Drª Patricia Azevedo | Médica Veterinária
Drª Patricia Azevedo | Médica Veterinária
03 Mar, 2020 - 07:00

Coronavírus em animais: estarão os animais de companhia em risco?

Drª Patricia Azevedo | Médica Veterinária

O novo coronavírus COVID-19 é o responsável pelo surto de pneumonia que está a preocupar o mundo. Mas será que coronavírus em animais é preocupante?

Novo coronavírus em animais de companhia

O COVID-19 é um novo coronavírus que está de momento a causar um surto de pneumonias, tendo sido já declarado estado de emergência mundial pela OMS (Organização Mundial de Saúde). Sabemos que este vírus afeta as pessoas, no entanto, ainda existem várias questões relativamente aos animais. Isto é, será que se pode falar de coronavírus em animais?

O que é o novo coronavírus?

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O COVID-19, foi assim denominado pela OMS a 11 de Fevereiro de 2020, sendo que antes era “apelidado” de 2019-nCov. Este vírus foi identificado no final de 2019, na cidade chinesa de Wuhan, provincia de Hubei, sendo mais tarde confirmados casos em outros países, incluindo na Europa.

Este é um vírus que pertence à família dos coronavírus, sendo que estes vírus têm por norma, potencial zoonótico. Ou seja, são vírus que se podem transmitir entre pessoas e animais.

Consoante o tipo de coronavírus o seu hospedeiro pode ser diferente. Pode haver contágio entre mamíferos, enquanto outros contagiam pássaros e peixes. Uns apenas se transmitem dentro da mesma espécie, enquanto outros têm potencial para atravessar a barreira da espécie e infetar outras.

Até ao aparecimento do novo coronavírus eram conhecidos apenas 6 deste tipo capazes de infetar humanos, entre os quais o SARS-CoV, responsável pela Síndrome Respiratória Aguda, e o MERS-CoV, responsável pela Síndrome Respiratória do Médio Oriente.

Ainda pouco se sabe acerca deste vírus, no entanto, sabe-se que os sintomas são semelhantes aos de uma gripe, evoluindo rapidamente para pneumonia. Suspeita-se que a origem esteja num animal, uma vez que os primeiros casos tiveram origem no mercado chines. No entanto, não existem certezas quanto a sua origem, pelo que é necessário que se prossiga a investigação.

A forma de transmissão também é ainda um facto pouco conhecido, no entanto o contacto pessoa a pessoa foi já confirmado como um meio de contágio.

Coronavírus em animais de companhia

Novo coronavírus em animais: tutora e cão sentados no sofá a brincar

Os coronavírus pertencem a uma grande família de vírus, sendo que existem outros coronavírus que afetam os animais.

No caso dos gatos, o coronavírus entérico felino provoca problemas gastrointestinais e trata-se de uma doença que pode levar à morte. O vírus em situação normal provocada sinais gastrointestinais ou uma leve diarreia, podendo passar até desapercebido. No entanto, existe uma mutação do vírus em que ocorre uma doença denominada por PIF (Peritointe Infeciosa Felina), que é altamente mortal em gatos.

Nos cães, existe também um coronavírus especifico da espécie que também provoca alterações gastrointestinais, sendo que os cachorros são os mais suscetíveis a esta doença.

Novo coronavírus: O papel dos animais

Pensa-se que a origem do novo coronavírus tenha sido num animal presente no mercado chinês, onde existia peixe, marisco e aves. Existe também uma compatibilidade de 96% entre o novo coronavírus e um coronavírus dos morcegos.

No entanto, apesar de todas as suspeitas, ainda não foi possível provar que a origem do surto esteve nos animais nem em qual espécie.

Na china, onde o surto do novo coronavírus já matou centenas de pessoas, o pânico está a ser de tal forma que as pessoas locais começaram a temer que os seus animais de companhia pudessem ser uma fonte de contágio, tendo surgido então abandonos em massa.

No entanto, não existe nenhuma evidência científica de que os cães, gatos e outros animais domésticos possam ser infetados com o novo coronavírus, nem que possam ser uma fonte de contágio para humanos. Assim, está a ocorrer um medo infundamentado.

De qualquer forma, este novo coronavírus é muito recente e está ainda sob vigorosa investigação, sendo que as informações podem ser atualizadas a qualquer altura.

Pessoas infetados com o novo coronavírus podem estar em contacto com animais?

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Apesar de não existirem ainda evidências de contágio do novo coronavírus entre pessoas e animais, é aconselhável que as pessoas doentes não tenham contacto com animais. O contacto deve ser evitado de forma a proteger os animais e também para evitar a possibilidade dos animais servirem de reservatório, ou sejam, serem transmissores do vírus.

No entanto, mais uma vez, é de referir, que até agora não existe nenhuma evidência de contágio do novo coronavírus entre pessoas e animais.

O que fazer em caso de uma pessoa infetada entrar em contacto com animais?

Até à data não existe evidência de contágio entre pessoa – animal – pessoa, no entanto, caso uma pessoa doente esteja em contacto com um animal, deve contactar o médico veterinário, para que sejam informadas as entidades responsáveis e tomadas as devidas providências.

Uma pessoa infetada deve tomar todas as providências para evitar qualquer tipo de contacto tanto com outras pessoas como com qualquer animal, enquanto não existir mais informação acerca de espécies afetadas e forma de contágio do novo coronavírus.

Caso o animal tenha estado em contacto com uma pessoa suspeita ou infetada e exiba sintomas de doença, o médico veterinário deve ser imediatamente informado, pois trata-se de uma questão de saúde pública.

Fontes

  1. The New Coronavirus and Companion Animals – Advice for WSAVA Members – WSAVA Scientific and One Health Committees. Disponível em: https://wsava.org/wp-content/uploads/2020/02/nCOV_WSAVA-Advisory-Document-final-05.02.2020.pdf
  2. Coronavirus disease (COVID-19) outbreak – WHO. Disponível em: https://www.who.int/emergencies/diseases/novel-coronavirus-2019
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