Rúben Ausina
Rúben Ausina
07 Out, 2020 - 09:45

Dispneia: quando se torna preocupante e como atuar

Rúben Ausina

A falta de ar ou dispneia é uma patologia que tende a ser mais frequente nas estações frias, nos grupos etários mais vulneráveis. Conheça a sua sintomatologia e principais causas.

Mulher com falta de ar

A falta de ar recorrente (também designada por dispneia) caracteriza-se por desconforto ou dificuldade em respirar, que pode surgir em várias situações, como nos casos de obstrução das vias aéreas ou fluxo sanguíneo, diminuição da concentração de oxigénio no sangue e na presença de patologia respiratória.

Relativamente à sintomatologia, pode adquirir um quadro clínico desde aperto no peito, palpitações, pieira, tosse, cansaço e fadiga ao realizar tarefas simples da vida diária (andar, subir escadas ou mesmo comer), dificuldade em falar ou completar frases e cianose (pele com tom azul-acinzentado) especialmente nos dedos, lábios e orelhas.

Este tipo de patologia tende a ser mais frequente e intensa nas estações mais frias, e especialmente nos grupos etários mais vulneráveis, como idosos e crianças. É importante conseguir identificar e corrigir corretamente estas situações, pois podem implicar risco de vida.

Principais causas da dispneia

Inalador de asma em cima de uma mesa

Os episódios de dispneia podem ser agudos (repentinos) ou crónicos (prolongados), podendo estar associados a diversas patologias, sendo as causas mais comuns:

Existem outras condições que também podem causar a sensação de falta de ar, como ataques de pânico, ansiedade e cancro do pulmão.

A exposição a poluentes, como químicos, poeiras, fumo (como o do tabaco), são outros fatores que podem desencadear um episódio de dispneia.

Dados epidemiológicos

Em Portugal, as doenças respiratórias são uma das principais causas de morbilidade e mortalidade, em particular as doenças respiratórias crónicas, cuja prevalência é de cerca de 40%, com tendência a aumentar, e com especial atenção nos utentes com idade superior a 65 anos.

Segundo dados estatísticos do Programa Nacional para as Doenças Respiratórias é factual uma redução sustentada dos anos potenciais de vida perdidos, assim como o número de internamentos.

Relativamente à asma e DPOC, Portugal integra o grupo dos países da OCDE com menor taxa de mortalidade. Por outro lado, no que toca a casos de pneumonia é o país com a taxa de mortalidade mais elevada.

Diagnóstico da dispneia

Médico a auscultar paciente

O diagnóstico primário consiste na avaliação dos sintomas, história clínica, assim como exame físico e auscultação pulmonar.

Adicionalmente, como meio complementar de diagnóstico poderá ser necessária uma espirometria, um exame que avalia a quantidade de ar que o indivíduo consegue inspirar e expirar e com que rapidez, como também a medição dos níveis de oxigénio no sangue com oxímetro de pulso, análises sanguíneas, exames imagiológicos e eletrocardiograma.

Em caso de suspeita de infeção respiratória pode ser solicitado exame microbiológico de expetoração ou lavado/aspirado bronco-alveolar.

Como atuar perante um caso de dispneia?

É importante salientar que qualquer situação de dificuldade respiratória deve ser assistida num hospital, mesmo aparentando já haver sinais recuperação. É importante certificar que não houve dano permanente e confirmar a causa que originou a situação.

Quando estamos perante uma situação repentina de dificuldade respiratória, existem alguns pontos fundamentais para auxiliar nessa situação:

  1. Sentar a vítima, colocando-a numa posição estável e confortável.
  2. Incentivar a respirar calmamente, inspirando pelo nariz e expirando pela boca.
  3. Não permitir conversas, aconselhando apenas a responder de forma curta, como “sim” ou “não” através de gestos.
  4. Não permitir esforços físicos, pois a fadiga vai agravar a situação.
  5. Se a vítima utilizar habitualmente oxigénio em casa, não aumentar o valor administrado.
  6. Nunca deitar uma pessoa com dificuldade respiratória, pois pode piorar a situação.
  7. Contactar o número de emergência médica.
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