Mónica Carvalho
Mónica Carvalho
25 Mar, 2020 - 19:21

Portugal entrou em fase de mitigação: o que significa?

Mónica Carvalho

Com o aumento progressivo do número de infetados e mortos pela doença COVID-19, Portugal entrou no dia 26 de Março na fase de mitigação no âmbito da pandemia do novo coronavírus.

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A fase de mitigação refere-se ao período mais grave de contágio e não se anteveem tempos fáceis. “Pode ter turbulência e estamos cá para resolver os obstáculos. Estamos cá para resolver os problemas e para prestar assistência aos doentes de acordo com o grau de evolução da doença”, afirmou a Diretora-Geral da Saúde, Graças Freitas, na conferência de imprensa desta manhã.

Esta fase corresponde ao nível de alerta e resposta mais elevado, visto que já se encontram ativas várias cadeias de transmissão pelo novo coronavírus. Na prática, isto significa que todos os hospitais do Serviço Nacional de Saúde são chamados a dar resposta, que os hospitais privados podem ajudar na fase de diagnóstico e na gestão de casos e que o isolamento de doentes com sintomatologia leve vai ser primordialmente feito em casa.

Graças Freitas explicou que “cerca de 80% dos doentes vão ter sintomatologia ligeira e conseguir ficar no domicílio, sendo acompanhados, obviamente, pelo seu médico e enfermeira e a saúde pública fará a sua parte para rastrear os contactos destes doentes”.

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Quem tiver sintomas poderá contactar a linha SNS24, mas também as linhas telefónicas criadas especificamente para o efeito, pelas ARS, em Unidades de Saúde Familiar (USF) ou Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) e que visa, assim, aliviar o número 808 24 24 24.

Aí serão avaliados os sintomas e, de acordo com a norma da DGS “Abordagem do Doente com Suspeita ou Infeção por SARS-CoV-2”, “nas situações em que não seja possível testar todos os doentes com suspeita de COVID-19, têm prioridade para a realização do teste laboratorial os seguintes:

  • Doentes com critérios de internamento hospitalar
  • Recém-nascidos e grávidas
  • Profissionais de saúde sintomáticos
  • Doentes com comorbilidades, nomeadamente com Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), asma, insuficiência cardíaca, diabetes, doença hepática crónica, doença renal crónica, neoplasia maligna ativa ou estados de imunossupressão;
  • Doentes em situações de maior vulnerabilidade, tais como residência em lares e unidades de convalescença
  • Doentes com contacto próximo com pessoas com as comorbilidades identificadas acima
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Quanto aos infetados com indicação para cuidados domiciliários, que, pelas previsões da DGS serão 8 em cada 10 casos, haverá também um acompanhamento dedicado, sendo estes avaliados e monitorizados telefonicamente pela equipa de saúde USF / UCSP.

O número de mortes provocadas pela COVIS-19 subiu hoje, dia 25 de março, para 43, havendo 2.995 casos de infeção.

Fontes

Norma Direção-Geral da Saúde: Abordagem do Doente com Suspeita ou Infeção por SARS-CoV-2. Disponível em: https://www.dgs.pt/directrizes-da-dgs/normas-e-circulares-normativas/norma-n-0042020-de-23032020-pdf.aspx

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