Psicóloga Ana Graça
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26 Mar, 2018 - 11:24

Filhos problemáticos: o que fazer para atenuar a situação

Psicóloga Ana Graça

Os adolescentes tendem a valorizar muito o grupo de amigos mas, às vezes, certas influências podem desencadear comportamentos de risco e tornando-os filhos problemáticos.

Filhos problemáticos: o que fazer para atenuar a situação
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Se tem filhos problemáticos precisa encontrar estratégias para lidar com os problemas de comportamento, para que não se agravem e se transformem em delinquência.

Adolescência: fase conturbada da vida

filhos problematicos e mae a discutir com filha adolescente

A adolescência é uma fase marcada por diversas alterações, nomeadamente, alterações físicas, afetivas, sociais, familiares e psicológicas. Todas essas alterações podem despoletar tendências agressivas, de conflito, nomeadamente, comportamentos de oposição face às figuras de autoridade.

A adolescência é uma altura da vida em que aumenta a exposição a diversos perigos, tais como delinquência, toxicodependência e outros comportamentos de risco.

Adolescentes com fortes ligações com a família e mais supervisionados pelos pais possuem um maior sentimento de pertença e menor probabilidade de serem filhos problemáticos.

Comportamentos problemáticos

adolescentes problematicos

Existem diversos fatores que podem explicar os comportamentos dos filhos problemáticos.

Podem dividir-se em 3 tipos de fatores: fatores individuais, familiares ou escolares.

Fatores individuais:

  • Baixa autoestima;
  • Baixa motivação;
  • Pobre desenvolvimento cognitivo;
  • Baixas competências sociais;
  • Pouco vinculo à família;
  • Baixa capacidade para inibir comportamentos;
  • Impulsividade;
  • Hiperatividade;
  • Baixo rendimento escolar;
  • Uso e/ou abuso de substâncias;
  • Isolamento social;
  • Expulsões e suspensões escolares;
  • Baixas aspirações académicas.

Fatores familiares:

  • Disciplina severa e inconsistente;
  • Conflitos entre os pais;
  • Abuso infantil;
  • Ausência de supervisão dos filhos;
  • Exposição do adolescente a modelos adultos com comportamentos desviantes;
  • Doença psiquiátrica de um dos pais;
  • Baixa escolaridade dos progenitores;
  • Desemprego dos progenitores.

Fatores escolares:

  • Disciplina repressiva;
  • Práticas escolares rígidas;
  • Turmas com elevado número de alunos;
  • Escolas grandes e subestruturadas;
  • Relações negativas com os professores;
  • Ausência de psicólogos escolares;
  • Relações negativas entre o meio escolar e a família;
  • Conteúdo académico pouco estimulante.

Filhos problemáticos: o que fazer para atenuar a situação

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1 – Preparar a adolescência desde a infância: é essencial o trabalho de prevenção e promoção de um contexto de confiança e de ligação com o seu filho.

2 – Diálogo e troca de ideias: os pais devem reconhecer os direitos e autonomia dos filhos ao mesmo tempo que são firmes nas divergências e estabelecem normas para a conduta dos filhos; é essencial que o diálogo não seja algo imposto mas que seja fomentado ao longo do tempo.

3 – Abordar os temas com clareza: seja direto sobre os temas mais complicados da adolescência como o início do consumo de álcool; não é por abordar o tema ou lhe dar informação que ficará mais curioso, mas ficará certamente mais informado;

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4 – Dar tempo para o seu filho refletir sobre o que conversaram: após uma conversa informativa e esclarecedora é importante que o seu filho tenha tempo para pensar sozinho e assimilar o que lhe foi dito.

5 – Compreender a origem do problema de comportamento: nenhum comportamento começa inesperadamente e sem motivos; esteja atento às inseguranças e pensamentos do seu filho.

6 – Monitorização: é muito importante que os pais mantenham a supervisão no início da adolescência pois a falta dela pode contribuir para que os filhos se envolvam com companhias de risco.

7 – Estar atento aos sinais de alerta: oscilações frequentes e muito bruscas de comportamento sem razão aparente; ausências injustificadas; mudanças súbitas no desempenho escolar; falta de dinheiro na carteira dos pais; gasto de dinheiro frequente sem razão justificada; faltar às aulas.

8 – Autoridade flexível: encorajar a autonomia dos filhos, estimular a expressão dos seus desejos e sentimentos ao mesmo tempo que se impõe restrições ao comportamento.

9 – Dar responsabilidade: mostre a importância da responsabilidade sobre os seus próprios atos; mostre-se disponível para o ajudar na resolução dos problemas.

10 – Ter paciência: a adolescência tem início, meio e fim; saber esperar não é sinónimo de ignorar os sinais de rebeldia dos filhos; é ter firmeza e amor na medida certa.

11 – Deixar claro que o seu filho não pode tudo: é importante criar adolescentes que serão adultos bem adaptados ao mundo; é importante que trabalhem, que se responsabilizem e que tenham limites.

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12 – Não deixar arrastar os problemas: com o passar dos anos os pequenos problemas de comportamento podem tornar-se numa bola de neve.

13 – Procurar ajuda: se não está a conseguir resolver os problemas sozinho procure todas as ajudas e recursos possíveis, inclusive dentro da família.

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