Mónica Carvalho
Mónica Carvalho
20 Ago, 2020 - 09:15

Estudo associa stress precoce a maior vulnerabilidade às drogas na adolescência

Mónica Carvalho

Um estudo realizado por equipa do i3S concluiu que o stress sentido em idades precoces aumenta a probabilidade de experimentar e ficar dependente de drogas psicoativas na adolescência.

stress precoce

A experiência foi feita em ratos, mas traz resultados curiosos: o impacto da separação materna nas primeiras semanas de vida pode provocar stress precoce que, por sua vez, aumenta a probabilidade de experimentação e dependência de drogas psicoativas durante a adolescência. Foi a esta conclusão que chegou uma equipa de investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S).

Para realizar o estudo, foram utilizadas “duas estirpes de ratos com diferentes vulnerabilidades para a depressão, que foram separados das suas mães três horas por dia, durante as duas primeiras semanas de vida.” Isto permitiu comparar “os efeitos da separação precoce em ratos adolescentes cujas mães tinham maior predisposição para a ansiedade e depressão, com ratos adolescentes filhos de mães sem esse histórico”.

adolescente sentada no chão pensativa

Quando os animais atingiram a adolescência, a equipa de investigadores fez a avaliação do seu estado emocional e do efeito de recompensa de drogas psicoativas e os “resultados mostraram que o stress durante o início de vida alterou o estado emocional dos adolescentes, tornando os animais depressivos mais ansiosos e os não depressivos mais exploratórios, tendo revelado, para ambas as estirpes (depressiva e não depressiva), um risco aumentado para a dependência”, acrescenta a investigadora.

Nesse sentido, o stress em idades precoces “parece afetar a vulnerabilidade face ao uso de drogas na adolescência, independentemente de um histórico de depressão, indicando as alterações do estado emocional como um fator de maior risco. Ou seja, a separação maternal parece ter mais influência na experimentação e eventual dependência de drogas na adolescência do que o perfil depressivo do indivíduo”, conclui a investigadora.

O trabalho de investigação pode ser lido na íntegra na revista Scientific Reports.

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