Nutricionista Mafalda Andrade
Nutricionista Mafalda Andrade
01 Set, 2016 - 15:50

Intolerância ao glúten: Tudo o que precisa de saber!

Nutricionista Mafalda Andrade

Cada vez mais é possível encontrar pessoas com intolerância ao glúten. Descubra tudo sobre o glúten, os diferentes tipos de intolerância e como a tratar.

Intolerância ao glúten: Tudo o que precisa de saber!
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A intolerância ao glúten é um assunto em voga, devido ao crescente número de pessoas a sofrer desta condição.

A intolerância pode ser dividida em duas patologias diferentes: doença celíaca e sensibilidade ao glúten.

O glúten é uma proteína estrutural do trigo, centeio e cevada, componentes base de alguns dos mais pratos mais apreciados por todo o mundo.
Entre eles, o trigo é o mais consumido mundialmente e chega a fazer parte das refeições diárias de várias pessoas.

Seja na forma de pães, massas, bolachas, bolos ou mesmo bebidas como a cerveja, o contacto com o glúten aumentou drasticamente nos últimos 40 anos. Paralelamente, verificou-se também um aumento de casos de intolerância ao glúten, levando-nos a crer que possa existir aí uma ligação.

Na Europa, 1 em cada 300 pessoas será atingida pela intolerância ao glúten. Esta está também presente nos Estados Unidos e Norte de África, sendo a sua maior prevalência na zona do Sahara. Em contrapartida, é muito rara nos países asiáticos.

Em Portugal, tendo em conta a prevalência europeia, deveria existir cerca de 30.000 pessoas com intolerância ao glúten, mas o número de casos diagnosticados e conhecidos é muito inferior.

Efetivamente, estima-se que 99% dos indivíduos com intolerância nunca serão devidamente diagnosticados. 

Doença Celíaca vs. Sensibilidade ao Glúten

1. Doença Celíaca

A doença celíaca é uma reação do sistema imunitário à presença de glúten, através de uma agressão do organismo contra o seu próprio intestino delgado. Este responde com a atrofia progressiva das suas vilosidades, responsáveis pela absorção de nutrientes no intestino delgado.

Deste modo, todo o processo resulta numa malabsorção intestinal e, consequentemente, desnutrição.

 


2. Sensibilidade ao Glúten

A sensibilidade ao glúten não-celíaca ocorre quando, após análise de todos os sintomas e exames clínicos, é diagnosticada uma sensibilidade ao glúten, provavelmente devido à exposição frequente à proteína.

Apesar de não ser considerada doença celíaca, os sintomas intestinais melhoram, ou até desaparecem, após a retirar o glúten da dieta, mesmo em indivíduos com intestino saudável e que não apresentam, nos exames clínicos, os mesmos anticorpos presentes na doença celíaca.

Indivíduos com sensibilidade ao glúten não podem ser considerados celíacos, pois são capazes de tolerar e processar o glúten, apesar dos sintomas desagradáveis provocados pela sua ingestão.

O que causa a intolerância?

As causas da intolerância ao glúten podem ser genéticas ou devido a uma alteração ambiental. Contudo, o desenvolvimento desta condição só é possível em indivíduos geneticamente predispostos desde a nascença. Existindo os fatores genéticos, alguns fatores ambientais são suscetíveis de desencadear a fase ativa da doença: infeções, cirurgias, situações de stress ou outra situação traumática.

 A introdução precoce do glúten na alimentação dos recém-nascidos é igualmente um fator negativo reconhecido, enquanto o aleitamento materno é um fator protetor.

A intolerância ao glúten é também fortemente relacionada com o Síndrome de Down, hepatite crónica, colite, doença autoimune da tiroide ou síndrome do colon irritável.

Quais são os sintomas?

Os sintomas da intolerância ao glúten podem aparecer em qualquer idade e em indivíduos de ambos os sexos. Contudo, existem duas situações de aparecimento mais frequente:

  • Na infância, entre os 6 meses e os 2 anos, após a introdução do glúten na alimentação;
  • Na idade adulta, entre os 20 e os 40 anos, após um acontecimento traumático. 

Quanto mais precoce é o diagnóstico, menos lesões existirão no intestino delgado. Uma vez diagnosticada, serão necessários 2 a 3 meses para recuperar a estrutura intestinal fisiológica normal numa criança, e 2 a 3 anos para um adulto. Na criança, o desaparecimento dos sintomas e a recuperação funcional do intestino são muito rápidas.

A intolerância ao glúten é difícil de diagnosticar dado que os sintomas podem ser muito variados. Os mais comuns são:

  • Diarreia frequente, de 3 a 4 vezes ao dia, com grande volume de fezes;
  • Flatulência;
  • Vómitos;
  • Irritabilidade;
  • Perda do apetite;
  • Emagrecimento sem causa aparente;
  • Distensão e dor abdominal;
  • Fadiga crónica;
  • Palidez;
  • Anemia ferropriva;
  • Diminuição da massa muscular.

Os sintomas também podem ser agravados pela gravidez e pelo stress do parto, por doenças, infeções e cirurgias.

Se se identificou com alguns destes sintomas, procure a ajuda de um médico ou profissional de nutrição.

E o tratamento?

alimentos com gluten

Até à data, não existe nenhum tratamento médico ou farmacológico para a intolerância ao glúten. Apenas uma dieta totalmente isenta de glúten pode tratar a doença.

O tratamento, para ser eficaz, deve iniciar aquando do diagnóstico e manter-se durante o resto da vida do indivíduo.

O glúten está presente no trigo, centeio e cevada, cereais usados para fabricar farinhas, que por sua vez, constituem uma inúmera variedade de alimentos, como o pão, massas, bolos e bolachas. As farinhas tradicionais deverão então ser substituídas por farinha de milho, farinha de arroz, fubá, amido de milho, farinha de amendoim ou fécula de batata.

Por forma a substituir os alimentos proibidos, o arroz, a batata, a soja, a tapioca e a quinoa são alguns dos  alimentos permitidos para celíacos.

É importante que o intolerante ao glúten siga a dieta que lhe é prescrita corretamente, para evitar as complicações que podem advir da patologia. Deste modo, é essencial verificar sempre os rótulo alimentares. Aqueles que são isentos de glúten estão devidamente rotulados com essa informação.

Nunca deve iniciar uma dieta sem antes consultar um profissional de nutrição.

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Contaminação cruzada

É importante destacar que apesar de alguns alimentos serem isentos de glúten, estes podem sofrer contaminação cruzada.

A aveia, por exemplo, não contém glúten, contudo é normalmente processada nos mesmos equipamentos que o trigo e outros cereais, logo é provável que ocorra contaminação cruzada. Para indivíduos apenas com sensibilidade ao glúten, esta pode não desencadear sintomas. No entanto, os celíacos deverão excluir o cereal da dieta, por precaução.

Adicionalmente, a utilização dos mesmos equipamentos de cozinha, como panelas, facas ou colheres, para preparação de alimentos com glúten e alimentos isentos de glúten, leva a que também exista contaminação cruzada. 


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