanto, ricos em histamina), devem ser excluídos.

O que causa o aumento da histamina?

São vários os fatores que levam à intolerância à histamina através do aumento da concentração da mesma (2):

  1. Aumento da disponibilidade e da degradação diminuída de histamina.  Este aumento da disponibilidade deve-se ao incremento da produção endógena provocado por alergias, mastocitose, bactérias ou sangramento gastrointestinal e / ou através do aumento da ingestão através da alimentação ou álcool de histidina ou histamina.
  2. Diminuição da degradação enzimática da histamina, provocada por causas genéticas ou adquirida.
  3. Inibição competitiva da degradação de histamina devido à presença de outras aminas biogénicas, álcool ou fármacos.

A intolerância adquirida à histamina pode ser transitória e, portanto, reversível após a eliminação das causas, como a descontinuação de medicamentos bloqueadores da enzima diamina oxidase (DAO).

Sintomas da intolerância à histamina

Exceder a tolerância individual à histamina dá origem a diversos sintomas dependentes da concentração (2):

Histamina (ng/mL)  Efeitos Clínicos
0–1  Valor de referência 
1–2  Aumento da secreção de ácido gástrico Aumento da frequência cardíaca
3–5  Taquicardia, dor de cabeça, rubor, urticária, prurido
6–8  Diminuição da pressão arterial (podendo levar a um quadro clínico de hipotensão)
7–12  Broncospasmos
≈100  Paragem cardíaca  

Mesmo pessoas saudáveis podem desenvolver fortes dores de cabeça ou rubor devido à ingestão alimentar de grandes quantidades de histamina.

Em pessoas sensíveis à histamina os sintomas podem-se manifestar após a ingestão de pequenas quantidades, em contraste pequenas quantidades de histamina em pessoas saudáveis são de fácil tolerância.

Os sintomas típicos da intolerância à histamina incluem distúrbios gastrointestinais (cólicas, flatulência e diarreia), espirros, rinorreia e congestão nasal, dor de cabeça, dismenorreia, hipotonia, arritmias, urticária, prurido, rubor e asma.

Durante ou imediatamente após a ingestão de alimentos ou álcool ricos em histamina, pode ocorrer episódios de rinorreia ou obstrução nasal em pacientes com intolerância à histamina; em casos extremos, podem ocorrer ataques de asma. 

Concluindo

Em suma, a cessação da causa que provoca a intolerância à histamina é a primeira intervenção realizada para controlar esta intolerância.

O diagnóstico da intolerância à histamina é definido pela apresentação de 2 ou mais sintomas típicos da intolerância à histamina e verificam-se uma melhoria quando é aplicada uma dieta com baixo teor em histamina e anti-histamínicos.

Terapeuticamente, é indispensável a realização de um aconselhamento individual e personalizado, de forma a limitar ao mínimo as restrições nutricionais desequilibradas e, assim, manter sua qualidade de vida.

Posto isto, antes de realizar qualquer restrição alimentar é prudente que recorra a um profissional de saúde habilitado.

Fontes

  1. Reese, I. (2018). Nutrition therapy for adverse reactions to histamine in food and beverages. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6885995/
  • Mahan, LK et al.(2018). Krause – Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. 14ª edição.
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