Psicóloga Ana Graça
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04 Fev, 2021 - 11:10

Como cuidar da saúde mental da grávida? 5 recomendações!

Psicóloga Ana Graça

Importa cuidar da saúde mental da grávida porque esta fase é um período de especial sensibilidade e vulnerabilidade. Mas como fazê-lo?

saúde mental da grávida

Stress, ansiedade e depressão são relativamente comuns durante a gestação. Assim sendo, importa compreender porque é que a gravidez pode ter grande impacto na saúde da mulher, bem como perceber de que forma é possível cuidar da saúde mental da grávida.

Gravidez: um acontecimento de vida marcante

grávida a apontar as dúvidas no caderno

A gravidez é um período de grande vulnerabilidade para toda a família, mas em especial para a grávida. As mudanças e as transformações são imensas (emocionais, relacionais, sociais, económicas) e a transição para o papel de mãe é desafiante, sendo que as inseguranças face à capacidade para cuidar de um bebé podem ser avassaladoras.

Sendo a gravidez um período crítico e sensível, é natural que provoque na gestante alterações de humor, ansiedade e alguma labilidade emocional. Caso estes sintomas se tornem contínuos e repetitivos podem comprometer o bem-estar, a qualidade de vida, as relações, as atividades e o equilíbrio psicológico da grávida.

Todos os trimestres de gravidez são exigentes à sua maneira e todos podem colocar desafios à saúde mental da grávida:

1ª Trimestre

Surgem os primeiros sinais da gravidez e podem também surgir alguns sintomas mais desagradáveis como enjoos e vómitos. É nesta fase que a grávida habitualmente gere a quem e quando irá dar a notícia da sua gestação.

2º trimestre

Nesta fase surgem os movimentos fetais. Torna-se mais real a presença do feto e tendem a surgir receios sobre eventuais malformações e perda do bebé, alterações da imagem corporal, bem como possíveis sintomas depressivos.

3º trimestre

É aqui que aparecem os medos relacionados com o momento do parto, as dores e, pode mesmo aparecer uma angústia de morte da própria e/ou do bebé (1,2).

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Fatores de risco que podem perturbar a saúde mental da grávida

Como vimos, a gravidez é um período crítico para a saúde mental da mulher. Por exemplo, nesta fase, cerca de 10% das mulheres têm depressão (esta perturbação tem uma alta probabilidade de persistir após o parto), sobretudo no 1º e 3º trimestres da gravidez.

Assim sendo, deve ser prestada especial atenção à saúde mental da grávida, até porque são vários os fatores que podem perturbar o bem-estar psicológico da gestante, nomeadamente:

  • Gravidez não planeada, não desejada e não aceite, em que não é feita a preparação para o parto, nem há preparação para acolher o bebé;
  • Gravidez de alto risco;
  • Presença de malformações no feto;
  • Falecimento de alguém próximo da grávida;
  • Existência de patologia psiquiátrica;
  • Violência doméstica;
  • Relações perturbadas com a família de origem;
  • Antecedentes obstétricos da grávida (por exemplo, interrupções in/ou voluntárias da gravidez; partos prematuros; morte in útero) (1,3).

Como cuidar da saúde mental da grávida?

pai e mãe à espera de bebé felizes

A gravidez é um período crítico do ponto de vista psicológico. Exige, por parte da grávida, um grande esforço e uma enorme capacidade de reorganização para a manutenção do equilíbrio e da saúde psicológica. Mas, como ajudar e cuidar da saúde mental da grávida? Eis algumas recomendações:

1. Garantir que a grávida está devidamente informada sobre as normas e procedimentos de vigilância da gravidez, nomeadamente sobre a necessidade de cumprimento do plano de acompanhamento da gravidez. A participação em programas de preparação para o parto tem-se mostrado benéfica para a saúde mental da grávida.

2. Reconhecer e validar as emoções e os sentimentos manifestados pela grávida. É natural que a gravidez, sobretudo uma primeira gravidez, provoque algum nível de ansiedade, insegurança e preocupação. É desejável que a rede de apoio da gestante redobre a atenção empática para com a mesma e se mostre disponível para dialogar e oferecer apoio acrescido nesta fase.

3. Facilitar o ajuste de expectativas. Os sonhos e as expectativas da futura mãe nem sempre estão em consonância com a realidade e pode ser importante ajudar a reajusta-los. Conversar com mães mais experientes pode ajudar a reajustar as expectativas e diminuir a ansiedade na gravidez.

4. Promover a proximidade e o envolvimento do pai do bebé durante a gravidez. Sempre que possível e sempre que fizer sentido, o pai do bebé deve acompanhar a grávida e partilhar os momentos importantes da gestação. Em suma, é desejável que a grávida não esteja sozinha e todas as fontes de apoio são válidas (marido, avós, amigos, outros parentes).

5. Procurar ajuda especializada. Quando a saúde mental da grávida está de tal forma afetada que existe impacto no seu dia-a-dia, há que procurar ajuda especializada. Importa partilhar as preocupações e as emoções mais desafiantes com os profissionais de saúde que acompanham a gravidez (4,5).

Fontes

  1. Brito, I. (2009). A saúde mental na gravidez e primeira infância. Rev Port Clin Geral 2009;25:600-4. Disponível em: https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/10678
  2.  Delgado, N. (2016). “O motivo do internamento (materno vs. fetal) como fator de risco para a depressão em grávidas internadas no Serviço de Medicina Materno Fetal da Maternidade Dr. Alfredo da Costa/CHLC”. Disponível em: https://repositorio.ul.pt/handle/10451/33711
  3. Cepêda, T., Brito, I., Heitos, M. (2005). Promoção da Saúde Mental na Gravidez e Primeira Infância. Direção-Geral da Saúde. Disponível em: https://www.dgs.pt/documentos-e-publicacoes/promocao-da-saude-mental-na-gravidez-e-primeira-infancia-manual-de-orientacao-para-profissionais-de-saude-pdf.aspx
  4. Ordem dos Psicólogos Portugueses. (2020). Recomendações para a intervenção psicológica durante a gravidez e puerpério. Disponível em: https://www.ordemdospsicologos.pt/ficheiros/documentos/intervencaopsicologica_gravidez_puerperio.pdf
  5. Murkoff, H., Mazel, S. (2017). O que esperar quando está à espera de bebé. 1ª edição. Casa das Letras.  
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