Rúben Ausina
Rúben Ausina
04 Nov, 2020 - 10:36

O que é a imunidade e como a desenvolvemos?

Rúben Ausina

O que é a imunidade? Que tipos de imunidade existem? Quão importante é a vacinação para fortalecê-la?

Ilustração do conceito de imunidade

A imunidade é um mecanismo de defesa do organismo que é ativado no combate a infeções provocadas por microrganismos ou outras substâncias estranhas de caráter hostil (designadas por antigénios).

O sistema imunitário é um sistema complexo, onde intervêm diversas células, tecidos e moléculas, responsável por desencadear vários mecanismos de proteção que medeiam a resposta imune contra o agente agressor.

Imunidade: principais células do sistema imunitário

Ilustração de células de defesa do organismo

As principais células que caraterizam o sistema imunitário são os leucócitos (ou glóbulos brancos), podendo ser divididos em vários tipos, tais como:

  • Linfócitos (linfócitos B e T): associados a infeções (normalmente virais) e produção de anticorpos, essencialmente IgM e IgG
  • Neutrófilos: são os mais abundantes do sistema imunitário, estando aumentados em infeções de origem bacteriana
  • Eosinófilos: associados a processos alérgicos e infeções parasitárias (helmintoses)
  • Basófilos: participam em processos alérgicos e inflamatórios, produzindo heparina e histamina
  • Monócitos: células que se diferenciam em macrófagos, responsáveis pela fagocitose (mecanismo celular utilizado para eliminar substâncias patogénicas).
    Estas células são produzidas na medula óssea, sendo consideradas a última fase de diferenciação das células tronco ou progenitoras.

Tipos de imunidade

Mulher a fazer yoga em casa

De uma forma geral, a imunidade pode ser classificada por imunidade inata ou natural (também designada por não específica) e imunidade adquirida ou adaptativa (também designada de específica).

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Imunidade inata ou natural

A imunidade inata é responsável pela proteção inicial, sendo a primeira linha de defesa do organismo, contra os agentes patogénicos.

É considerada inespecífica e rápida, estando preparada para bloquear a entrada de agentes externos, e eliminar de uma forma rápida os que conseguem entrar nos tecidos do organismo.

Este tipo de imunidade inclui defesas químicas, físicas e celulares, tais como, a pele, membranas mucosas, temperatura basal, pH dos fluídos orgânicos, produção de enzimas (como as presentes nas lágrimas), leucócitos, componentes do complemento e outros mediadores de inflamação (como as citoquinas).

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Imunidade adquirida ou adaptativa

Relativamente à imunidade adquirida, esta consiste numa resposta imunológica que se desenvolve após a primeira exposição ao agente patogénico (fase de sensibilização), que resulta na diferenciação e expansão dos linfócitos, com o objetivo de produzir anticorpos que retêm a memória desde o primeiro contacto e, como resultado, numa exposição posterior a resposta imunitária é mais rápida e eficaz.

É considerada uma resposta específica e prolongada (em média 7 dias), na qual os anticorpos específicos, produzidos pelos linfócitos B, detêm a capacidade de reconhecer as estruturas moleculares estranhas ao organismo (antigénios), com o objetivo de promover uma ligação específica antigénio-anticorpo para conduzir a sua eliminação.

Este tipo de imunidade pode ser classificado de duas formas:

  • Imunidade ativa: as próprias células do organismo produzem anticorpos em resposta a infecção (natural) ou através da vacinação (artificial). Apesar de ser uma resposta lenta e demorada na produção de anticorpos, é considerada a mais duradoura e inócua;
  • Imunidadede passiva: é um método útil de conferir uma rápida resistência, sem ser necessário o desenvolvimento de uma resposta imune. Pode se manifestar de forma natural – como é o caso da transferência de anticorpos maternos através da placenta para o feto; ou de forma artificial – através da administração de anticorpos através de soro previamente imunizado (dador), sendo que o recetor torna-se imune a um antigénio específico sem nunca ter sido exposto a esse.

A importância da vacinação

Médica a vacinar bebé

A descoberta da vacinação foi uma derradeira conquista em ganhos na Saúde Pública, pois possibilitou uma redução da morbilidade e mortalidade, que se traduz numa maior qualidade e esperança média de vida.

Em Portugal o primeiro uso da vacinação foi durante pandemia por varíola que provocou inúmeras mortes até à sua erradicação em 1979.

Após a introdução da vacina contra a varíola, seguiu-se a antitetânica e anti-diftérica, o que posteriormente, em 1965, levou à criação do Programa Nacional de Vacinação. Sendo considerado um programa de vacinação universal e gratuito, estando em constante atualização face aos obstáculos da Saúde Pública.

As vacinas são uma forma eficaz de imunidade adquirida, conseguida pela administração de anticorpos específicos.

De um modo geral as vacinas podem ser de vários tipos, sendo as mais comuns:

  1. Vacinas atenuadas: contêm a estirpe patogénica (viral ou bacteriana) modificada em laboratório. A estirpe enfraquecida mantém a capacidade de se replicar, e induz uma resposta imunológica semelhante à natural. Geralmente são eficazes, no entanto podem provocar reações adversas graves.
  2. Vacinas inativadas: o agente patogénico é inativado por substâncias químicas ou pelo calor. São menos eficazes, principalmente a longo prazo, do que as atenuadas, sendo necessárias múltiplas doses.
  3. Vacinas de subunidades: utilizam apenas frações ou subunidades do agente infecioso devido à sua capacidade de iniciar uma resposta imunitária específica. Estas podem ser toxóides (utiliza a toxina produzida pela bactéria), recombinantes (manipuladas geneticamente), polissacarídeos simples (produzidos a partir da cadeia de polissacarídeos da superfície da bactéria) e conjugadas (quando perante alguma limitação nas polissacarídeo simples, adicionando assim, um toxóide).

Fontes

  1. Immunopaedia. The basics of immune system. Disponível em: https://www.immunopaedia.org.za/immunology/basics/1-a-snapshot-of-the-immune-system
  2. Medline. Immune response. Disponível em: https://medlineplus.gov/ency/article/000821.htm
  3. Medscape. Immune system anatomy. Disponível em: https://emedicine.medscape.com/article/1948753-overview
  4. Altas da Saúde. Vacinação: uma das maiores conquistas da Saúde. Disponível em: https://www.atlasdasaude.pt/artigos/vacinacao-uma-das-maiores-conquistas-da-saude
  5. Direcão-Geral da Saúde. Programa Nacional de Vacinação de 2020. Disponível em: https://www.dgs.pt/normas-orientacoes-e-informacoes/normas-e-circulares-normativas/norma-n-0182020-de-27092020-pdf.aspx
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