Drª Patricia Azevedo | Médica Veterinária
Drª Patricia Azevedo | Médica Veterinária
18 Mai, 2020 - 09:06

Idas ao veterinário em tempo de COVID-19: o que precisa de saber

Drª Patricia Azevedo | Médica Veterinária

As idas ao veterinário são importantes, mas será que o pode fazer enquanto atravessamos este período de quarentena? E se o seu pet precisar mesmo de cuidados?

Veterinário com máscara a receber pet na clínica

Todos os tutores de cães e gatos reconhecem a importância das idas ao veterinário, seja porque surgiu um problema, seja por profilaxia, isto é, cuidados preventivos para evitar que o animal adoeça. No entanto, nesta altura em que é necessário evitar saídas desnecessárias e convívios que não sejam essenciais, o medo de sair para uma consulta pode ser grande.

No entanto, lembre-se que adiar determinadas situações na saúde do seu melhor amigo podem colocar em risco a sua vida. Saiba, então, como pode ir com o seu pet à clínica veterinária em segurança.

Idas ao veterinário em tempo de covid-19: As clínicas estão a funcionar normalmente?

Cão no veterinário a tratar de luxação na rótula

Durante o período de Estado de Emergência, vários estabelecimentos comerciais foram obrigados a encerrar ao público. No entanto, as clínicas e hospitais veterinários fizeram sempre parte da excepção, uma vez que os cuidados de saúde dos animais são essenciais ao seu bem-estar e também imprescindíveis para a saúde pública.

Neste momento, clínicas e hospitais veterinários já se encontram abertos, mesmo aqueles que, por opção própria, decidiram fechar portas. Mas, como em todos os hospitais e clínicas de medicina humana, estão a ser tomadas medidas extra de desinfeção e proteção individual.

Assim, se também está com dúvidas e receio de ir a uma consulta com o seu pet, deve saber que as próprias clínicas, estão a estabelecer regras e medidas para diminuírem a probabilidade de contágio, tanto dos tutores como do próprio staff.

Idas ao veterinário: o que pode ser diferente?

As regras e medidas das clínicas veterinárias começaram ainda em tempo de Estado de Emergência, altura em que apenas eram atendidas situações urgentes. No entanto, a grande parte das clínicas continua a adotar essas medidas ou adaptou parte das mesmas.

Estas são algumas mudanças que podem notar na clínica veterinária onde costuma levar o seu pet.

1.

Só atendimentos urgentes

Idas ao veterinário: mulher a levar gato ao veterinário numa situação urgente

Durante o Estado de Emergência, as clínicas veterinárias estavam apenas a funcionar para atendimento de situações urgentes e inadiáveis. Neste momento, a maioria está a trabalhar normalmente, ainda que com algumas medidas de proteção.

O ideal é confirmar com a clínica veterinária se está a funcionar normalmente, apenas para serviços urgentes ou que tipo de serviços dispõe no momento.

2.

Consultas apenas por marcação

Antes da situação da COVID-19 algumas clínicas veterinárias e hospitais já tinham esta política de funcionamento. Porém, perante esta crise, a maioria das clínicas funciona agora desta forma, para evitar que haja encontros entre pessoas.

Claro que existem algumas excepções, nomeadamente situações de emergência, como atropelamentos, traumatismos, ataques, ou qualquer situação que coloque em risco a vida do animal continua a ser atendida na hora, pois acidentes acontecem, e a maioria das clínicas está preparada para responder a situações de urgências.

Ainda assim, para sua segurança e de todos, lembre-se que, durante esta altura, deve ligar para a clínica veterinária antes de se deslocar.

3.

Obrigatório o uso de máscara

COVID-19 e animais de estimação: mulher com máscara a dar mimos ao gato

Atualmente, é obrigatório o uso de máscara em estabelecimentos comerciais, ficando também assim abrangidas as clínicas e hospitais veterinários. Assim, se lhe for exigido entrar apenas com máscara não deve estranhar, e deve compreender o porquê desta exigência.

