Drª Patricia Azevedo | Médica Veterinária
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21 Abr, 2020 - 10:35

Colónias de gatos de rua e projetos CED: saiba o que são estas exceções ao Estado de Emergência

Drª Patricia Azevedo | Médica Veterinária

Sabe o que são colónias de gatos de rua e projetos CED? Saiba como funcionam.

Colónias de gatos de rua e projetos CED: grupo de gatos

As colónias de gatos de rua e projetos CED já existem há algum tempo, no entanto, este tema ainda é pouco conhecido.

colónias de gatos de rua e projetos ced: o que está em causa

Colónias de gatos e projetos CED: gatos de rua

Os gatos são seres que, por norma, vivem em grupos, por isso, quando estão na rua, é normal que se formem pequenos grupos de gatos que começam a viver num determinado local.

Colónias de gatos

Muitas vezes, estas colónias de gatos formam-se devido ao abandono, em que um gato é abandonado e se junta a outro. Não estando esterilizados, facilmente procriam tendo uma ninhada de entre 4 a 6 gatinhos. Entre os 4 e os 6 meses de idade já estão aptos para se reproduzirem, razão pela qual as colónias de gatos podem facilmente descontrolar-se.

Na sua maioria, estes gatos são selvagens, com pouca probabilidade de virem a ser domesticados. São animais que estão habituados a pouco ou nenhum contacto humano e, por vezes, até necessitam mesmo de o evitar, por diversas situações.

Assim, é difícil retirar estes gatos das ruas. Mesmo que existisse casa para todos (o que não há), a probabilidade de estes se adaptarem a viver com pessoas é muito reduzida, especialmente no caso dos gatos adultos.

No entanto, vários gatos, com doenças que podem ser transmitidas para outros animais e algumas (poucas) para as pessoas, podem ser considerados um problema de saúde pública.

Uma vez que este é um problema muito difícil de erradicar, cada vez mais pessoas se dedicam a tentar garantir o bem-estar e saúde destes animais – e também evitar que este problema cresça, evitando que se reproduzam.

Projetos CED

Os projetos CED (Capturar, Esterilizar e Devolver) focam-se exatamente em controlar este problema dos gatos, garantindo a sua saúde, bem-estar e também evitando problemas maiores de saúde pública, pois se os gatos se encontrarem saudáveis também não serão fonte de contágio de doenças.

Colónias de gatos de rua e projetos ced: quem é responsável por estes projetos?

Atualmente, existem várias entidades responsáveis por este tipo de projetos. Algumas câmaras municipais já desenvolvem este projeto, tal como algumas associações por conta própria.

Existe um programa criado pela OMV (Ordem dos Médicos Veterinários) que financia também este tipo de projetos, em parceria com algumas clinicas, através do cheque veterinário.

Colónias de gatos de rua e projetos ced: como funciona?

Colónias de gatos de rua e projetos CED: gato no veterinário

Existem vários passos no projeto CED e é necessário alguma experiência para que se consiga um bom trabalho junto destes animais. As colónias de CED devem ser devidamente identificadas pela organização ou entidade responsável para que se consiga um maior controlo dessa população.

Para além dos projetos CED, estes gatos necessitam também de ser vigiados pelas mesmas entidades responsáveis, de forma a garantir que se encontram saudáveis, e caso não estejam, deve ser providenciado apoio médico veterinário. Também é importante garantir a sua alimentação e abrigo, especialmente em tempo mais quente e mais frio.

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1.

Capturar

Para um principiante, esta pode ser uma tarefa de grau elevado. Nalgumas colónias de gatos de rua, ou até dentro da mesma colónia, existem alguns gatos mais mansos e por vezes é possível conseguir colocá-los numa transportadora.

No entanto, na maioria dos casos, os gatos selvagens não deixam ser tocados e, portanto, é necessário recorrer a armadilhas para que sejam capturados.

As armadilhas para gatos são seguras e o seu mecanismo baseia-se na colocação de comida no seu interior, petiscos apetitosos preferencialmente, para que o gato entre na transportadora, pise o gatilho, e a transportadora se feche.

A partir do momento em que o gato fica encurralado é necessário tentar manter o gato o mais calmo possível, pois é um momento de grande stress. O mais aconselhado é manter a armadilha tapada e movimentá-la o menos possível.

2.

Esterilizar

Depois de capturado o gato é encaminhado para o médico veterinário. Na clínica, o animal é anestesiado para que se possam efetuar todos os procedimentos, uma vez que, na maioria dos casos, não é viável pegar num gato selvagem.

O médico veterinário realiza, em primeiro lugar, um exame físico cuidado ao animal, para garantir que se encontra bem de saúde.

Posteriormente, podem ser realizados alguns exames, para garantir que o felino está bem de saúde e livre de doenças. O mais comum é o despiste de leucemia felina e sida felina, através de um teste rápido com uma amostra de sangue, sendo o resultado obtido em cerca de 10 minutos.

Depois disso, o médico veterinário procede à esterilização da fêmea ou castração do macho, desparasitação para os parasitas internos e externos e identificação eletrónica, com registo na base de dados do SIAC, em que identifica o animal e o cuidador, bem como a que colónia pertence o animal.

Os gatos de colónia, depois de serem esterilizados, ficam com um pequeno corte na orelha esquerda. Este pequeno corte é realizado pelo médico veterinário, no momento da esterilização, com o animal anestesiado, e é reconhecido internacionalmente como um símbolo de animal castrado.

Muitas vezes, estes animais selvagens não se aproximam das pessoas e o facto de terem este símbolo evita que sejam novamente capturados sem necessidade.

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3.

Devolução

A devolução dos animais é feita depois de estarem recuperados ou terem alta do médico veterinário. Os responsáveis pelo felino levam o animal até ao local da colónia e soltam-no. Devendo vigiar para onde o animal se dirige e se se mantém pela zona nos próximos tempos.

Colónias de gatos de rua e projetos ced: Qual a sua importância?

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As colónias de gatos de rua e os projetos CED são considerados de extrema importância para garantir e salvaguardar o bem-estar dos felinos e a saúde pública.

Esta é uma das razões pelas quais, nas exceções do Estado de Emergência, se contempla os cuidadores de colónias, pois é um serviço essencial para o animal e para a população.

Fontes

  1. Decreto n.º 2-A/2020 – Diário da República n.º 57/2020, 1º Suplemento, Série I de 2020-03-20. Disponível em: https://www.portugal.gov.pt/download-ficheiros/ficheiro.aspx?v=3f8e87a6-3cf1-4d0c-b5ee-72225a73cd4f
  2. Animais de rua: capturar-esterilizar –devolver. Disponível em: https://animaisderua.org/ced
  3. OMV – Cheque veterinário. Disponível em: https://www.omv.pt/dmdocuments/noticias/cheque_veterinario_apresentacao_marco_2018.pdf
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