Danielle Paiva
Danielle Paiva
29 Nov, 2019 - 08:30

Dores menstruais: como lidar com elas

Danielle Paiva

As dores menstruais afetam a maior parte das mulheres em idade fértil e podem causar problemas na sua rotina diária. Saiba como lidar com elas.

Dores menstruais: como lidar com elas
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As dores menstruais, ou dismenorreia, são dores pélvicas que atingem a região abdominal inferior. Podem ser cíclicas ou recorrentes e, de acordo com a intensidade dos sintomas, são também uma causa importante de absentismo escolar ou laboral.

São a queixa ginecológica mais comum em mulheres jovens, com uma alta prevalência. As dores podem vir acompanhadas de inchaço abdominal, mamário, enjoos, entre outros sintomas.

Dores menstruais: principais causas

dores menstruais

Alguns autores acreditam que haja maior libertação de prostaglandinas (sinas químicos produzidos pelas células) no fluxo menstrual, o que causa contração uterina e dor.

Existe uma relação entre a ocorrência e gravidade das dores menstruais e factores como (1):

Idade

Mulheres jovens tem mais queixas de dores menstruais.

As características do ciclo menstrual

Mulheres com o ciclo irregular têm mais dores menstruais do que as que possuem um ciclo regular, de 28 dias.

Tabagismo

O tabaco está relacionado a um aumento de queixas de dores menstruais.

Consumo de álcool

O consumo de álcool também aparece como fator de aumento nas dores menstruais.

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Stress e a ansiedade

O stress e a ansiedade tem sido apontados como agravantes nas dores menstruais.

DIU (dispositivo intrauterino)

A presença de DIU (dispositivo intrauterino) não medicamentoso para contracepção também pode ser um potencial causador da dor menstrual.

Origem das dores menstruais

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As dores menstruais dividem-se em (2):

1. Dismenorreia primária (não há doença pélvica)

Inicia-se com os ciclos ovulatórios (cerca de seis a 12 meses após a primeira menstruação). Aparece geralmente umas horas antes ou no início do fluxo menstrual e é mais intensa nos primeiros dois ou três dias do fluxo. Por norma, causa  náuseas, vómitos e diarreia.

2. Dismenorreia secundária (existe doença pélvica)

Tem um início mais tardio, geralmente após a terceira década de vida. A dor persiste durante todos os dias do fluxo menstrual e frequentemente estão presentes outros sintomas ginecológicos, tais como dor na relação sexual ou menorragias.

Dores menstruais: diagnóstico

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O diagnóstico das dores menstruais é fundamentalmente clínico. Como na própria descrição da doença, é baseado na presença de cólica no baixo ventre durante a menstruação.

O objetivo é comprovar se a dor menstrual é primária ou secundária, o que se confirma por meio de um anamnese cuidadosa, exame físico geral e exames complementares.

Na anamnese, deve-se atentar para a idade da paciente, adolescentes têm um quadro mais doloroso do que o da mulher adulta. Deve-se ter atenção ao início da sintomatologia e da duração.

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O exame físico é importante para diferenciar dismenorréia primária da dismenorréria secundária. O toque vaginal só deve ser realizado se a paciente já mantém atividade sexual, e o retal somente em necessidades. Na secundária, o exame físico é muito útil, pois pode diagnosticar diversas patologias que causam o aumento do útero (12)

Tratamento das dores menstruais

O tratamento das dores menstruais pode ser realizado em dois momentos, ou seja, durante a crise ou profilaxia. Na crise, constitui tratamento sintomático, de emergência, visando remover ou aliviar a dor.

Nos casos de dismenorreia primária, o tratamento tem caráter profilático, desde terapia de apoio até o tratamento cirúrgico (2).

Algumas medidas profiláticas e terapêuticas podem auxiliar:

Exercício físico

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Considerado um alívio para o desconforto menstrual pelo aumento da dilatação dos vasos sanguíneos. Se realizado de forma regular e moderada, alivia a dor, pois ocorre libertação de endorfinas, melhorando o fluxo sanguíneo pélvico, que age como analgésico específico.

Medidas gerais

Uma bolsa de água quente, um bom banho morno e massagens para relaxar também aliviam a dor.

Dieta Alimentar

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Modificações dietéticas específicas podem contribuir para a redução dos sintomas associados à dismenorreia, como a diminuição do sal e de açúcar refinado 7 a 10 dias antes da menstruação, o que pode diminuir retenção de líquidos.

Algumas mulheres com dismenorreia primária relatam uma redução na sintomatologia ao passarem de uma dieta rica em gorduras para uma baixa taxa de gorduras.

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Anticonceptivo oral

Se a paciente tiver vida sexual ativa e deseja contracepção, o anticonceptivo oral (ACO) pode ser indicado. O uso de anticonceptivo  na população feminina em geral pode tratar a dismenorreia, chegando a quase 90% de melhora. Os ACO inibem a ovulação e, com isso, ocorre diminuição de prostaglandinas no útero, redução do fluxo menstrual e alívio da dor.

No tratamento para a dismenorreia secundária, o mais eficaz é identificar a causa, usar analgésicos ou anti-inflamatórios não hormonais (AINH) para alívio da dor.

Veja também:

Fontes

1. RODRIGUES, A. (2011). Dismenorreia em adolescentes e jovens adultas prevalência, factores associados e limitações na vida diária. Disponível em: https://www.actamedicaportuguesa.com/revista/index.php/amp/article/viewFile/1477/1063
2. ACQUA, R. (2015). Dismenorréia. Faculdade de Medicina de Maringá – Brasil. Disponível em:  http://files.bvs.br/upload/S/0100-7254/2015/v43n6/a5327.pdf