Mónica Carvalho
Mónica Carvalho
12 Jan, 2021 - 09:39

Balanço de 2020: saúde mental e outras lições

Mónica Carvalho

Ordem dos Psicólogos fez o balanço de 2020 e mostra-nos as lições que aprendemos num ano tão diferente, que nos obrigou a parar.

Balanço de 2020

Em 2020, a pandemia provocada pela COVID-19 transformou-se desafio a nível mundial, levando-nos a repensar e a mudar atitudes e comportamentos. Não só ao nível da higiene, com o uso de máscara, lavagem frequente das mãos; como na forma como nos relacionamos uns com os outros, com o cumprimento do distanciamento social. Mas o que aprendemos?

Tudo isto obrigou-nos a ser mais resilientes e a demonstrar grande capacidade de adaptação. Mas o que aprendemos na verdade? Que lições tiramos de um ano que nos obrigou a parar e em que a distância é uma verdadeira prova de amor?  

13 lições de 2020

mulher a olhar pela janela a pensar
1

Valorizar o conhecimento científico

Com tanta informação a circular a todo o instante, é preciso ser seletivo no que lemos e onde procuramos informação. É certo que a ciência não sabe tudo, “nem tem respostas absolutas e estáticas, mas sobretudo em momentos de crise, pode ter um impacto muito significativo”.

2

Exigir transparência na comunicação

Não basta procurar as fontes certas, é preciso que a informação seja acessível ao cidadão comum, quando veiculada pelas autoridades de saúde e pelo Governo. Uma ação simples, que “promove comportamentos pró-saúde e pró-sociais adequados”.

3

A saúde física e mental é uma responsabilidade de todos

Naturalmente que a doença COVID-19 traz preocupações imediatas, mas não só. As consequências da mesma têm impacto a vários níveis, entre os quais na saúde mental, mas também noutras doenças. Falamos, por exemplo, de cancro, das doenças cardiovasculares, das demências, cujas consultas, exames, tratamentos e até cirurgias aumentaram, em muito, as listas de espera.

4

A liberdade do indivíduo termina onde a empatia pelo outro começa

Para tentar baixar as taxas de contágio foram implementadas várias medidas, como o confinamento geral ou pontual. Direta ou indiretamente, estas medidas “influenciam direitos humanos fundamentais de movimento e liberdade. Isto faz com que a maioria das pessoas compreenda e respeita, devido ao sentido de empatia.

De igual modo, os meios tecnológicos são colocados à disposição e utilizados “para que familiares possam comunicar com pessoas doentes e/ou a morrer, para garantir atenção e para denunciar casos de violência doméstica ou de crianças em risco ou perigo, por exemplo”.

5

A saúde psicológica é essencial para o nosso bem-estar

Só assim é possível que cada pessoa se adapte às exigências, adversidades e mudanças que acontecem. Caso contrário, existem vulnerabilidades acrescidas, o que pode dificultar a nossa resposta a situações de stress e de incerteza.

6

Somos mais vulneráveis, mas também mais resilientes do que pensávamos

A pandemia confrontou-nos com a nossa própria fragilidade perante um vírus invisível, com o elevado grau de imprevisibilidade que lhe é associado. Isso interfere com a nossa possibilidade de fazer planos, mas também com a nossa perceção de controlo e isso pode afetar, e muito, com a saúde psicológica do indivíduo.

E ainda assim, o ser humano revelou uma grande capacidade de adaptação e de superação, provando que é capaz de aguentar e de superar muito mais do que imagina.

7

Somos interdependentes

Lá diz o ditado “nenhum homem é uma ilha”, que é, como quem diz: precisamos sempre uns dos outros, e isso tornou-se ainda mais evidente num mundo a lidar com uma pandemia.

Ao longo de 2020 foram vários os exemplos de solidariedade social, entreajuda e apoio, “valorizando-se a conexão social e os comportamentos em prol do bem comum como o alicerce da nossa vida, mesmo quando o distanciamento físico é um imperativo”.

8

Podemos relacionar-nos de forma diferente

Longe, mas perto: o que a pandemia afastou, as novas tecnologias aproximaram. Criamos novas formas de nos relacionarmos uns com os outros, provando, mais uma vez, a nossa grande capacidade de adaptação.

9

Podemos organizar o trabalho e a vida profissional de forma diferente

Para muitos, o teletrabalho era impensável e a pandemia veio mudar esse paradigma, mostrando outras formas de organização do trabalho e realidades profissionais.

10

Podemos aprender de forma diferente

Se os trabalhadores se adaptaram a novas realidades, também os alunos o fizeram, demonstrando uma capacidade estóica de adaptação ao ensino à distância, em diferentes níveis e sistemas de ensino.

Foram, assim, criadas novas formas de ensino-aprendizagem e de relação entre estudantes e professores, escola e família.

11

Podemos organizar o espaço de forma diferente

A capacidade de reinvenção chegou também aos diferentes serviços e estabelecimentos comerciais, mas também às nossas casas.

As nossas casas são cada vez mais entendidas como um “refúgio ou espaço seguro”, na maioria dos casos. De tal forma que muitos começaram a privilegiar o tempo passado em casa e a qualidade e conforto do mesmo.

12

Os nossos comportamentos têm impacto positivo no ambiente

Sejam esses comportamentos individuais ou coletivos, o meio ambiente deu novos sinais de vida: os animais andaram mais livremente, os oceanos ficaram mais limpos e houve uma significativa diminuição global das emissões de gases com efeito de estufa.

13

Devemos pensar nas dimensões éticas das soluções

Isto é especialmente importante quando falamos em tecnologia, até porque foram criadas aplicações que permitem rastrear o novo coronavírus e nem todos os cidadãos estão equipados com o hardware/hardskills e o software/softskills necessários para tal.

Por muita esperança que se tenha depositado neste novo ano, em 2021 continuaremos a lidar com todos os desafios que a pandemia da COVid-19 representa. Continuaremos a desafiar-nos, continuaremos a aprender e que possamos tornar-nos seres humanos mais fortes, capazes e resilientes.

Fontes

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