Mónica Carvalho
Mónica Carvalho
10 Mar, 2020 - 16:00

Coronavírus em Portugal: há motivos para alarme?

Mónica Carvalho

São cada vez mais os países que registam casos da COVID-19, a doença provocada pelo novo coronavírus que colocou o mundo em alerta. Há razões para alarme em Portugal?

Coronavírus em Portugal: teste ao Covid-19

Dados os casos registados de coronavírus em Portugal, 78 à data da redação deste artigo, existem já dois municípios praticamente em quarentena por serem considerados locais “clutcher” da doença: Felgueiras e Lousada.

Por esta razão, a preparação das organizações, instituições, serviços e comportamentos em sociedade são fatores essenciais para uma resposta efetiva e oportuna, pelo que os planos de contingência são cada vez mais abrangentes: encerramento de escolas e faculdades, de serviços públicos e empresas, limitação das visitas a hospitais, lares e prisões, limitação das viagens – tendo sido, inclusivamente, suspensos todos os voos entre Portugal e as zonas mais afetadas de Itália e até a possibilidade de cancelamento de eventos com mais de mil pessoas.

Os números do novo coronavírus em Portugal

Coronavírus: sintomas

Em Portugal, o mais recente relatório apresentado pela Direção-Geral da Saúde, de 12 de março, aponta para 78 casos confirmados (69 dos quais internados) e 637 casos suspeitos, dos quais 133 aguardam resultados laboratoriais, e 4923 pessoas estão em contacto com as autoridades de saúde, por uma questão de vigilância.

O Norte é a região do país mais afetada, com 44 internados, o que levou a medidas de contenção e ativação de períodos de quarentena nos municípios de Felgueiras e Lousada. A região centro regista 5 casos, Lisboa 23 casos e Algarve tem 5 casos confirmados com o novo coronavírus, nas seguintes faixas etárias.

Grupo etárioMasculinoFeminino
0-9 anos10
10-19 anos57
20-29 anos61
30-39 anos86
40-49 anos1110
50-59 anos81
60-69 anos61
70-79 anos23
+80 anos20

Acompanhe diariamente os relatórios atualizados da situação para o novo coronavírus em Portugal e no Mundo aqui.

Tanto a DGS, como o Ministério da Saúde e os responsáveis hospitalares onde se encontram doentes internados indicam que os doentes se encontram numa situação estável, havendo o caso de uma paciente, que inspira “algum cuidado” e, por isso, tem “vigilância apertada”.

Em Portugal, o que deve fazer?

Se tiver regressado de algumas das zonas de transmissão comunitária ativa do novo coronavírus, como Itália, China, Coreia do Sul, Singapura, Japão ou Irão, recomenda-se as seguintes medidas de prevenção durante 14 dias:

  • Aparecimento de febre, tosse ou dificuldade respiratória
  • Medir a temperatura corporal duas vezes por dia e registar os valores
  • Verificar se alguma das pessoas com quem convive de perto, desenvolvem sintomas (febre, tosse ou dificuldade respiratória)

Caso apareça algum dos sintomas referidos, não se deve deslocar de imediato aos serviços de saúde. Ligue para o SNS24 800 24 24 24 e siga as orientações que lhe forem dadas.

O uso de máscaras é desaconselhado para indivíduos saudáveis.

Medidas de prevenção: o que está em vigor

Em resposta às solicitações da OMS, o Governo encerrou universidades e escolas, onde foram registados casos de coronavírus. No Norte do país suspendeu também visitas a hospitais, lares e prisões.

Encontra-se também em vigor a suspensão de todos os voos com destino ou origem nos aeroportos italianos de Milão-Malpensa, Internacional II Caravaggio (Bérgamo) e Internacional Marco Polo.

A nível nacional, o executivo recomendou ainda a suspensão de eventos em espaços abertos com mais de 5 mil pessoas, e de eventos à porta fechada com mais de mil participantes.

Sugere-se ainda aos médicos que não participem em congressos ou conferências, especialmente para estarem disponíveis.

Tendo em conta os focos problemáticos de Felgueiras e Lousada, o Governo emitiu também orientação da suspensão de quaisquer eventos, como casamentos e a celebração de missas, com mais de 150 pessoas.

As medidas estipuladas pelo Governo decorrem até 03 de abril.

A Câmara de Lisboa e do Porto anunciaram o encerramento de museus, teatros, galerias, bibliotecas e piscinas municipais e o cancelamento de todos os eventos desportivos e culturais, bem como visitas de estudo.

Nunca é demais relembrar…

homem a desinfectar as mãos

Os sintomas de alguém contaminado com este surto viral podem incluir sinais de infeção respiratória aguda, como febre, tosse e dificuldade respiratória. Em situações mais graves pode haver ocorrência de pneumonia com insuficiência respiratória aguda, falência renal e de outros órgãos e eventual morte.

O risco de agravamento do estado de saúde aumenta com a idade e junto de quem tem o sistema imunológico debilitado ou sofre de doenças cardiovasculares, diabetes ou infeções pulmonares.

A propagação é rápida: basta tocar em superfícies ou objetos com gotículas de alguém infetado e, em seguida, passar a mão nos olhos, nariz ou boca. Além disso, estar cerca de um a dois metros perto de alguém com a doença é também considerado um fator de risco, visto que o vírus pode ser transmitido pelo ar.

Fontes

  1. Guia da OMS: Como se proteger da COVID-19 no local de trabalho? Disponível em: https://news.un.org/pt/story/2020/02/1705631
  2. Direção-Geral da Saúde. Disponível em: https://www.dgs.pt/em-destaque/relatorio-de-situacao-n-010-12032020-pdf.aspx
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