Óleo de coco: saudável para tudo, menos para comer

O óleo de coco é, sem dúvida, a gordura do momento, conquistando adeptos a cada dia. No entanto, os benefícios que lhe são apontados a nível da saúde e emagrecimento parecem estar bastante sobrevalorizados.

Óleo de coco: saudável para tudo, menos para comer
A popularidade do óleo de coco está no auge e as suas finalidades são mais do que muitas.

óleo de coco é, sem dúvida, a gordura do momento e uma das maiores tendências alimentares e de cosmética na sociedade atual, devido à sua versatilidade.

Os benefícios que lhe são apontados são mais do que muitos e é, por muitos considerada a gordura mais saudável. Mas será mesmo assim? Quais serão os verdadeiros benefícios do óleo de coco? Onde pode e deve ser utilizado? Vejamos.

Óleo de coco: factos importantes


oleo de coco

Extraído do coco, o óleo de coco é um alimento interessante do ponto de vista nutricional, visto que é rico em vitaminas do complexo B, Vitamina E e K e minerais, mais precisamente o ferropotássiomagnésio ou zinco.

Além disso, é rico em ácidos gordos saturados sendo, por isso, uma gordura mais sólida à temperatura ambiente do que os óleos vegetais ou do que o azeite.

Com efeito, o óleo de coco possui mais de 85% de ácidos gordos saturados na sua composição, os quais sempre foram associados com o aumento do colesterol LDL (o “mau” colesterol) e com as doenças cardiovasculares.

No entanto, nem todos os ácidos gordos saturados são iguais, visto que o tamanho da sua cadeia de carbonos influencia os seus efeitos na saúde.

No caso do óleo de coco, apesar de a maioria dos ácidos gordos saturados serem de cadeia longa – os mais prejudiciais à saúde – existe uma boa proporção de ácidos gordos de cadeia média, os quais apresentam propriedades interessantes na gestão do peso e diminuição do perímetro da cintura.

Neste contexto, o óleo de coco é, por muitos, considerado um alimento funcional, sendo, no entanto, importante referir que este óleo pode ser refinado (feito com coco seco) ou extravirgem (produzido a partir do fruto fresco), apresentando propriedades e benefícios distintos.

O óleo de coco extra virgem tem um aroma e sabor a coco mais pronunciado e preserva melhor os benefícios originais, sendo ideal para apreciadores de coco. No entanto, degrada-se mais facilmente quando exposto a altas temperaturas do que a versão refinada.

E apesar de ser mais interessante para a saúde do que a generalidade dos óleos para cozinhar e do que as gorduras animais, o efeito da ingestão de óleo de coco em humanos não é totalmente consistente e conclusivo, como abordaremos de seguida.

Benefícios do óleo de coco: a que se deve tanta fama?


oleo de coco e emagrecimento

Como referido anteriormente, uma parte dos benefícios do óleo de coco são-lhe atribuídos devido aos ácidos gordos de cadeia média que possui.

Dentro dos principais benefícios que lhe são apontados a nível da saúde constam: a melhoria do colesterol, a promoção do emagrecimento através do aumento do gasto energético / metabolismo basal, da oxidação de gordura abdominal e redução do apetite, hidratação da pele e reforço do sistema imunitário.

No entanto, se considerarmos a evidência científica mais atual verificamos que, apesar de não ser um alimento nocivo para a saúde, também não existem estudos conclusivos para suportar todos os benefícios que se apontam ao óleo de coco.

De facto, um dos estudos que mais força deu ao óleo de coco foi um estudo realizado por uma investigadora canadiana da Columbia University, em 2003, o qual demonstrou que os ácidos gordos de cadeia média do óleo de coco, apesar de representarem apenas 13% da sua constituição, quando isolados, promoviam os efeitos benéficos acima descritos, em particular a melhoria dos níveis de colesterol e a promoção do emagrecimento.

A questão que se coloca relativamente à conclusão deste estudo é que estes benefícios devem-se ao facto de os ácidos gordos terem sido concentrados e isolados, algo que não acontece no óleo de coco que consumimos, onde a quantidade dos mesmos é muito reduzida e estão em conjunto com outros nutrientes.

