Psicóloga Ana Graça
Psicóloga Ana Graça
12 Fev, 2021 - 17:49

Depressão infantil: uma realidade que vale a pena compreender melhor

Psicóloga Ana Graça

Apesar de a sua existência ter sido negada durante muito tempo, sabe-se hoje que a depressão infantil é uma realidade preocupante.

Menina com sintomas de depressão infantil

A depressão não é exclusiva dos adultos. Pelo contrário, também se pode manifestar em crianças e adolescentes. As investigações têm vindo a mostrar que a depressão infantil é um problema de saúde mental significativo, que importa conhecer e compreender melhor.

Depressão infantil: mito ou realidade?

Menina a sentir-se triste

Se durante muitos anos, a depressão infantil não foi devidamente valorizada e reconhecida, hoje, sabe-se que a depressão também ocorre nos mais pequenos e que tem propriedades e características muito específicas.

Trata-se de uma perturbação do humor, que vai muito além da tristeza, comum e temporária, e que pode conduzir a prejuízos a nível físico, cognitivo, psicomotor e psicossocial no desenvolvimento da criança.

As manifestações dos quadros depressivos na infância variam bastante consoante a idade. Por exemplo, em idade pré-escolar é comum que a depressão infantil se manifeste através de comportamentos regressivos a todos os níveis, nomeadamente a nível esfincteriano, motor e de linguagem.

Já em idade escolar, o quadro depressivo tende a caracterizar-se mais por tristeza prolongada, ansiedade de separação, sintomas psicossomáticos, baixa autoestima, ideias autodepreciatórias e baixa de energia.

Em suma, a depressão infantil é uma realidade com grande relevo e impacto (estudos mostram um alto nível de incidência de sintomas depressivos na população escolar: variam desde 13% em crianças e até 20% em adolescentes).

Existem formas de intervenção eficazes, mas importa também apostar na prevenção na depressão infantil. Os pais têm um importante papel na sua prevenção, através do amor carinho, compreensão e transmissão de confiança que dão aos filhos (1, 2, 3).

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Depressão infantil vs. Depressão no adulto

Menino em casa a espreitar pela janela

As crianças, especialmente as mais pequenas, dificilmente têm total consciência e compreensão acerca das emoções e sentimentos. Pelo contrário, os adultos deprimidos, tendem a relatar as suas alterações de humor e a falta de prazer/satisfação com a vida que sentem.

Assim sendo, ao contrário do que acontece com os adultos, na depressão infantil as crianças tendem a:

  • Não apresentar queixas da sua tristeza
  • Não verbalizar os seus sentimentos e emoções
  • Apresentar alterações de comportamento (irritabilidade, agitação motora, impaciência, medo, raiva, agressividade, sensação de culpa e melancolia)
  • Apresentar queixas físicas diversas (dores de cabeça e abdominais)
  • Desinteresse em brincar, isolamento, fraco relacionamento com colegas e amigos
  • Alterações do sono e diminuição do apetite
  • Expressão facial triste, choro fácil, ausência da capacidade de diversão
  • Declínio do desempenho escolar ou atraso no desenvolvimento psicomotor
  • Agitação, hiperatividade ou falta de energia (1).

Tratamento da depressão infantil

Os prejuízos e as consequências da depressão infantil podem ser significativos, nomeadamente interferindo no desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças, pelo que importa que o diagnóstico e o tratamento sejam o mais precoces possível.

Importa, pois, procurar ajudar junto de profissionais de saúde especializados, com o objetivo de diminuir o sofrimento provocado pela depressão infantil.

Ao nível da psicologia existem várias metodologias de intervenção possíveis, mas aquela que se tem mostrado mais eficaz na melhoria dos sintomas depressivos em crianças e adolescentes é a terapia cognitiva comportamental.

Na depressão infantil, para além de intervir diretamente com as crianças, importa ajudar toda a família, que nem sempre dispõe de estratégias/competências capazes de responder eficazmente às necessidades emocionais dos mais pequenos.

O envolvimento da família é imprescindível. Os pais devem ser incentivados a conhecer o problema, a identificar os comportamentos/pensamentos negativos por parte dos mais pequenos e a aprender a lidar com os mesmos de forma eficaz (1, 2).

Conclusão

Todos os pais desejam que os seus filhos sejam incrivelmente saudáveis e felizes.

Quando a tristeza se apodera dos mais pequenos e interfere seriamente no seu dia a dia e bem-estar os pais tendem a sentir-se impotentes e inseguros.

Felizmente, a depressão na infância tem sido estudada e os profissionais de saúde mental estão preparados para ajudar os mais pequenos e as suas famílias.

Fontes

  1. Ramos, V. (2018). DEPRESSÃO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA. Psicologia.pt Disponível em: https://www.psicologia.pt/artigos/textos/A1224.pdf
  2. Marconi, E. (2017). DEPRESSÃO INFANTIL: UMA REVISÃO BIBLIOGRAFICA. Psicologia.pt Disponível em: https://www.psicologia.pt/artigos/textos/A1091.pdf
  3. Pores, A. ()2004. LÁGRIMAS NA INOCÊNCIA – HOSPITALIZAÇÃO E DEPRESSÃO INFANTIL NO HOSPITAL DE SANTA MARIA. Psicologia.pt Disponível em: https://www.psicologia.pt/artigos/textos/TL0015.PDF
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