Camila Farinhas
Camila Farinhas
29 Out, 2020 - 15:44

Qual é a real importância da vacinação?

Camila Farinhas

Se alguma vez se questionou sobre a importância da vacinação, este artigo é para si.

Importância da vacinação

Devido à pandemia, a palavra vacina passou a ser tema de inúmeras conversas e pesquisas. Este ano, o apelo à vacinação é uma constante, mais precisamente à toma da vacina da gripe e da vacina pneumocócica. Mas, sabe qual é a real importância da vacinação?

Qual é a importância da vacinação?

Médico a dar vacina

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a importancia da vacinação assenta em 7 pilares fundamentais (2):

1

As vacinas salvam vidas

Antes da introdução da vacinação de rotina das crianças, as doenças infeciosas eram a principal causa de morte na infância.

2

A vacinação é um direito básico de todos os cidadãos

Com a criação dos programas nacionais de vacinação, conseguiu-se atingir uma percentagem elevada de cidadãos vacinados contra as doenças alvo desses programas. Conseguiu-se, ainda, controlar as doenças evitáveis pela vacinação, diminuindo o número de mortos e de incapacidades.

3

Os surtos de doenças evitáveis pela vacinação são ainda uma série ameaça para todos

Atualmente, devido ao sucesso dos programas de vacinação, a maioria das pessoas desconhece a gravidade das doenças evitáveis pela vacinação, não se apercebendo da importância e dos ganhos conferidos pelas vacinas.

No entanto, alguns microrganismos responsáveis pelas doenças evitáveis pela vacinação continuam a existir na comunidade, sendo uma ameaça à saúde de todos os que não estão protegidas pelas vacinas.

A título de exemplo, temos os surtos de sarampo na Europa que ocorrem maioritariamente em pessoas não vacinadas.

4

As doenças podem ser controladas e eliminadas

Com uma vacinação sustentada e em grande escala, as doenças como o sarampo podem ser eliminadas da Europa, à semelhança do que ocorreu com a poliomielite e como já sucedeu com a varíola.

Para isso, é necessário que o maior número de pessoas adira aos programas nacionais de vacinação.

5

A vacinação é custo-efetiva

O seu custo compensa largamente os custos associados ao tratamento das doenças e das suas complicações.

6

As crianças dependem do sistema de saúde dos respetivos países para terem acesso à vacinação gratuita e segura

Os programas nacionais de vacinação permitem que todas as pessoas recebam as vacinas de acordo com a sua idade e em serviços de saúde competentes.

7

Todas as crianças devem ser vacinadas

Para se conseguir controlar uma doença, é necessária uma grande proporção de pessoas vacinadas. A eliminação do sarampo, por exemplo, requer que pelo menos 95% das pessoas estejam vacinadas. Cada pessoa não vacinada corre o risco de adoecer e aumenta o risco de transmitir a doença na comunidade.

Como funcionam as vacinas?

Médico a vacinar criança

Uma vacina é uma preparação de antigénios (agentes estranhos ao organismo), que quando administrada a uma pessoa, provoca uma resposta protetora do seu sistema imunitário.

Os antigénios podem ser vírus ou bactérias inteiros ou fragmentados, mortos ou atenuados, que quando administrados à pessoa são suficientes para provocar a resposta imunitária, mas não lhe causar a doença.

Assim, as vacinas são consideradas medicamentos. No entanto, possuem características distintas da medicação habitual usada para tratar doenças, nomeadamente:

  • A sua ação é preventiva
  • O benefício da sua administração é coletivo e individual
  • São administradas a pessoas saudáveis

Como são produzidas as vacinas?

As vacinas são preparações seguras realizadas em laboratório. Os processos de produção são diversos, tais como:

  1. Enfraquecendo o microrganismo através de culturas sucessivas (como por exemplo, a vacina contra o sarampo, rubéola e papeira).
  2. Extraindo do microrganismo as partes que desencadeiam a resposta imunitária (como por exemplo, a vacina contra a meningite C).
  3. Inativando a toxina que o microrganismo produz (é exemplo, a vacina contra o tétano).

Ainda em alguns casos, podem ser incluídas na mesma vacina vários microorganismos diferentes. São as chamadas vacinas combinadas, como é o caso da vacina contra a difteria, tétano e tosse convulsa.

Ao fim de quanto tempo após a administração da vacina fico protegido/a?

Depende da vacina administrada. Em alguns casos (como a vacina contra a difteria, tétano e tosse convulsa), são necessárias 3 doses para a sua proteção ser considerada total e deve ser reforçada ao longo do tempo. No entanto, acredita-se que 2 semanas após a administração de cada dose exista já uma proteção incompleta.

