Psicóloga Ana Graça
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03 Mar, 2021 - 10:27

Como ajudar as crianças a gerir conflitos e angústias? 7 dicas!

Psicóloga Ana Graça

Na infância são desenvolvidas habilidades sociais e emocionais. Abundam os erros sociais e as contendas. Mas como ajudar as crianças a gerir conflitos?

como ajudar as crianças a gerir conflitos

Gerir conflitos e angústias é uma aprendizagem que deve acontecer ao longo do desenvolvimento e que começa na infância. Na medida em que somos seres sociais, os conflitos são inevitáveis. Estão constantemente presentes nas interações com os outros e podem servir, na infância, como oportunidade de aprendizagem. Como ajudar as crianças a gerir conflitos e angústias? Vamos tentar descobrir!  

Os conflitos na infância

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Os conflitos, frequentemente entendidos como algo negativo, podem ser vantajosos se utilizados como oportunidades de aprendizagem, que permitam às crianças desenvolver novas competências cognitivas e sociais, maior resiliência, identidade social e uma melhoria das relações e interações sociais.

As crianças privilegiam as relações, as interações com o outro e com o meio que as envolve. Ao interagir, as crianças deparam-se com diversas situações de conflitos interpessoais, seja pelo seu pensamento egocêntrico, por situações de partilha de objetos/brinquedos, pela violação das regras de um jogo, por interferências em atividades a decorrer com os amigos, ou apenas pelo confronto de diferentes opiniões ou gostos pessoais.

Cada criança é única e diferente de todas as outras, logo, cada criança reage às situações de conflito e aos sentimentos de angústia de forma distinta. Porém, é natural e comum que estejam presentes dificuldades ao nível da gestão de conflitos de forma autónoma (1).

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Como ajudar as crianças a gerir conflitos e angústias com 7 dicas

Como ajudar as crianças a gerir conflitos e angústias de forma autónoma, criativa e eficaz? Eis 7 dicas que podem ajudar:

1. Procurar ajudar as crianças a resolver as situações, em vez de ser o adulto a resolvê-las. Os adultos devem servir como mediadores, estimulando a que as crianças, perante uma situação de conflito, cheguem a um acordo que seja satisfatório. Os adultos devem avaliar quando intervir nas situações de conflitos, dando oportunidade às crianças chegarem a uma solução de forma autónoma e criativa.

2. Promover o diálogo. Os adultos devem ajudar as crianças a resolver conflitos e angústias de forma positiva e pacífica. Para tal, importa estimular o diálogo, a compreensão e a reflexão.

3. Promover a empatia. É importante que, desde cedo, as crianças aprendam a colocar-se no lugar do outro e por isso, as situações de conflito são excelentes oportunidades para tal. Podem servir para as crianças trabalharem a cooperação, o respeito e o reconhecimento do outro (e dos seus gostos e preferências pessoais).

4. Escutar com atenção. É importante que os adultos observem as crianças, estejam atentos às suas ações, escutem ativamente os seus pontos de vista. Depois da escuta, devem ajudá-las a distinguir o que é certo e errado e focar-se nos pontos fortes que estas possuem para resolver os problemas.

filho a desabafar com pai

5. Manter a calma. Em situações de conflito em que estejam envolvidas crianças é importante que quando o adulto intervém, o faça calmamente, com uma voz suave e sem adotar atitudes negativas que possam magoar as crianças.

6. Validar os sentimentos e as emoções dos mais pequenos. É importante reconhecer os sentimentos das crianças e prestar atenção às suas características emocionais. As crianças devem sentir-se apoiadas e sentir que as suas angústias e preocupações são escutadas e valorizadas.

7. Treinar o controlo das emoções e dos impulsos. É natural que as crianças reajam a ~-|problemas pequenos ou insignificantes, por vezes, de forma exagerada. O controlo dos impulsos e a gestão das emoções leva tempo e requer treino. Os pais podem ajudar as crianças a treinar estas habilidades, recorrendo a histórias, jogos, à brincadeira e a situações imaginárias (1,2,3).

Conclusão

Ajudar as crianças a gerir conflitos e angústias é importante e é um trabalho diário. Para tal, importa que os pais procurem compreender os seus filhos e educá-los de forma a contribuir para o seu desenvolvimento e para uma convivência sã em sociedade.

Fontes

  1. Bernardo, S. (2017). Gerir conflitos em Educação Pré-Escolar: O contributo e os desafios do educador de Infância. Disponível em: https://comum.rcaap.pt/bitstream/10400.26/21881/1/tese%20vers%C3%A3o%20final%20depois%20da%20defesanova.pdf
  2. Gonçalves, C. (2017). Resolução de Conflitos – Promoção de Competências de Interação Social entre Crianças em Idade Pré-Escolar. Disponível em: https://comum.rcaap.pt/bitstream/10400.26/21861/1/Tese%20Definitiva.pdf
  3. Hurley, K. (2018). How Kids Learn to Cope With Peer Conflict at Home. Psychology Today. Disponível em: https://www.psychologytoday.com/us/blog/worry-free-kids/201806/how-kids-learn-cope-peer-conflict-home
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