Nutricionista Hugo Canelas
Nutricionista Hugo Canelas
21 Out, 2020 - 17:00

Suspeita de alergia ao marisco? Saiba como se manifesta e qual o diagnóstico

Nutricionista Hugo Canelas

A alergia ao marisco pode ser potencialmente fatal. Saiba os cuidados a ter não só na preparação de refeições em casa, mas também fora dela.

Alergia ao marisco

A alergia ao marisco é diferente da alergia ao peixe. Se for alérgico ao peixe pode consumir marisco sem risco de reação alérgica e vice-versa. Assim sendo, é bastante importante evitar todos os tipos de marisco caso já tenha desenvolvido sintomas após a ingestão deste tipo de alimento.

As alergias alimentares correspondem a reações adversas aos alimentos ou constituintes alimentares mediadas por mecanismos imunológicos que ocorrem, por norma, imediatamente ou até 2 horas após a exposição, podendo variar de gravidade (1).

Esta particularidade é precisamente o que distingue as alergias das intolerâncias alimentares, porque até doses extraordinariamente pequenas do alimento agressor podem ser potencialmente fatais.

A severidade da Alergia ao marisco

Variedade de peixe e marisco numa mesa

A alergia ao marisco pode ser imprevisível, havendo casos em que a reação anafilática ocorre bastante tempo após a ingestão do alimento agressor e sem que se tenham verificado outros sintomas.

Este tipo de alergia é ainda diferente das outras na medida em que as reações costuma tornar-se cada vez mais severas com cada exposição, o que impossibilita a indução de tolerância oral específica como forma de minimizar a severidade dos sintomas as reações.

Por fim, e embora possa afetar pessoas de todas as idades, este tipo de alergia pode desenvolver-se ao longo do tempo, sendo por isso mais comum em adultos. Quer isto dizer que muitas pessoas são capazes de comer marisco durante anos até sofrerem uma reação alérgica.

No entanto, alguns fatores contribuem para aumentar o risco de alergia ao marisco, incluindo história familiar positiva de alergia a este tipo de alimentos.

Tipos de marisco e alimentos a evitar em caso de alergia

Variedade de marisco em cima de mesa

Importa salientar que existem dois tipos distintos de marisco: os crustáceos e os moluscos.

Exemplos de crustáceos a evitar no caso de alergia são (2):

  • Camarão
  • Caranguejo
  • Lagostim
  • Lagosta

Já os moluscos, temos como exemplos:

  • Mexilhão
  • Ostra
  • Lula
  • Choco
  • Polvo
  • Caracol
  • Vieiras

A maioria das pessoas alérgicas a um tipo de marisco, também são alérgicas ao outro, mas há uma chance de poder consumir algumas variedades. No entanto, quem tem alergia ao marisco é aconselhado a evitar o consumo de todos os tipos de marisco.

Para além do marisco em si, pessoas alérgicas devem ainda evitar as seguintes preparações culinárias e alimentos processados que contenham marisco na sua constituição (2):

  • Molho de francesinha
  • Arroz, massa e caldeiradas de marisco e de peixe
  • Receitas de peixe com molho de marisco
  • Patés à base de marisco
  • Recheio de sandes à base de marisco
  • Empadas e rissóis de marisco
  • Linguine com tinta de choco
  • Sopas pré-confecionadas à base de marisco

Quais são os sintomas da alergia ao marisco?

Mulher com alergia no braço por causa de melga

No caso de todas as alergias, os sintomas são causados pela resposta específica do indivíduo e não pelo alimento em si. Ou seja, há uma suscetibilidade individual para produzir anticorpos em resposta a quantidades muito reduzidas de alergénios, habitualmente proteínas.

Uma vez que a alergia ao marisco pode ser potencialmente fatal, é muito importante saber reconhecer os sintomas e procurar ajuda médica o quanto antes. Caso seja alérgico ao marisco, os sintomas ocorrem frequentemente alguns minutos até 1 hora após a ingestão do alimento agressor.

Estes sintomas podem variar na gravidade, de leves a muito graves, e incluem (3):

Sintomas leves da alergia ao marisco

  1. Comichão na pele.
  2. Urticária.
  3. Formigueiro nos lábios.
  4. Náuseas.
  5. Tosse.
  6. Nariz entupido.

Sintomas moderados da alergia ao marisco

  1. Respiração ofegante.
  2. Aperto no peito.
  3. Dor abdominal.
  4. Diarreia.
  5. Vómitos.

Uma reação alérgica severa é uma emergência médica. Este tipo de reações pode causar choque anafilático, uma situação caracterizada por hipotensão, edema da língua e glote, dispneia e choque e que, por isso, coloca em risco a vida do doente alérgico (3).

Sintomas mais graves da alergia ao marisco

  1. Edema da glote, que impossibilita a respiração normal.
  2. Hipotensão.
  3. Taquicardia (aumento da frequência cardíaca).
  4. Tonturas.
  5. Perda de consciência.

Como diagnosticar A alergia ao marisco?

Médico a fazer teste de alergias a paciente

Caso haja suspeita de alergia ao marisco, é importante consultar o seu médico assistente, mesmo que os sintomas sejam leves. O diagnóstico de alergia alimentar envolve exame físico e recolha da história clínica e alimentar, sendo posteriormente confirmado quer por dieta de eliminação, quer por testes imunológicos e ao sangue.

Os testes cutâneos examinam a resposta do nosso organismo ao alergénio suspeito. O médico “pica” a pele do braço ou do dorso da mão com uma quantidade reduzida de proteínas do marisco e avalia o diâmetro da reação causada.

No caso de ser superior a 3 mm, é habitualmente realizado um teste de provocação oral, no qual são administradas quantidades progressivamente maiores do alimento suspeito a cada 15 – 60 minutos, em ambiente hospitalar, e sob supervisão médica, até prova convincente e não letal de reação (1).

Já os testes sanguíneos avaliam a reação do sistema imune à presença de proteínas do marisco, quantificando os níveis de determinados anticorpos na corrente sanguínea.

Como tratar/prevenir a alergia ao marisco?

Após diagnóstico de alergia, o único tratamento cientificamente comprovado é a evicção alimentar e a alergia ao marisco não é exceção.

A gestão das alergias alimentares envolve cuidados extra, não só na preparação de refeições em casa, mas também fora dela. É essencial aprender a ler os rótulos dos alimentos e evitar todos os que possam conter vestígios de marisco.

Alimentos que, à primeira vista, não contêm marisco, como molho de francesinha, paté, recheio de sandes e sopas pré-confecionadas, bem como os simples atos de manipular ou inalar vapor que preparações culinárias contendo marisco podem despoletar uma reação alérgica.

Mesmo que não entre em contacto com o marisco, o risco de reação por contaminação cruzada, isto é, contacto dos alimentos a ingerir com marisco seja pela preparação em superfícies ou com utensílios mal higienizados, é muito grande.

Exemplos clássicos são facas, balcões ou grelhas. É importante, por isso, dar a conhecer a sua alergia em restaurantes ou em casas de familiares ou conhecidos.

Fontes

  1. Mahan, L.K., Raymond, J.L. (2017). Krause’s Food and Nutrition Care Process. 14th Edition. St Louis, Missouri.
  2. DGS. (2012). Alergias alimentares. Disponível em: https://www.dgs.pt/documentos-e-publicacoes/alergias-alimentares-jpg.aspx
  3. DGS. (2012). Anafilaxia: abordagem clínica. Disponível em: https://www.dgs.pt/directrizes-da-dgs/normas-e-circulares-normativas/norma-n-0142012-de-16122012-png.aspx
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