Para as restantes vacinas, pensa-se que a proteção total ocorre 2 semanas após a sua administração.

Quais são os efeitos secundários?

Regra geral, os efeitos secundários das vacinas são ligeiros e desaparecem sem a necessidade de tratamento. São eles:

  • Dor e vermelhidão no local da injecção
  • Febre
  • Dor de cabeça

Em situações excecionais, podem ocorrer efeitos secundários mais graves. Por isso, é fundamental que aguarde nas instalações pelo menos 30 minutos após a administração da vacina para que seja assistido/a de imediato caso exista necessidade.

Caso esteja com febre ou sintomas de doença, deve informar o profissional de saúde antes da administração da vacina.

Plano Nacional de Vacinação EM PORTUGAL

Médica a vacinar bebé

O Plano Nacional de Vacinação (PNV), criado em 1965, é um programa gratuito e acessível a todas as pessoas residentes em Portugal.

Trata-se de uma medida de Saúde Pública que tem como principal objetivo a proteção da população, eliminando, controlando ou minimizando o impacto de doenças na comunidade.

A nível individual, pretende-se que a pessoa vacinada fique imune à doença ou, nos casos que isso não se verifique, a doença se manifeste de forma ligeira.

A administração de vacinas do Plano Nacional de Vacinação é feita por Enfermeiros, nas Unidades de Saúde Locais ou Hospitais.

Esquema Vacinal Recomendado

De acordo com as últimas atualizações do PNV, o esquema vacinal recomendado é (3):

Nascimento

  • Hepatite B (1ª dose)

2 Meses

  • Hepatite B (2ª dose)
  • Haemophilus influenzae b (1ª dose)
  • Difteria, tétano, tosse convulsa (1ª dose)
  • Poliomielite (1ª dose)
  • Streptococcus pneumoniae (1ª dose)
  • Neisseria meningitidis B (1ª dose)

4 Meses

  • Haemophilus influenzae b (2ª dose)
  • Difteria, tétano, tosse convulsa (2ª dose)
  • Poliomielite (2ª dose)
  • Streptococcus pneumoniae (2ª dose)
  • Neisseria meningitidis B (2ª dose)

6 Meses

  • Hepatite B (3ª dose)
  • Haemophilus influenzae b (3ª dose)
  • Difteria, tétano, tosse convulsa (3ª dose)
  • Poliomielite (3ª dose)

12 Meses

  • Streptococcus pneumoniae (3ª dose)
  • Neisseria meningitidis B (3ª dose)
  • Neisseria meningitidis C (1ª dose)
  • Sarampo, parotidite epidérmica, rubéola (1ª dose)

18 Meses

  • Haemophilus influenzae b (4ª dose)
  • Difteria, tétano, tosse convulsa (4ª dose)
  • Poliomielite (4ª dose)

5 Anos

  • Difteria, tétano, tosse convulsa (5ª dose)
  • Poliomielite (5ª dose)
  • Sarampo, parotidite epidérmica, rubéola (2ª dose)

10 Anos

  • Vírus papiloma humano (Raparigas e Rapazes (nascidos ≥ 2009)), 1ª e 2ª dose com intervalo entre ambas de 6 meses
  • Tétano e difteria

25, 45, 65, e após essa idade em intervalos de 10 anos

A partir dos 65 anos, recomenda-se a vacinação a todas as pessoas que tenham feito a última dose de tétano e difteria há 10 ou mais anos, sendo que as seguintes doses serão administradas em intervalos de 10 anos.

Grávidas

Independentemente da idade, entre as 20 e as 36 semanas de gestação, são vacinadas todas as grávidas contra a difteria, tétano e tosse convulsa, uma dose por gravidez.

Ainda, a vacina da gripe e a vacina pneumocócica são administradas de forma gratuita nas Unidades de Saúde Locais a todas as pessoas consideradas grupo de risco.

Fontes

  1. Direção-Geral da Saúde (2020). Programa Nacional de Vacinação: Perguntas e respostas. Acedido a 28 de Outubro de 2020. Disponível em: https://www.dgs.pt/paginas-de-sistema/saude-de-a-a-z/programa-nacional-de-vacinacao/perguntas-e-respostas.aspx
  2. Organização Mundial de Saúde (2020). Vaccines and immunization: Q&A. Acedido a 29 de Outubro de 2020. Disponivel em: https://www.who.int/news-room/q-a-detail/vaccines-and-immunization-what-is-vaccination
  3. Direção-Geral da Saúde (2020). Programa Nacional de Vacinação: Esquema geral recomendado. Disponível em: https://www.dgs.pt/ficheiros-de-upload-2013/pnv-esquema-recomendado-pdf11.aspx
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