Caso não tenha máscara nas idas ao veterinário, o pessoal da clínica pode perdir-lhe que aguarde no exterior ou pode inclusive fornecer ou vender máscara, caso o tutor pretenda. No entanto, esta situação depende da política da própria clínica.

Usar máscaras: mulher a usar máscara de proteção no metro
Veja também Uso de máscaras: onde e quando o deve fazer
4.

Apenas um acompanhante

A maioria das clínicas durante o Estado de Emergência não permitia a entrada do tutor nas instalações, sendo que, atualmente, algumas ainda mantêm essa medida, de forma a minimizar o risco de contágio – uma vez que, para qualquer tipo de consulta, apenas o animal necessita de entrar e qualquer questão ou conversa pode ser realizada por via telefónica.

Atualmente, algumas clínicas já permitem a entrada de um acompanhante por animal, desde que cumpridas as normas de segurança, como o uso de máscara.

O objetivo é não haver cruzamento de pessoas e apenas uma pessoa pode estar na sala-de-espera e no consultório.

5.

Mantenha a distância de segurança

Idas ao veterinário: mulher a respeitar a distância de segurança

É muito importante manter a distância de segurança em todas as situações e as idas ao veterinário não são excepção. Lembre-se de manter pelo menos 2 metros de distância do staff e de outros clientes que possam estar no interior da clínica, ou no exterior a aguardar a sua vez de entrada.

Por muito que queira estar perto do seu melhor amigo durante a consulta, acarinha-lo e acalmá-lo, deixe esse trabalho para os profissionais em quem confia. Mantenha a distância mesmo durante a consulta e deixe que o auxiliar ou enfermeiro veterinário segure no animal durante a consulta. Pode sempre falar para o seu pet de forma a que ouça a sua voz e se mantenha mais calmo.

6.

Evite o contacto físico

Nesta altura, para proteção contra possíveis contágios, todos os contactos físicos devem ser evitados. Ainda que tenha por hábito cumprimentar o pessoal da clínica com um beijo ou aperto de mão, neste momento faça-o através de palavras. Não se preocupe, pois todo o staff compreenderá.

7.

Desinfeção das mãos

Solidariedade em tempos de pandemia: mulher a desinfetar as mãos

As clínicas disponibilizam desinfetantes que devem ser utilizados pelos tutores tanto à entrada como à saída da clínica.

Tenha cuidado para evitar tocar em coisas que estão na clínica e não necessita de tocar. Se quiser ver algum produto ou tocar em algum objeto questione primeiro o pessoal se o pode fazer e prefira que seja o próprio pessoal a mostrar-lhe o que pretende.

8.

Preferência por pagamentos com cartão

Na generalidade, e não só nas idas ao veterinário, neste momento é preferível dar preferência aos pagamentos com cartão, em vez de dinheiro – se possível até por contactless, para evitar tocar no terminal de multibanco.

Algumas clínicas veterinárias permitem também o pagamento por transferência bancária ou MBway, portanto, caso não veja os dísticos, questione.

Fontes

  1. Governo da República Portuguesa – Plano de Desconfinamento. Disponível em: https://www.portugal.gov.pt/pt/gc22/comunicacao/documento?i=plano-de-desconfinamento
  2. Protocolo de atendimento em centros veterinários – Recomendações da OMV e APMVEAC. Disponível em: https://www.apmveac.pt/site/upload/files/protocolo_omv_apmveac_covid-19.pdf
  3. Recomendações para médicos veterinários de animais de companhia durante o surto de COVID-19. Disponível em: https://www.fecava.org/wp-content/uploads/2020/03/FECAVA_Corona_A4_03-2020_PRT_VETERINARJI-3.pdf
  4. Recomendações para tutores de animais de companhia durante o surto de COVID-19. Disponível em: https://www.fecava.org/wp-content/uploads/2020/03/FECAVA_Corona_A4_03-2020_PRT_LASTNIKI-2.pdf
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