Rúben Ausina
Rúben Ausina
19 Ago, 2020 - 10:25

Urticária: tipos, diagnóstico e tratamento

Rúben Ausina

A urticária caracteriza-se pelo aparecimento súbito de edema localizado ou disseminado da pele, acompanhado por sensação de prurido, queimadura ou picada.

urticária

A urticária manifesta-se geralmente por erupções cutâneas (pápulas) de dimensões variáveis, acompanhadas por prurido (leve, moderado ou intenso) podendo afetar a pele de uma forma generalizada ou localizada. Em situações menos frequentes pode causar angioedema quando afeta a área mais profunda da pele (1-4).

É uma condição clínica muito frequente, em que 15% a 25% da população em algum momento da vida sofreu desta patologia.

O seu aparecimento é mais propenso em quem já teve um episódio de urticária anterior, pessoas que tenham tido outras reações alérgicas ou sofram de doenças que fragilizam o sistema imunitário, assim como quem tem familiares com historial de urticária. A maior parte dos casos relatados não tem gravidade, embora o desconforto que provoca possa contribuir para um impacto negativo na qualidade de vida (1).

tipos de urticária

prurido no braço

A urticária pode ser classificada de acordo com:

  • a duração da sintomatologia (erupção cutânea e/ou angioedema)
    • aguda (inferior a 6 semanas)
    • crónica (superior a 6 semanas)
  • a etiologia (urticária espontânea ou urticária induzível).
1.

Urticária aguda

A urticária aguda é uma condição muito frequente (com uma taxa de prevalência na Europa entre 12% a 24%) e que consiste no aparecimento espontâneo de erupções cutâneas, podendo ou não ter angioedema associado.

É mais frequente em pessoas com doenças atópicas como rinite, asma ou eczema atópico, e nas crianças e adultos jovens. As alergias alimentares e medicamentosas podem estar associadas a este tipo de urticária, com sintomatologia de curta duraçãom que inicia após a exposição e finaliza em poucas horas.

Na maior parte dos casos a causa é idiopática, embora seja comum situações de urticária aguda com causa infecciosa em crianças (1,2).

2.

Urticária crónica

Relativamente à urticária crónica, estima-se que seja mais frequente entre os 25 e os 55 anos de idade e 20% a 45% dos casos seja desencadeada a partir de casos de urticária aguda. A duração total dos sintomas é variável, podendo estender-se até 6 meses (50% dos casos) ou ter uma duração superior a 10 anos (20% dos casos) (1,2).

É de salientar que uma história clínica aprofundada é fundamental para orientar a investigação, incluindo um estudo complementar de diagnóstico laboratorial, sendo direcionado e decidido caso a caso pelo médico especialista em Imunoalergologia (1-3).

Além de agentes alergénicos como medicamentos (urticária medicamentosa), alimentos (urticária alimentar) e infeções (urticária infecciosa), existem também outros fatores externos que podem desencadear este tipo de patologia (designada de urticária induzível), como por exemplo (1-3):

  • Urticária ao calor e ao frio: causada por contato da pele com ar/água/sólido quente ou frio
  • Urticária de pressão: provocada por pressão sobre a pele, que pode surgir apenas 3-12 horas após o estímulo mecânico
  • Urticária solar: desencadeada por exposição à luz visível e/ou ultravioleta
  • Urticária dermatográfica: desencadeada por fricção da pele
  • Urticária vibratória: desencadeada por mecanismo de vibração (por exemplo, martelo pneumático)
  • Urticária aquagénica: provocada por contacto pela água a qualquer temperatura
  • Urticária de contacto: causada pelo contato a uma substância à qual a pessoa é alérgica, por exemplo pólen de gramíneas
  • Urticária colinérgica: causada por aumento da temperatura corporal, de causa interna ou externa ao organismo (por exemplo, banho de água quente, febre, exercício físico, stress emocional, etc.)

Como é feito o diagnóstico da urticária?

médico a examinar paciente

O diagnóstico de urticária, particularmente, em casos de cronicidade, é baseado no exame físico e histórico clínico do utente, não sendo necessário testes laboratoriais extensivos, pois além de morosos podem ser inconclusivos. No entanto, dependendo do caso a analisar, existe a possibilidade de utilizar os comuns testes cutâneos de despiste de alergias ou até mesmo o doseamento de anticorpos IgE específicos (1,2).

Em casos específicos de urticária crónica induzível, é comum utilizar provas de provocação, mediante o tipo de estímulo a estudar. Menos usual, mas ainda assim sendo considerado em alguns casos é a análise de biópsia cutânea (2,3).

Médico a fazer teste de alergias a paciente
Veja também Teste de alergias: como é feito, tipos e para que serve

Tratamento da urticária

Mulher a tomar medicamento

Cada caso deve ser avaliado individualmente, com uma terapêutica direcionada, sendo que em ambas as situações de urticária, os medicamentos utilizados têm como objetivo aliviar e controlar os sintomas, a fim de atenuar o desconforto causado.

Os anti-histamínicos orais são os fármacos de eleição, podendo ser necessário algum ajuste na dosagem quando a resposta clínica não é a desejável. Não é recomendável o uso de pomadas pois paradoxalmente podem agravar a urticária (1-4).

Em casos de fraca resposta terapêutica com anti-histamínicos, devem considerar-se fármacos alternativos, nomeadamente corticosteróides, ciclosporina (imunossupressor), montelucaste, ou omalizumab (tratamento injetável de administração exclusiva hospitalar) (1,3).

Quando existe um diagnóstico categórico referente ao agente responsável pela reação alérgica, é importante praticar medidas de evicção (1,2).

O impacto da urticária no dia a dia

A urticária é uma patologia que pode condicionar uma enorme instabilidade emocional pelo incómodo dos sintomas e pelas limitações que implica nos contactos e relações interpessoais.

A instabilidade emocional induzida pela doença pode agravar um distúrbio psicológico pré-existente, daí as designações de urticária nervosa ou urticária emocional.

Pode ter implicações muito relevantes no sono, devido ao agravamento dos sintomas durante a noite, motivo pelo qual por vezes se refere a urticária noturna. No entanto, quando é seguida com alguma paciência e empenho, quase sempre se encontra uma alternativa terapêutica eficaz que permite ao utente ter uma vida “dita” normal, com o menor desconforto possível (1).

Fontes

  1. Saúde e bem estar. Urticária. Disponível em: https://www.saudebemestar.pt/pt/medicina/alergologia/urticaria/
  2. Antia C, Baquerizo K, Korman A, Bernstein J, Alikhan A. 2018. Urticaria: A comprehensive review (Epidemiology, diagnosis and work-flow). Elsevier. American Academy of Dermatology, Inc. USA(Cincinnati). 599-610. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30241623/
  3. METIS.UP. 2018. Urticária. Disponível em: http://metis.med.up.pt/index.php/Urtic%C3%A1ria
  4. Atlas da Saúde. Urticária. Disponível em: https://www.atlasdasaude.pt/publico/content/urticaria
Veja também