Sarna demodécica: saiba tudo sobre esta doença de pele nos cães

A sarna demodécica é uma doença de pele que afeta cães. Conheça melhor esta doença, em que consiste, sintomas, diagnóstico e o tratamento possível.

Powered by: Vetecare
Sarna demodécica: saiba tudo sobre esta doença de pele nos cães
Cães com esta doença não devem ser utilizados para reprodução

A sarna demodécica é um tipo de sarna causada por um ácaro. Este ácaro normalmente é passado para o cachorro através das suas mães, nos primeiros dias de vida, e é responsável por várias alterações dermatológicas.

O que é a sarna demodécica?


sarna demodecica pug na relva

A sarna demodécica, também conhecida por sarna negra ou demodecose, é uma doença dermatológica, de pele, causada pelo ácaro Demodex canis.

Estes ácaros habitam na pele da maioria dos cães, sendo por norma, transmitidos numa fase muito precoce da sua vida, através da mãe.

Na maioria dos cães, não há qualquer sintoma relacionado a estes ácaros. No entanto, quando há um desequilíbrio das defesas, há uma proliferação dos ácaros, resultando em doença.

Assim, a sarna demodécica parece ter predisposição hereditária que se relaciona a uma falha no sistema imune. Por esta razão, cães com esta patologia não devem ser utilizados para fins reprodutivos.

Apesar da causa ser hereditária, existem alguns fatores que podem despoletar a infeção, como:

  • Desnutrição;
  • Parto;
  • Cio;
  • Stress;
  • Parasitismo.

Os cães mais suscetíveis são cachorros com idade inferior a 18 meses, pois só a partir desta altura é que o seu sistema imunitário está completamente desenvolvido. Também se sabe que algumas raças são mais propensas a desenvolver a doença, tais como:

Ao contrário da sarna sarcóptica, este tipo de sarna não é contagioso entre cães nem entre cães e humanos. No entanto, devido à semelhança das lesões, é aconselhável tomar precauções até ao diagnóstico, de forma a evitar possíveis contágios, como por exemplo a utilização de luvas durante a manipulação dos animais.

Tipos de sarna demodécica


sarna demodecica pata de cao

1. Sarna Demodécica localizada

Na forma localizada os locais mais afetados são os lábios, canto da boca, à volta das pálpebras e em alguns casos mais raros tronco e patas.

Neste tipo as lesões restringem-se a determinadas zonas, normalmente até seis lesões.

Este tipo de sarna demodécica afeta cães até 1 ano de idade e costuma resolver-se espontaneamente se o animal for saudável. No entanto, pode também acontecer evoluir para uma forma generalizada. Por esta razão, o animal deve ser avaliado pelo médico veterinário numa fase inicial da doença para saber se é necessário realizar algum tratamento.

Para evitar despesas inesperadas, saiba que a Medicare tem um plano de saúde animal, que lhe permite o acesso a uma vasta rede de profissionais veterinários a preços imbatíveis. Com um custo de13€ por mês, saiba como aderir ao plano.

2. Sarna Demodécica generalizada

Neste caso as lesões, apesar de semelhantes à do tipo localizado, encontram-se dispersas por todo o corpo, com pelo menos doze lesões.

Por norma as lesões encontram-se na cabeça, pernas e tronco, podendo em casos mais graves estender-se por todo o corpo.

Costuma surgir até aos 18 meses quando não há resolução espontânea da sarna demodécica com a entrada na idade adulta. Em animais adultos pode surgir entre os 2 e os 5 anos de idade devido a patologias subjacentes que provoquem uma baixa das defesas do animal.

3. Pododermatite demodécica

Este é um tipo de sarna demodécica em cães que se carateriza por manifestar lesões circunscritas às patas.

Pode acontecer surgir apenas nas patas sem aparecer lesões em mais nenhum local ou pode ser secundário a uma sarna demodécica generalizada, restando lesões apenas nas patas depois de desaparecerem as restantes.

Sintomas de sarna demodécica


sarna demodecica cachorro a com comichao

Dependendo do tipo de sarna, as lesões podem surgir em vários locais, dimensões e quantidade, no entanto, no geral, as lesões caraterizam-se por:

  • Zonas de alopécia, com falha de pelo;
  • Pele espessa e escura;
  • Crostas na pele;
  • Prurido, devido a infeções bacterianas secundárias na pele;
  • Gânglios aumentados, febre e perda de peso no caso de sarna demodécica generalizada;
  • Eritema, vermelhidão.

 

Diagnóstico de sarna demodécica


sarna demodecica veterinaria a ver pele de cao

Alguns sinais clínicos, idade e a história clínica podem sugerir ao médico veterinário a doença. No entanto, a confirmação do diagnóstico baseia-se na observação direta do parasita.

1. Raspagem da pele

Com uma lâmina de bisturi, o médico veterinário irá raspar a pele do cão fazendo uma ferida. Posteriormente espreme a pele e coloca os detritos numa lâmina para observar ao microscópio. Caso o animal tenha a doença, será possível observar o ácaro.

2. Tricografia

Para este exame é necessário a recolha de pelos nos locais afetados. Uma vez que os ácaros se alojam no folículo piloso, ao arrancar o pelo e observar a sua raiz ao microscópio pode ser possível observar o ácaro.

3. Biópsia

Não é um método de diagnóstico utilizado normalmente no caso de suspeita de sarna demodécica. No entanto, caso não seja possível confirmar o diagnóstico através dos outros meios, pode ser necessário recorrer a uma biópsia, retirando uma amostra de pele para análise laboratorial.

Tratamento de sarna demodécica


sarna demodecica pipeta em cao

O tratamento deve ser sempre recomendado pelo médico veterinário. Este profissional de saúde irá analisar, dependendo do tipo, tamanho e quantidade de lesões, a necessidade de tratamento e qual o método mais adequado a cada caso.

Em situações mais severas, pode ser necessário fazer banhos com champô específico, administrar injeções, pipetas ou comprimidos.

Veja também:

Dra. Patrícia Azevedo Dra. Patrícia Azevedo

Patrícia Azevedo é médica veterinária natural de Braga. Desde a sua infância que é apaixonada por animais e sempre teve a ambição de ser médica veterinária. Trabalhou como voluntária em associações de proteção e ajuda a animais errantes desde os 11 anos de idade . Iniciou o seu percurso como estudante desta área na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e concluiu os seus estudos no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar. Tem três gatos e uma cadela retirados da rua. Trabalha atualmente na sua cidade natal, em medicina e cirurgia de pequenos animais.