Outro fator que deu força ao óleo de coco foi o facto de alguns países na Índia e Filipinas consumirem este alimento e apresentarem baixa prevalência de doenças cardiovasculares e menor taxa de mortalidade.

Mais uma vez, este dado não é representativo, visto que estas pessoas consomem também muita fibra (legumes e fruta), pouco açúcar e carnes processadas, o que, por si só, são fatores muito mais importantes para os bons indicadores de saúde que apresentam do que o consumo de óleo de coco.

Posto isto, o que podemos concluir é que ainda não existe evidência sustentada e conclusiva que comprove os tão aclamados benefícios do óleo de coco, nomeadamente a melhoria do colesterol LDL, o acelerar de metabolismo e o aumento da oxidação de gordura.

Ainda existem informações contraditórias, visto que a proporção de ácidos gordos de cadeia média no óleo de coco é relativamente baixa para poder promover esses efeitos.

Por outro lado, importa salientar que se consumir esta gordura de forma desenfreada poderá aumentar os níveis de massa gorda, porque, sendo uma gordura, terá as mesmas nove calorias por grama como qualquer outra.

> Descubra mais sobre os benefícios do óleo de coco aqui.

Óleo de Coco vs Azeite: qual a melhor opção?


oleo de coco e azeite

Como referido anteriormente, apesar de os benefícios do óleo de coco estarem sobrevalorizados, é uma gordura interessante do ponto de vista nutricional, sendo muito mais saudável do que gorduras animais e óleos vegetais. Mas e em relação ao azeite? Quem ganha esta batalha?

Tanto azeite como óleo de coco são obtidos a partir da prensagem de azeitonas e cocos, sendo ambos gorduras naturais e boas opções para usar na cozinha. Além disso, em termos de valor energético e de quantidade de gorduras estão muito próximos. Qual é, então, a grande diferença?

Cerca de um quarto da gordura no azeite é gordura monoinsaturada, a qual tem benefícios demonstrados na redução dos níveis de colesterol LDL (o mau colesterol) e de triglicéridos. Além disso, o azeite é rico em vitamina E, fitosteróis, carotenoides e compostos fenólicos, os quais apresentam propriedades antioxidantes potenciadoras dos benefícios da gordura monoinsaturada.

Assim sendo, e por comparação aos benefícios inconclusivos do óleo de coco a nível do colesterol e triglicerídeos, o azeite continua a ser a melhor opção no que diz respeito à proteção cardiovascular e até redução da gordura abdominal. Além disso, tem ainda como vantagem as suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias.

> Aprofunde melhor este tema aqui.

Óleos para cozinhar: estará o óleo de coco entre as opções?


Os óleos para cozinhar, vulgarmente chamados de óleos vegetais, derivam, normalmente, de sementesleguminosasfrutos secos/oleaginosos e alguns frutos. Dentro destes óleos, podemos também incluir o azeite.

Basicamente, os óleos para cozinhar são gorduras que permanecem líquidas à temperatura ambiente, possuindo na sua constituição triglicéridos, substâncias compostas por ácidos gordos e glicerol.

Estes óleos são constituídos por uma mistura de ácidos gordos dos 3 tipos: saturados, monoinsaturados e polinsaturados, sendo que cada óleo tem proporções diferentes de cada um, que lhes confere a estabilidade ao calor.

Os óleos mais ricos em ácidos gordos polinsaturados, como o de girassol, milho, soja, amendoim e colza, são ideais para temperar e cozinhar a menores temperaturas, pois o seu ponto de fumo é mais baixo (menos 180°C).

Já óleos ricos em ácidos gordos monoinsaturados, como o azeite, e ácidos gordos saturados, como o óleo de palma e de coco, têm geralmente melhor estabilidade ao calor e aguentam temperaturas mais elevadas, sendo ideias para grelhar, saltear e fritar.

Os dados disponíveis atualmente revelam que o azeite tem um “ponto de fumo” superior, na ordem dos 190°C – 220°C (consoante é refinado ou não), por comparação ao do óleo de coco – 177°C a 200°C, ou ao óleo de girassol, habitualmente, utilizado – 177°C.

