Drª Patricia Azevedo | Médica Veterinária
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28 Mai, 2020 - 10:59

Hipoadrenocorticismo em cães: conheça as suas causas e tratamento

Drª Patricia Azevedo | Médica Veterinária

Hipoadrenocorticismo em cães é uma doença endócrina que pode provocar variados sintomas e se não tratada pode, a longo prazo, provocar problemas graves.

Caniche com Doença de Addison

Hipoadrenocorticismo em cães, também conhecida por Doença de Addison, é uma doença que pode afetar cães de qualquer idade. Existe uma predisposição genética para este problema, sendo que é mais comum surgir em algumas raças. Os sinais iniciais são inespecíficos, podendo ser difícil o diagnóstico da doença.

Hipoadrenocorticismo em cães: o que é?

Caniche a brincar no sofá

Hipoadrenocorticismo em cães é resultado do mau funcionamento das glândulas adrenais, ou supra-renais como são também denominadas, devido à sua localização anatómica na parte superior de ambos os rins.

Estas são duas glândulas responsáveis por secretar hormonas como a adrenalina, catecolaminas e cortisol que, por norma, são libertadas em resposta ao stress, mas são também fundamentais para manter o volume sanguíneo e pressão arterial.

Quando ocorre Hipoadrenocorticismo em cães significa que a produção hormonal destas glândulas está ausente ou diminuída, o que leva, consequentemente, ao mau funcionamento do organismo.

A doença afeta principalmente cães entre os 4 e os 5 anos de idade, no entanto pode surgir em animais de qualquer idade, sendo que as fêmeas são as mais afetadas. As causas para que esta doença ocorra são várias, no entanto, parece também existir uma componente genética, já que algumas raças são mais afetadas, como por exemplo, Caniche, Cão De Água Português, Dogue Alemão.

Qual a causa de Hipoadrenocorticismo em cães?

As causas não são bem conhecidas, no entanto, como referido anteriormente, sabe-se que existe uma componente genética.

O que ocorre nesta doença é uma destruição da camada exterior das glândulas adrenais, sendo que o próprio organismo deixa de reconhecer essas células, levando à sua destruição.

Em casos mais raros, o Hipoadrenocorticismo em cães pode ser secundário a um distúrbio na hipófise, uma glândula na base do cérebro que regula a secreção de várias hormonas, entre as quais as das glândulas adrenais.

Quais os sintomas de Hipoadrenocorticismo em cães?

Caniche deitado numa cama

Numa fase inicial da doença, os sintomas são vagos, razão pela qual podem passar despercebidos. Mesmo quando o tutor se apercebe e leva o animal ao médico veterinário são necessários vários exames para chegar a um diagnóstico porque os sintomas são muito variados e comuns a diferentes patologias.

Os sintomas mais comuns da doença são:

  • Vómitos
  • Letargia, ou seja, mais parado do que o normal
  • Perda de apetite
  • Diarreia
  • Depressão
  • Tremores e fraqueza muscular
  • Baixa temperatura corporal (abaixo de 38ºC)
  • Tensão arterial baixa
  • Tremores
  • Tolerância reduzida ao stress
  • Dor abdominal
  • Poliúria (aumento de frequência e quantidade de urina)
  • Polidipsia (aumento de ingestão de água)
  • Fraqueza muscular

Em casos graves, podem surgir sintomas como síncope (desmaio), bradicardia (diminuição da frequência cardíaca), pulso fraco, choque, entre outros, em que se denomina crise addisoniana.

Esta crise pode levar à morte do animal, todavia, só surge em situações mais avançadas da doença. Por isso, aos primeiros sintomas deve levar o seu cão ao médico veterinário.

Diagnóstico de Hipoadrenocorticismo em cães

Hipoadrenocorticismo em cães não é muito fácil de diagnosticar, pelo que envolve a realização de vários exames complementares, em caso de surgimento de sinais clínicos compatíveis.

Os exames complementares de diagnósticos mais comuns são análises sanguíneas, em que é possível observar alterações a nível dos iões como o sódio, cloro e potássio, ureia, glicose e cortisol.

Também a ecografia pode ser uma boa ferramenta de diagnóstico, sendo que, normalmente, as glândulas adrenais apresentam tamanho reduzido; e, por vezes, alterações gastrointestinais.

Para além das análises sanguíneas normais, o exame de diagnóstico que de facto confirma a doença é a prova de estimulação com ACTH (hormona adrenocorticotrópica), que permite avaliar a capacidade das glândulas adrenais produzirem cortisol, sendo que cães com esta doença produzem uma quantidade insuficiente.

O teste consiste na medição de cortisol entre 1 a 2 horas antes e depois da administração de ACTH, sendo que um valor abaixo do valor de referência confirma a Doença de Addison em cães.

Tratamento de Hipoadrenocorticismo em cães

Tutor a dar medicamento a caniche misturado na comida

O tratamento consiste em substituir as hormonas (mineralocorticóides e glucocorticóides) que deveriam ser produzidos pelas glândulas adrenais, administrando então estas hormonas de forma sintética.

Este tratamento é feito para todo o resto da vida do animal, sendo que este deve ser seguido pelo médico veterinário, principalmente nos primeiros meses de tratamento, pois são necessárias análises de acompanhamento para monitorizar o tratamento e ajustar as doses de medicação.

Em caso de crise addisoniana é necessário também corrigir os valores alterados e estabilizar o animal, sendo que pode ser necessário a hospitalização do animal e fluidoterapia.

Um animal com Hipoadrenocorticismo pode ter uma vida perfeitamente normal, desde que medicado corretamente, preferencialmente numa fase inicial da doença, daí a importância de uma investigação clínica e ida ao médico veterinário em caso de suspeita (surgimento de algum sintoma).

Fontes

  1. MSD Veterinary Manual – Addison Disease (Hypoadrenocorticism). Disponível em: https://www.msdvetmanual.com/endocrine-system/the-adrenal-glands/addison-disease?query=addison
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