Psicóloga Ana Graça
Psicóloga Ana Graça
28 Jan, 2021 - 10:10

Saúde mental infantil: os mais pequenos também sofrem!

Psicóloga Ana Graça

Novo confinamento. Nova situação de isolamento, novo desafio para toda a família. A saúde mental infantil também requer especial atenção!

Saúde mental infantil

A pandemia por COVID-19 veio colocar grandes desafios e exigências a todas as famílias. Menos de um ano depois, estamos a viver um novo confinamento. A todos, quer sejam adultos ou crianças, são exigidas adaptações, mudanças e muita, muita resiliência. Os mais pequenos também sofrem, pelo que há que prestar especial atenção à saúde mental infantil.

Saúde mental infantil: chegou o 2º confinamento…

Menino com sintomas de ansiedade

2021 chegou e trouxe um enorme desafio à saúde de todos nós, nomeadamente à saúde psicológica. Estamos a viver um novo confinamento, numa altura em que o risco de estarmos ou ficarmos infetados é muito grande.

As famílias enfrentam enormes exigências. Seja porque têm familiares e amigos infetados, porque perderam alguém de quem gostavam muito, porque as situações de desemprego e dificuldades financeiras se avolumam ou apenas porque conciliar o teletrabalho com os cuidados aos mais pequenos é tarefa árdua.

Estamos todos cansados desta situação. A fadiga da pandemia já se faz sentir, bem como os diversos impactos psicológicos. Isto é tão válido para adultos, como para crianças e adolescentes.

De facto, os mais pequenos também sofrem e requerem uma atenção e uma proteção muito especial perante este cenário de crise. Mas como ajudar as crianças a lidar com o stress e com as grandes alterações de rotina? Vamos tentar ajudar! (1)

Os mais pequenos também sofrem! 7 dicas para os ajudar!

Sabemos que os mais pequenos também sofrem e que a nossa ajuda é fundamental para garantir o seu bem-estar psicológico. Mas como fazê-lo? Eis 7 dicas!

Menino em casa a espreitar pela janela
1

Refletir em família sobre como a criança se tem sentido nos últimos dias

Importa pensar sobre a criança/adolescente e sobre a forma como se tem sentido ultimamente. De forma sincera, há que procurar analisar as experiências dos últimos dias e tentar perceber se a criança/adolescente manifesta alguns sinais de alerta, nomeadamente:

  • Tristeza
  • Ansiedade e preocupação
  • Agitação ou irritabilidade
  • Dificuldades em divertir-se
  • Maiores dificuldades de concentração
  • Maiores dificuldades em relacionar-se com os outros, comportamento mais agressivo ou necessidade de se isolar
  • Maior dependência em relação aos adultos de referência
  • Alterações ao nível do sono e apetite
  • Queixas de dores (por exemplo barriga e/ou cabeça)
2

Usar a experiência obtida no primeiro confinamento

Os pais devem utilizar a experiência do primeiro confinamento em seu favor. O que correu bem e podem repetir? O que não correu assim tão bem e devem evitar? Como aproveitaram, em 2020, este tempo para reforçar as relações familiares? Reinventem essas estratégias e atividades.

3

Recorrer ao humor

Recorrer ao humor não significa não de reconhecer a gravidade da situação atual, nem desvalorizar junto das crianças a importância das medidas de distanciamento social e isolamento.

O humor é uma estratégia saudável e eficaz para lidar com situações difíceis, como a que vivemos. Ajuda adultos e crianças a diversificar e a controlar as emoções e os pensamentos. Traz alegria, tranquilidade e alívio.

4

Normalizar os sentimentos dos mais pequenos

Os mais pequenos também sofrem e aqueles que possuem maior compreensão sobre a realidade que os rodeia podem apresentar mais sentimentos de incerteza, insegurança e inquietação.

Desde que estejam capazes de o fazer, é importante que crianças e adolescentes compreendam que perante situações como a que vivemos é normal sentir alguma angústia e preocupação, tal como saudades do dia a dia habitual.

Partilhem estes sentimentos em família, para que os mais pequenos compreendam que não são os únicos a senti-los. Mas, tenham sempre o cuidado de lhes garantir que a pandemia e o confinamento vão acabar e que o importante é tentar tirar partido deste tempo em família da melhor forma possível.

5

Reforçar a paciência, a atenção e o mimo

As crianças precisam do amor e da atenção dos adultos durante períodos difíceis. Assim sendo, dêem-lhes mais tempo, mais atenção, mais carinho, tranquilidade e mais oportunidades para brincar e relaxar.

6

Assegurar, dentro do possível, a rotina

As rotinas dão-nos uma sensação de segurança e previsibilidade. Importa ajudar os mais pequenos a criarem novas rotinas no novo ambiente e mantê-las, sempre que possível.

7

Esclarecer as dúvidas

É normal que os mais pequenos tenham dúvidas. Porquê um novo confinamento? Porque é que os adultos estão mais ansiosos? Porquê tantas notícias na televisão?

Importa esclarecer os mais pequenos, de forma tranquilizadora. É importante que percebam, de acordo com a sua idade e nível de desenvolvimento, o que está a acontecer, o que pode vir a acontecer e de que forma cada um pode contribuir para a diminuição do contágio (1, 2, 3).

Como conclusão

Como vimos, os mais pequenos também sofrem e é natural que, perante a situação atual, sintam mais ansiedade e preocupação. É importante que os pais se mantenham atentos à saúde mental infantil e conversem com as crianças sobre o que as preocupa e sobre o que estão a sentir (2).

Fontes

  1. Ordem dos Psicólogos Portugueses. (2021). COVID-19 CAIXA DE FERRAMENTAS PARA MANTER A SAÚDE PSICOLÓGICA SEGUNDO CONFINAMENTO. Disponível em: https://www.ordemdospsicologos.pt/ficheiros/documentos/doc_covid19_segundo_confinamento.pdf
  2. Ordem dos Psicólogos Portugueses. (2020). COMO ME SINTO? Checklist sobre Crianças e Adolescentes (para Pais, Cuidadores e Professores). Disponível em: https://www.ordemdospsicologos.pt/ficheiros/documentos/checklist_criancasadolescentes.pdf
  3. Ordem dos Psicólogos Portugueses. (2020). AJUDAR AS CRIANÇAS A LIDAR COM O STRESSE DURANTE O SURTO DE COVID-19. Disponível em: https://www.ordemdospsicologos.pt/ficheiros/documentos/ajudar_as_criana_as_a_lidar_com_o_stress_durante_o_surto_de_covid19_4.pdf
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