Outro índice que importa considerar é o potencial para oxidação destas gorduras (peroxidação lipídica), quantificado através da quantidade de peróxidos (substâncias com potencial oxidante e cancerígeno) que gera.

A este nível, o óleo de coco, quando sujeito a temperaturas entre os 170°C e 190°C, gera uma quantidade menor de peróxidos do que outros óleos, nomeadamente, o óleo de girassol, sésamo e palma. Com o azeite, não é possível estabelecer comparação direta, pois não existe evidência suficiente.

> Saiba mais sobre as propriedades dos óleos para cozinhar aqui.

Óleo de Coco para cozinhar


oleo de coco para cozinhar

Após o que foi referido no ponto anterior, no que diz respeito à utilização do óleo de coco para cozinhar, poderá ser uma boa opção, visto que, devido ao teor de ácidos gordos saturados que possui, é uma gordura mais estável a altas temperaturas, não se degradando tão facilmente como outros óleos e gorduras para cozinhar.

Neste contexto, é importante referir que o óleo de coco refinado aguenta temperaturas mais elevadas sem perder as propriedades do que a versão extravirgem.

Contudo, se a sua utilização for repetida e contínua pode levar à diminuição da sua temperatura de fumo e à produção de compostos potencialmente carcinogénicos, uma vez que a temperatura propícia à formação destes compostos é relativamente baixa.

 

> Descubra mais sobre a utilização do óleo de coco para cozinhar aqui.

Benefícios do óleo de coco: aplicações não alimentares


1. Hidratação capilar

oleo de coco no cabelo

Usar o óleo de coco no cabelo tem como principal finalidade hidratar e nutrir o couro cabeludo de forma natural sem ter de recorrer a condicionadores e cremes mais químicos para o efeito.

Com efeito, como o óleo de coco penetra profundamente no cabelo, permite uma hidratação profunda do mesmo, por oposição a outros óleos que só o fazem superficialmente. Desta forma, atua eficazmente no cabelo seco, em particular nas pontas mais estragadas.

Além disso, este óleo ajuda ainda a fortalecer o cabelo, a torna-lo mais resistente aos efeitos da humidade e mais brilhante, efeitos que se fazem notar em todos os tipos de cabelo.

Além da hidratação, o óleo de coco promove também a nutrição do cabelo através dos seus antioxidantes naturais e vitaminas, que ajudam a proteger o cabelo de agressões externas e o deixam mais suave e saudável.

Para terminar a lista de benefícios, o óleo de coco é também muito eficiente a eliminar a caspa, promove um crescimento capilar mais rápido e, para quem faz colorações, ajuda a reduzir os danos causados por compostos químicos. Basta, para isso, aplicar algumas gotas na tinta e misturar bem antes de usar.

> Saiba mais sobre os benefícios do óleo de coco para o cabelo aqui.

2. Na pele

oleo de coco na pele

Ao nível da pele, os benefícios do óleo de coco também são bastante interessantes, sendo, em grande parte derivados da presença de ácido láurico (um dos ácidos gordos mais abundantes) na sua composição.

Com efeito, o óleo de coco, a nível da pele, atua como hidratante, antibacteriano e antifúngico natural e possui capacidade de penetrar devidamente nas camadas mais profundas da pele, permitindo curar mazelas, favorecer a elasticidade, ajudar no processo de cicatrização, e até mesmo tratar o acne.

Derivadas destes benefícios que apresenta para a pele, pode funcionar como desmaquilhante natural, prevenir e melhorar marcas na pele, atuar como pós-depilatório, como esfoliante, como hidratante de mãos e cutículas, como medida preventiva de estrias, entre outros.

Pelo facto de também apresentar propriedades antibacterianas, o óleo de coco pode ainda funcionar como desodorizante, neutralizando a bactéria responsável pelo mau odor após a sudação.

> Descubra aqui mais sobre os benefícios do óleo de coco para a pele.

3. Para a acne

Como mencionado, um dos benefícios do óleo de coco para a pele é a nível da acne, sendo a sua utilização para este efeito uma das novas tendências de beleza.

