Mónica Carvalho
Mónica Carvalho
16 Dez, 2020 - 11:49

Menos testes de VIH, hepatites e infeções sexualmente transmissíveis devido à COVID-19

Mónica Carvalho

Estudo internacional aponta COVID-19 como a causa para a diminuição acentuada da realização de testes para certas doenças em toda a Europa.

Técnica laboratorial a analisar amostras sanguíneas

Entre março e agosto de 2020, na Europa, registou-se um declínio acentuado no número de testes realizados para deteção do VIH, hepatites virais e infeções sexualmente transmissíveis (clamídia, sífilis e gonorreia), devido à pandemia por COVID-19.

A conclusão é de um estudo recente que alerta para o impacto da pandemia no diagnóstico tardio destas infeções e que teve por base um inquérito online. As respostas foram dadas por 98 indivíduos de organizações não governamentais e de base comunitária, cuidados secundários de saúde e institutos de saúde pública e ministérios da saúde, de 34 países da Região Europeia da Organização Mundial de Saúde (OMS), envolvidos no processo de testagem para pelo menos uma destas infeções.

Metade dos testes por realizar

Técnico laboratorial a mostrar teste de VIH positivo

Do total de participantes, 95% mencionaram ter realizado menos testes para todas as infeções, nos primeiros três meses da pandemia, em comparação com o mesmo período de 2019.

Já no segundo trimestre, 65% indicaram uma redução de mais de 50% no volume de testagem, entre março e maio. Já de junho a agosto de 2020, nota-se uma ligeira recuperação.

Para Daniel Simões, da Unidade de Investigação em Epidemiologia (EPIUnit) do ISPUP – uma das entidades envolvidas na investigação – e primeiro autor do estudo, “era expectável encontrar um decréscimo mais acentuado no volume de testagem, durante os primeiros três meses da pandemia, devido ao confinamento. Durante este período, houve medidas mais apertadas, e muitos destes serviços estiveram fechados ou a trabalhar com equipas reduzidas”.

O investigador refere ainda que a redução dos testes pode estar relacionada com a diminuição do pedido de marcação de consultas, da aposta na telemedicina e em consultas remotas, na redução de financiamento e de falta de capacidade de resposta de laboratórios que ficaram assoberbados com o trabalho desenvolvido no âmbito da COVID-19.

Os resultados preliminares da investigação “Impact of the COVID-19 pandemic on testing services for HIV, viral hepatitis and sexually transmitted infections in the WHO European Region, March to August 2020” mostram resultados que preocupam os investigadores.

“A COVID-19 veio atrasar ainda mais o diagnóstico e o tratamento destas infeções. Nas hepatites virais e ISTs o diagnóstico era também um ponto crítico antes da pandemia, com muita gente por diagnosticar. O diagnóstico e o tratamento tardios de doenças crónicas como o VIH e as hepatites virais podem acarretar consequências de saúde graves a longo prazo para quem vive com estas infeções e não o sabe, e estas diminuições na testagem põem em causa os progressos na resposta a estas infeções na Região”, explica o investigador Daniel Simões.

Fontes

  1. Universidade do Porto: “COVID-19 diminuiu testagem de VIH, hepatites e infeções sexualmente transmissíveis”. Disponível em: https://noticias.up.pt/covid-19-diminui-testagem-de-vih-hepatites-e-infecoes-sexualmente-transmissiveis/
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