Personal Trainer José Afonso
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14 Jul, 2020 - 10:08

O desporto mais indicado para crianças por fases de desenvolvimento

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O elevado leque de opções para envolver a criança na atividade física pode muitas vezes levar à indecisão dos pais. Fique a conhecer o desporto mais indicado para crianças por idade.

Desporto mais indicado para crianças: menina na ginástica

Sensibilizar as crianças para a prática do desporto pode trazer inúmeros benefícios, não só a nível físico, mas também como uma vantagem que vise definir a personalidade das mesmas, ajudando-as a amplificar alguns traços de personalidade.

Desde os desportos coletivos aos desportos individuais, existem muitas variedades de atividades das quais as crianças podem usufruir tendo, cada uma delas, as suas vantagens mas também as suas desvantagens.

A decisão mais difícil poderá ser eleger o desporto mais indicado para crianças, mas esta tarefa poderá ser facilitada se já sente que têm vocação para algum desporto a priori.

Neste artigo damos, então, a conhecer a idade adequada para cada desporto, as diferenças entre os desportos coletivos e individuais e como poderá escolher a modalidade que mais se adequa aos seus filhos, sejam eles tímidos ou competitivos.

Como saber o desporto mais indicado para crianças?

Crianças a jogar basquetebol

Numa fase inicial, muito provavelmente, alguns pais tentarão que os seus filhos sigam o mesmo desporto que estes praticaram em crianças, podendo muitas das vezes levar a que os filhos ganhem uma aversão à modalidade, porque – entre outras razões possíveis – talvez ainda não tenham a idade certa para o praticar.

É importante, primeiramente, ter noção se que a criança se encontra no estágio adequado para a concretização desse desporto. Caso contrário, corre o risco de ela desistir e não querer voltar a tentar.

Outro fator a ter em conta é a afinidade da criança para praticar a atividade física. Se a escolha pela modalidade for feita conjuntamente com o seu filho, é provável que este tenha uma maior vontade de praticar o desporto em vez de sentir que esta é uma imposição por parte dos pais.

A personalidade também poderá ditar que tipo de atividade a criança precisa, sendo que muitas vezes as crianças mais tímidas poderão precisar de praticar um desporto coletivo de forma a relacionar-se mais com outras crianças.

A idade certa para começar a competir

Certos pais, quando colocam os seus filhos a fazer desporto, já têm uma ideia de que este poderá praticá-lo por um período de tempo extenso e, se conseguir tornar-se profissional ,ainda melhor. Outros, preferem dar importância à necessidade que a criança tem de se divertir enquanto pratica desporto.

Numa fase inicial, o que importa é a criança tirar o máximo proveito e gozo da ativdade física, independentemente da modalidade que faz, porque isso dar-lhe-á boas recordações e criará um afeto emocional positivo em relação à prática de desporto.

Mais tarde, quando a criança já souber lidar com a pressão, a especialização já poderá tornar-se uma prioridade fazendo com que esta consiga demonstrar todas as suas capacidades.

Até aos 3 anos

Nesta primeira fase, a modalidade deverá ser praticada em contexto lúdico sendo a água o meio onde grande parte das modalidades poderão ser praticadas. 

Menina com bóia na piscina

Dos 3 aos 6 anos

Recomenda-se atividades como ginástica ou dança, pois ajudam no desenvolvimento da coordenação motora. Nesta faixa etária o importante é a criança divertir-se devendo as atividades ser sempre acompanhadas por técnicos especializados.  

Meninas na ginástica

Dos 6 aos 11 anos

Neste estágio de desenvolvimento, torna-se importante decidir conjuntamente com a criança qual o desporto que esta poderá praticar. O ténis, o futebol e o atletismo poderão ser boas opções para começar a dar uma complexidade desportiva à criança, porque nesta fase estas já começarão a competir. 

A partir dos 12 anos

Nesta idade a criança já sabe o que quer e principalmente o que não quer. Os desportos coletivos são importantes para integrar a criança na comunidade, ajudando-a a ter uma noção das regras e espírito de equipa. Desta forma, a competição será a prioridade porque é nestas idades que a especialização começa a tornar-se mais evidente.

Meninos a jogar futebol

Desportos coletivos ou desportos individuais?

Muitos pais, numa fase inicial do desenvolvimento dos filhos, sentem desconfiança face a colocá-lo em desportos coletivos porque existe o receio de que este possa magoar-se ao praticar a atividade com outras crianças.

Numa fase inicial, talvez os desportos individuais sejam uma boa opção, tal como natação, ténis ou ginástica, para mais tarde iniciarem desportos mais complexos como voleibol, futebol ou rugby.

Como referido, para as crianças mais tímidas, os desportos coletivos poderão ser uma boa opção. Após superarem a primeira fase de receio, é aqui que poderão fortalecer os laços sociais e sentirem-se valorizados num seio de uma equipa que conta com eles.

Para as crianças mais rebeldes que possam ter algum problema em cumprir regras, as artes marciais poderão ser uma boa opção, tendo em conta que se dá muito valor à não violência e ao equilíbrio emocional.

Conclusão

A inclusão de uma criança nos desporto desde tenra idade só trará benefícios no que toca a criar hábitos de vida mais saudáveis, a fortalecer a capacidade de socializar com outras crianças e, ao mesmo tempo, aprender a cumprir normas e a respeitar colegas e adversários.

Se existir dúvidas na modalidade a integrar lembre-se que há sempre a hipótese de experimentar algo novo, de quando em quando, e de decidir em conjunto com a criança qual a preferência desta.

Fontes

  1. Early Child Development and Care, “Adult perceptions of favorite chilhood play experiences”, Michael L. Henniger (1994).
  2. Direção-Geral da Saúde. Normas Clínicas – Graus de recomendação e níveis de evidência. In: Departamento da Qualidade, editor.: Direção-Geral da Saúde.
  3. BAISSAS, M. (s/data) Que criança? Que desporto? Que aconselhamento? Atletismo: Cadernos Técnicos, Federação Portuguesa de Atletismo, 23:13-23. Lisboa.
  4. BENTO, J. O. (1992) O Desporto: as crianças, os jovens e o rendimento. Câmara Municipal de Oeiras.
  5. DRAPER, J. A. (1999) Growth, development and the junior athlete. In: Frank S. P. (Ed.) Better Coaching. Advanced Coach’sbManual, Australia Sports Commission.
  6. FILIN, V.P. e VOLKOV, V. M. (1998) Seleção de talentos nos desportos. Mediograf, Londrina.
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