A acne surge quando a produção de sebo (óleo que lubrifica a pele e a mantém húmida e macia) pelas glândulas sebáceas se torna excessiva e obstrui os poros. Quando obstruídos, os poros não libertam aquele óleo, o que, por sua vez, provoca sujidade e leva ao aparecimento de bactérias na pele, resultando em inflamação e aparecimento de acne.

Este excesso de produção de sebo pode ser desencadeado por vários fatores incluindo alterações hormonais, elevados níveis de stress ou até mesmo pelo tipo de regime alimentar.

Neste sentido, e apesar de o óleo de coco ser uma gordura, devido às suas propriedades antimicrobianas e ao elevado teor de vitaminas que possui, pode ajudar a minimizar a acne.

De facto, quando em contacto com a pele humana, alguns dos ácidos gordos presentes no óleo de coco são convertidos em substâncias que ajudam a proteger a pele de acne e de outras infeções, destruindo as bactérias e os micróbios.

Outro componente importante de óleo de coco para acne é a vitamina E, um nutriente necessário para uma pele e um cabelo saudáveis. Esta vitamina ajuda regular a produção de sebo e desobstruir os poros da pele, evitando assim o aparecimento de acne e borbulhas.

Para conseguir estes efeitos, basta limpar previamente a pele, aplicar uma fina camada de óleo no rosto e, em seguida, fazer uma suave massagem com a ponta dos dedos, deixando atuar durante cerca de 15 a 20 minutos. Por fim, basta lavar bem o rosto e aplicar o seu hidratante habitual.

> Conheça melhor os benefícios do óleo de coco para a acne aqui.

Outras aplicações do óleo de coco


lip balm

1. Como pós-depilatório

Também é possível usar o óleo de coco não só para remover restos de cera depilatória, mas também para hidratar a pele das “agressões” que acabou de sofrer com a depilação. Basta, para isso, aquecer o óleo nas mãos, passar na zona depilada e deixar a pele absorver o óleo.

2. Como desmaquilhante

O óleo de coco pode funcionar também com um desmaquilhante natural. Só precisa de colocar num disco de algodão e aplicar no rosto em movimentos circulares. No fim, é só lavar o rosto como habitualmente.

3. Hidratante de cutículas

O óleo de coco pode também ajudar a amolecer e hidratar as cutículas, uma zona sensível, que pode dar muitos problemas se não for cuidada convenientemente.

Basta aplicar um pouco de óleo de coco em cada unha e deixar atuar durante alguns minutos. Ao fim desse tempo as cutículas ficam perfeitas.

4. Para cuidados labiais

Há quem use o óleo de coco como bálsamo labial (basta aplicar o óleo) ou como esfoliante para manter os lábios macios e hidratados.

Neste último caso, só precisa de misturar 1 colher de sopa de óleo de coco com açúcar mascavado ou amarelo até obter uma pasta espessa, aplicar nos lábios (com os dedos) com movimentos suaves e, por fim, retirar com água.

> Conheça melhor estas aplicações do óleo de coco aqui.

Em suma…


Podemos considerar que apesar de ser uma gordura mais saudável do que a maioria das gorduras animais e óleos vegetais, muitos dos benefícios do óleo de coco carecem ainda de evidência científica clara e consistente que os sustente.

Neste sentido, pode inclui-lo na sua alimentação como alternativa a manteigas, margarinas, óleos, entre outras gorduras de modo a tornar as suas receitas mais saudáveis e nutritivas. Como gordura para temperar e confecionar, o azeite continua a ser a melhor opção que temos disponível.

No entanto, não deixa de ter aplicações muito interessantes principalmente a nível da pele e do cabelo.

Veja também:

Nutricionista Rita Lima Nutricionista Rita Lima

Rita Lima é nutricionista e trabalha, atualmente, nos ginásios Urban Fit de Ermesinde, Antas Prime Fitness e CulturaFit Club no Porto. Durante 2 anos colaborou no projeto Dragon Force do Futebol Clube do Porto e com o Boavista Futebol Clube. É licenciada em Ciências da Nutrição pela Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto e frequentou o Curso de Nutrição no Desporto na mesma faculdade.

Cofidis